Prefeito boliviano participa de audiência pública
O prefeito de San Matías, Fábio Lopez, participou da audiência pública que debateu “Zona de Fronteira – Tráfico de Drogas e o Crime Organizado” na cidade de Cáceres (a 225km de Cuiabá), na última sexta-feira (4 de agosto). “Sinceramente nos sentimos muito honrados de poder comparecer a esse importante encontro. Como integrantes da região de fronteira, não poderíamos ficar à margem desse trabalho. Temos que ser parte ativa. Agradeço pelo convite e por podermos participar dessa audiência contra a criminalidade”, afirmou. A autoridade boliviana destacou que o combate ao tráfico de entorpecentes e ao crime organizado também é uma luta do país vizinho. “Trabalhamos pelo bem da coletividade. Há dois anos tínhamos apenas nove policiais fazendo a segurança em mais de 200km de fronteira. Recentemente inauguramos uma importante obra para reunir todas as forças de segurança, onde trabalham dezenas de profissionais das agências bolivianas”, contou, referindo-se à Estação de Integração Policial (EPI), que integra o Exército, as forças policiais especializadas do país, Interpol, sistema de identificação de pessoas, departamento de imigração, e a polícia especializada no combate ao narcotráfico.
Debates - O promotor de Justiça Augusto Lopes Santos lembrou que o Brasil faz fronteira com 10 países da América do Sul e que quatro deles são produtores de entorpecentes. “Cáceres é um corredor para grande parte da droga que entra no país. Falar em crime organizado é sério, precisamos nos preparar para esse enfrentamento. Saber que um dos objetivos do debate é a reativação do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira (GGIF) me alegra. Além disso, precisamos dar uma atenção especial à prevenção e trabalhar com inteligência para fazer frente ao crime organizado. Tenho certeza de que esse ativismo do Judiciário vem ao encontro dos nossos anseios”, declarou.
A defensora pública Paula Ferreira observou que muitos iniciam ainda jovens no tráfico pela facilidade de acesso na região de fronteira e pelo dinheiro fácil. Defendeu que sejam promovidas ações sociais voltadas a esse público, que funcionem de maneira preventiva. O representante da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso (OAB-MT), Fábio de Sá Pereira, também reforçou que os “jovens são o alvo inevitável das instituições criminosas”. O advogado endossou a ideia do juiz José Eduardo Mariano, diretor do Fórum de Cáceres em exercício, da necessidade de construção de uma unidade prisional adequada. “Temos aqui todas as polícias e forças armadas, um aparato de repressão invejável. E isso não faz sentido se no final não temos um local para o cumprimento da pena”, ponderou.
O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), José Arimatéa Neves Costa, relatou a experiência como o primeiro juiz da vara especializada de combate ao crime organizado em Cuiabá e argumentou que uma vara com essa mesma competência na comarca de Cáceres “será de extrema funcionalidade”. Contudo, se mostrou preocupado com a infraestrutura prisional. “O crime organizado cresce em uma escala geométrica, especialmente o tráfico de drogas e de armas. Será necessário um investimento estatal para melhorar o atual estabelecimento prisional ou teremos uma vara com sérios problemas para juízes, promotores, defensores e advogados”, revelou.Leia mais:
Ana Luíza Anache | Fotos: Tony Ribeiro (Agência F5)
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