Vera Capilé fala da trajetória e paixão pela arte
Abrindo as comemorações dos três anos da web rádio Estação TJ, que faz aniversário no próximo dia 12, o programa Estação da Arte recebeu, na manhã desta quarta-feira (9 de julho), a cantora Vera Capilé, que falou da sua chegada em Cuiabá, das suas influências musicais e de sua trajetória de paixão pela arte e pela cultura regional.Uma criança sempre muito ativa fez, ainda criança, aulas de piano, balé e teatro. Na família a música sempre foi muito presente. Participou de programa de calouros na Rádio A Voz D’Oeste e o pai, Sinjão Capílé, funcionário público, seresteiro e violeiro, sem condições de comprar o piano que a filha tanto queria, lhe deu um acordeom.
Essa vivência familiar arraigada na música fez com que Vera crescesse povoada de polcas paraguaias, boleros, samba canção, seresta e música fronteirista. A partir de então teve aulas com a professora renomada Dunga Rodrigues. “A influência da fronteira me trouxe também a forma de cantar. Muitos perguntam se estudei canto lírico pela forma que eu canto, mas nunca estudei”, conta.
No bate papo com a jornalista Cristina Azevedo e radialista Maíra Matos, a artista revelou que, aos onze anos, se apaixonou por Cuiabá pelo calor do folclore ao frequentar festas tradicionais de santos no centro da cidade, pela vivacidade das cores e ritmos. Depois de casada se dedicou por 23 anos a empreendimento familiar e aos 50 anos de idade, Vera Capilé diz que foi o marco de sua vida: gravou seu primeiro CD (Cuiabá um Canto de Amor), se formou em psicologia e teve seu primeiro neto. “Pude ser a cantora que sempre quis ser. Passei 23 anos da minha vida dentro de um invólucro não sendo eu em muitas coisas. Foi uma época maravilhosa, mas não tinha a maturidade de saber que temos que ser quem somos, porque irá agradar do mesmo jeito”, afirma.
Também compositora, Vera Capilé é hoje um ícone da cultura regional e segundo ela, todas as suas músicas são relacionadas com natureza e com a arte. “O folclore me preenche, todo esse colorido que vejo é a arte que me traz. Tanto que a minha arte tem a ver com esse folclore. Sou apaixonada pelo folclore mato-grossense, já cantei com o grupo Flor Ribeirinha em um festival de siriri e foi uma das coisas que fiz em arte que mais me preencheram”.
Sobre projetos profissionais, Vera revela que há uma parceria com o violeiro André Balbino intitulado “Canto, prosa e viola”, que já foi apresentado em algumas ocasiões, mas que em breve devem percorrer os municípios de Guiratinga, Barra do Garças e Rondonópolis. “Fora isso onde estou sempre cantando, aqui e ali. Onde estiver vou sempre cantar”.No ano 2000 lançou seu segundo CD, Flor de Laranjeira e em 2004 foi selecionada para o Projeto Pixinguinha, se apresentando em Brasília e Roraima com grandes nomes da música nacional, como Simone Guimarães e Renato Braz. Em 2005, se apresentou em Paris.
A cantora ficou surpresa ao saber que o Tribunal de Justiça possui uma web rádio e elogiou a iniciativa de abertura de espaço para artistas regionais. “Abrir as portas para a cultura é encantador, se não for assim, como vamos divulgar nosso trabalho? Estou muito feliz de estar aqui”.
Dani Cunha/Fotos: Otmar de Oliveira (Agência F5)
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