Palestra discute Judiciário como exponencial
Organizações exponenciais são empresas ou instituições que tem capacidade de crescimento maior que as corporações tradicionais, pois usam a inovação a favor do negócio. Normalmente, essas empresas trabalham na busca de melhor qualidade de vida para as pessoas. Esse tema foi abordado na abertura do ciclo de palestra realizado pela Coordenadoria de Tecnologia da Informação na manhã desta segunda-feira (29 de outubro). A palestra foi gratuita e dirigida para magistrados e servidores do TJMT, além de outras instituições do Centro Político Administrativo. O tema foi ministrado pelo advogado e consultor em governo digital Ademir Milton Piccoli, que destacou a importância da estratégia da inovação nas instituições. “Hoje em 10 estratégias, pelo menos oito são voltadas para a celeridade. Mesmo assim, nosso estoque no Judiciário continua crescendo, por isso temos que pensar na transformação desse Poder. Transformação que virá por meio do uso da tecnologia. Estamos próximo de chegar a 100% dos processos virtuais na Justiça Estadual Mato-grossense, mas essa é apenas a primeira etapa.”
Ele pontuou que o cidadão tornou-se fator primordial de todo o desenvolvimento tecnológico das empresas. Essa pessoa está focada no tempo em que lhe é entregue o solicitado, porque essa nova geração tem pressa e quer resultados imediatos. Nesse sentido, Piccoli explicou que o tempo com que os trabalhos são desenvolvidos também é fator determinante para a boa avaliação do cidadão, tanto que “nos tempos de hoje, o tempo é mais relevante que o resultado final”.
O palestrante também propõe sete premissas que podem acelerar o alto desempenho do Judiciário na busca para ser um exponencial. A primeira delas é o ‘Propósito Transformador Massivo’ (PTM) que aponta o uso da tecnologia para a construção de uma cultura digital. Segundo ele, mudar a cultura é semear, cultivar e multiplicar. “Transformar-se digitalmente não é apenas automatizar processos ou criar uma página no Facebook. Trata-se de uma mudança cultural, filosófica e gerencial.”
A segunda premissa é o ‘Patrocínio da Liderança’, ou seja, é necessário, em primeiro lugar, abrir as portas para que pessoas se sintam à vontade para compartilhar seus próprios dados. Também é preciso ouvir antes de avaliar a ideia, e, por fim, patrocinar aquelas ideias que são boas. Nesse sentido, as características do líder para o judiciário exponencial é ser visionário, inovador, tecnológico, transformacional, transparente, conectado e também empreendedor. A terceira premissa é ser um ‘Judiciário 4.0’, aquele que usa a tecnologia para a maturidade da transformação judicial. Dessa forma, já é pacífico que existem três pontos em que a inteligência artificial pode ser utilizada no Poder Judiciário, sendo eles o atendimento, pesquisa e apoio ao processo.
A quarta, quinta e sexta premissas são ‘Cloud’, que tem entre os benefícios o ganho na otimização da infraestrutura e flexibilidade; o ‘Cidadão Digital no Centro das Atenções’ e reforçar que ele também é um stakeholder do ecossistema do Judiciário; e ainda ‘Judiciário como Plataforma’, que, resumidamente, significa dar mais transparência na gestão pública. Ainda a última premissa, ‘Atuar em Ecossistema’ é apontada por Piccoli como imprescindível para que a Justiça ganhe celeridade na troca de experiências e, assim, melhore resultados. Segundo ele, à medida que a digitalização amadurece, maior a necessidade de um ecossistema digital.
O consultor destacou ainda que as mudanças estão acontecendo muito rápido, tanto que a Philips já anunciou que está estudando o lançamento do Li Fi, que deve oferecer internet por meio da energia elétrica, e mais rápida que a Wi Fi como a gente conhece normalmente. “Quanto mais digital, mais fértil é o terreno para novos modelos de negócio”, concluiu o palestrante.
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Keila Maressa/ Foto: Otmar Oliveira (F5)
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