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 10/08/2017   11:25 

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Pais do Judiciário inspiram na criação dos filhos

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida. E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas. Este é um verso do poema “As mãos do meu pai”, do escritor gaúcho Mario Quintana, e serve de inspiração para o Dia dos Pais dos servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso. Como forma de homenagem, foram escolhidos dois pais – um servidor e um magistrado – para dividirem conosco um pouco de suas histórias de paternidade.
 
O técnico judiciário Carlos Roberto Bertucini, lotado na Comarca de Cotriguaçu (950 km a noroeste de Cuiabá), 
cria os filhos Gabriel, de 14 anos, e Letícia, de 9 anos, sozinho. Ele se separou da mãe das crianças em 2013 e desde então assumiu a criação dos dois filhos. Além disso, enfrenta a distância do caçula, Artur, de quatro anos, que mora com a mãe em Cuiabá.
 
A rotina da família é toda programada para Carlos realizar as tarefas paternais juntamente com as domésticas e profissionais. Pela manhã, ele ajuda os filhos a fazer tarefa, trabalhos escolares, consultas médicas e outras demandas deles. Carlos faz o almoço, organiza a casa e segue para o Fórum no período da tarde. Enquanto isso, os filhos estão na escola. Até que ele chegue em casa, depois das 19h, uma vizinha cuida deles.
 
“No início foi conturbado conciliar os horários da escola com o meu trabalho e ajustar a rotina. Eu me desdobro e abro mão de muitas coisas para que eles sofram o menos possível. O mais difícil é ter que suprir a falta da mãe. Acredito que fica um pouco bagunçado o pensamento deles porque é um só fazendo o papel de dois”, relata o servidor.
 
Ele descreve que o mais difícil em sua rotina é fazer tudo totalmente sozinho, pois ele não tem ninguém de sua família morando na mesma cidade e encontra dificuldades para contratar uma babá. “Enquanto eu levo o Gabriel para o futebol, a mãe poderia ficar com a Leticia, mas ela tem que ir junto porque não tenho com quem deixá-la. Não tenho nenhum parente aqui e em cidade pequena você não encontra babá à noite ou fim de semana, então até quando eu preciso viajar para treinamento, tenho que levá-los”, descreve.
 
Apesar do esforço intenso que a rotina de “pãe” requer, Carlos só agradece a oportunidade de criar seus filhos. “É muito gratificante. O retorno compensa. Eu me orgulho muito de ser pai porque pela experiência que já tive como oficial de justiça, eu vejo o quanto muitos pais são relapsos, se esquecem dos filhos depois que se separam e por isso eu dei um tratamento diferente para eles. São meus filhos, minha responsabilidade. Eu poderia deixar com a mãe, mas quis fazer isso por eles. Me sinto muito feliz”, complementa.
 
O juiz Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro, da Terceira Vara Cível de Cuiabá, é pai do Pedro Henrique, de 15 anos, do João Gabriel, de 13 anos, e do Luiz Antônio, de 8 anos. Além de morar com os três meninos, é casado com a juíza Sinii Savanah Bosse e tem duas enteadas: a Isabela, de 14 anos, e a Manuela, de 12 anos.
 
A rotina da família é bastante corrida, por serem sete pessoas, pelos pais serem magistrados e pelos filhos terem várias atividades extraescolares. Aulas de inglês, natação, crossfit, futebol, jiu-jitsu, wrestling (tipo de luta profissional) academia, rotina de quatro escolas diferentes e o tempo com os outros genitores, precisam ser planejados e organizados com bastante cuidado.
 
“É uma rotina que a gente vem sobrevivendo”, brinca o magistrado. “Lá em casa, por ter muita gente, tem que haver organização. Todo mundo tem que ser responsável pela sua roupa, cada um faz seu café da manhã. Os meninos têm uma rotina bem delineada”, afirma.
 
O magistrado faz questão de levar e buscar os filhos na escola todos os dias. Na quarta-feira, busca os mais novos e almoça com os três em um restaurante próximo à escola de Pedro, já que ele estuda em período integral. Na quinta-feira, é dia de ficar com a mãe na casa da avó materna. Na sexta-feira todos se reúnem na casa da mãe do juiz para o almoço em família. Durante a semana no período da tarde, o juiz trabalha no Fórum, mas afirma que mantém contato com os meninos o tempo todo pelo WhatsApp. No fim de semana, também é corriqueiro ficarem juntos na chácara da família ou passeando, jogando vídeo game, baralho e assistindo a lutas.
 
“Eu gosto de ficar pregado com os meninos. Adoro viver embolado com meus filhos, com minhas irmãs, meus pais. É hábito que eu tenho, eu gosto disso. Meus filhos são tudo para mim. Quando a gente se vê responsável pelos filhos, eles morando com você, é preciso desenvolver habilidades que muitas vezes você não tinha, por comodismo, por deixar que a mãe resolva. Eu participo de reunião de pais que eu vejo que a maioria que participa são mães, eu aprendi a cozinhar, tive que desenvolver sensibilidade que antes não tinha. O dia a dia que muitas vezes os casais dividem, eu tive que me virar. Hoje são coisas que eu gosto de fazer e está um pouco mais tranquilo porque minha esposa me ajuda muito”, relata Saboia.
 
Neste Dia dos Pais, o magistrado traz a reflexão para os pais aproveitarem mais o tempo com seus filhos. “O tempo com nossos filhos é tão precioso que eu acho que não podemos renegar esse momento. O mais importante é valorizar todo momento que estamos com eles. Temos que aproveitar o máximo do tempo que estamos aqui. Para mim, hoje isso é muito caro. Por mais que tenhamos muito trabalho, me sinto muito feliz e revigorado quando estou com eles”.
 
Feliz Dia dos Pais!
 
Mylena Petrucelli
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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