Atitudes simples diminuem o estresse
Quando o assunto é estresse existem muitos estigmas e preconceitos e você deve estar se perguntando se realmente este é um problema de saúde ou desculpa dos fracos e preguiçosos que não querem nada com o trabalho. Mas será que você nunca vai passar por isso? Não são poucas pessoas que vivem ou já viveram essa realidade, seja o estresse pós-traumático ou por causa aparentemente indeterminada. Neste sábado (23 de setembro) será comemorado o Dia Mundial de Combate ao Estresse e esta é a oportunidade mais propícia para “pisar no freio” e repensarmos os nossos hábitos e rotinas. Conforme uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e divulgada em 2012, o estresse e a ansiedade estão ligados a casos graves de câncer. Então, esta disfunção psíquica pode levar à morte, por meio de outras doenças mais graves que ele é capaz de desencadear como depressão e adiantar doenças genéticas pré-programadas como o câncer.
Então é importante ficar atento aos sinais que o corpo emite. A psicóloga do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Talita Moschini Moraes Borges, explica que o estresse tem quatro níveis de gravidade, sendo o nível 1 de alerta, 2 de resistência, 3 de quase exaustão e 4 de exaustão. “Perda de memória recente, insônia, dores musculares, alteração da pressão arterial, cansaço além do normal, muita dificuldade para levantar da cama, falta de prazer em fazer as coisas, maior agressividade e irritabilidade são algumas características”, explicou a psicóloga Talita. Se você estiver com algum destes sintomas por mais de uma semana, talvez seja a hora de repensar sua rotina e sua qualidade de vida e ainda procurar ajuda. Salvo pela música
O estresse não escolhe classe social, caráter ou cor de pele. Tiago Perussi, 42 anos, é servidor da Vara da Infância e Juventude de Várzea Grande, teve os melhores estudos, é formado em duas faculdades, Direito e Música, quem poderia imaginar que ele foi refém do estresse e da depressão por dez anos ininterruptos? Foi tocando Mozart Bethoven e outras músicas eruditas no piano, se envolvendo em atividades religiosas e com dança árabe que ele conseguiu superar o problema sem nem mesmo recorrer a medicamentos. O apoio da família também o ajudou.“Comecei a tocar piano aos 9 anos de idade, mas quando atingi a idade adulta me sobrecarregou, perdi meu pai, e tudo isso me fez utilizar o instrumento com olhar terapêutico. Durante um bom tempo a música e a dança seguraram muitas situações de estresse e tensão na minha vida. Depois de uma rotina pesada volto para casa me sentindo um copo cheio, pingando água para fora, e quando toco piano vou me esvaziando, a mente se esvazia, a pressão arterial vai melhorando. Cada um tenta extravasar de algum jeito, para mim isso aqui é a grande terapia, não tem estresse que resista”, contou.
Atividades que evitam doenças - Graças ao valor que o Judiciário Mato-grossense dá aos seus colaboradores investindo na saúde física e mental deles é que muitos conseguem escapar do nível 4 desta enfermidade. O Tribunal de Justiça de MT desenvolve, por meio do Programa Bem Viver, campanhas de aferição de pressão, corridas de rua, oferece ginástica laboral, Pilates, RPG, academia, fisioterapia, psicólogo entre outros.
Anderson Domingues Augusto, diretor da Gráfica do TJ, e Ivone Moura da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) encontraram no Pilates um meio de se cuidar e evitar qualquer possibilidade de desordem ou desequilíbrio do funcionamento psíquico. A atividade é feita dentro do próprio prédio do Tribunal de Justiça, no ambulatório do Anexo Administrativo.“Busquei Pilates para melhorar os alongamentos e evitar contusões nas outras atividades físicas que pratico. O Pilates é muito bom e descarrega muito, eu saio daqui e parece que corri 10 km, derruba qualquer estresse”, assegurou Anderson. “Procurei Pilates por indicação médica, me sinto mais relaxada, aqui a gente esquece o estresse!”, garantiu Ivone.
Charles Augusto de Oliveira Cebalho, estagiário de Ciências Contábeis no Departamento de Controle e Arrecadação há 8 meses, treina na academia do TJ. “Minha rotina é estressante, acordo muito cedo, fico fora o dia todo, saio correndo da faculdade, para conseguir chegar a tempo no estágio, onde entro às 12h. Quando entro trago estresse, mas quando saio já é outra coisa, me sinto mais leve, com determinação para fazer outras coisas. O estresse morre aqui!”, afirmou.
Conforme a fisioterapeuta do TJ, Carolina Natália de Almeida, há relatos de alunos no Pilates que após algum tempo da terapia dispensaram até o uso de medicamentos tarja preta como, por exemplo, ansiolíticos que são indicados para ansiedade e para dormir. “O Pilates é um dos mais completos exercícios para o combate ao estresse. Ele traz muitas benfeitorias, reduz dores musculares, deixa a pessoa mais disposta para o trabalho, reflete no bom-humor e no relacionamento no ambiente de trabalho, melhora o sono, a respiração e a circulação sanguínea durante as aulas e mantém isso depois também”, contou.
O educador físico da academia do TJ, Emerson Marques Toso, ressalta que a academia não tem qualquer contraindicação e “faz milagres” recuperando massa muscular e ligamentos perdidos após lesões. Ele ressalta ainda que praticar exercícios físicos faz o corpo produzir endorfina, o hormônio que dá a sensação de bem-estar, prazer e felicidade. “A atividade física é indicada pelo menos três vezes por semana para prevenir e tratar doenças respiratórias, do coração, osteoporose e mentais. Não há contraindicação nenhuma, é só conversar com um profissional para orientar quais exercícios adequados para cada caso”, atestou.Causas e tratamento
A psicóloga Talita Moschini orienta as pessoas a ficarem atentas aos sintomas do estresse, tentar identificar as causas e se afastar delas. Se a situação for crítica ou se a pessoa não conseguir sozinha encontrar a causa do estresse, ela deve conversar com pessoas de sua confiança e procurar auxílio de um profissional de saúde mental. “As causas mais comuns do estresse são sobrecargas de cobrança e pressão por produtividade muito alta e excelência. Às vezes a cobrança não é nem de um superior, mas da própria pessoa”, explicou. “Para tratar o estresse a pessoa tem que tentar dar uma pausa no trabalho para respirar, que seja 5 minutos, ela deve praticar atividade física e se permitir ter lazer, que muitas vezes a gente deixa de lado”, recomendou.Glaucia Colognesi
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