Comarca discute violência doméstica com estudantes
Mais de 100 estudantes dos cursos de Direito e Psicologia da Faculdade de São José dos Quatro Marcos (município distante 315 km a oeste de Cuiabá) participaram do VII Café Filosófico, promovido pela faculdade em parceria com o Fórum da comarca. Na ocasião, a juíza Lílian Bartolazzi L. Bianchini e a psicóloga da equipe multidisciplinar do fórum, Giuliana F. Marcelo e Mariano, conduziram as palestras com o tema voltado para a violência contra a mulher e o feminicídio.Em um primeiro momento, a magistrada e a servidora falaram do pré-feminicídio, que envolve aspectos de prevenção, apresentando maneiras de identificar momentos e situações que a mulher sofre diferentes tipos de violência. Depois, elas apresentaram os aspectos jurídicos e legais da Lei Maria da Penha, sobre a recente alteração do Código Penal que tratou da qualificação do feminicídio, e também dos aspectos psicológicos da vítima que se encontra presa ao ciclo da violência.
Conforme destaca a magistrada, os estudantes ficaram muito interessados no assunto e demonstraram que não conheciam alguns aspectos jurídicos e psicológicos da violência contra a mulher que foram apresentados na ocasião.“Foi uma conversa bem frutífera. Nossa ideia é levar informação à população como forma de conhecimento e prevenção, explicando passo a passo quais medidas a mulher pode adotar quando se sente ameaçada, quais tipos de violência existem, como o ciclo da violência começa. São questões que as pessoas encaram como normais do cotidiano e não são. Muitas vezes uma mulher está presa numa situação e não identifica que é violência, é situação difícil de sair. Eles se sentiram conscientizados”, explicou a juíza Lílian Bartolazzi.
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or parte da psicóloga Giuliana Mariano, a palestra partiu da perspectiva de atuação profissional no sentido da prevenção da ocorrência, uma vez que, após o crime, o profissional desta área não tem muito onde intervir.
or parte da psicóloga Giuliana Mariano, a palestra partiu da perspectiva de atuação profissional no sentido da prevenção da ocorrência, uma vez que, após o crime, o profissional desta área não tem muito onde intervir.“Quando vemos o feminicídio, na maioria das vezes, é precedido de outros tipos de violência. Tentamos fazer com que os alunos pudessem reconhecer esses tipos de violência e entender quais são os fatores culturais, socioeconômicos que facilitam a manutenção de ciclo de violência”, pontua.
Outro ponto que também foi abordado na atividade diz respeito à sensibilização dos futuros profissionais de como compreender a vítima de violência doméstica, de modo a desconstruir o senso comum de que a mulher escolhe estar nessa relação. A equipe da comarca tem ainda a intenção de levar a palestra para estudantes do ensino médio de escolas públicas no próximo ano.
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Mylena Petrucelli
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