Deficientes auditivos se sentem integrados no TJMT
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) está avançando com passos acelerados em direção à inclusão social. No início deste ano foram contratados 26 pessoas com deficiência auditiva, divididas em dois turnos, para digitalização e validação de processos de primeiro e segundo grau, direcionados para o Departamento Judiciário Auxiliar (Dejaux) e para Secretaria Auxiliar da Vice-presidência. O projeto, realizado em parceria com a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), inclui pessoas com surdez no Poder Judiciário, mostrando que mesmo com uma deficiência, os surdos são capazes de exercer com eficiência uma profissão.
Em 2016 se iniciou o processo de inclusão no TJMT, quando foram contratados 10 deficientes auditivos para trabalharem na sede do Tribunal. O projeto foi considerado um sucesso e hoje o Tribunal conta com 36 surdos em sua equipe. Para receber os integrantes do projeto, os servidores participaram de capacitação e oficinas de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).
Segundo a diretora do Dejaux do TJMT, Nil Rosinha Queiroz Bragaglia, foi uma grata surpresa essa troca de experiência. A servidora afirma que eles vieram para melhorar todo um fluxo de andamento processual no Tribunal. “Eu não imaginava que seria tão fácil essa comunicação, todos estão sendo muito receptivos. E eles estão integrados e preparados. Nossa, na fase de teste surpreenderam. Eles têm um foco muito grande, logo entendem o mecanismo e são muito concentrados.”
A coordenadora de digitalização do Dejaux, Laura Santiago, é ligada à instituição Unilehu e ressalta o profissionalismo e comprometimento dos colaboradores surdos. “Está sendo uma experiência fantástica. Todos são proativos e muito responsáveis com o horário.” Cada pessoa é um universo diferente. E nesse ambiente individual, de características únicas, aproveitar o que cada ser humano pode oferecer de melhor, é compreender que todo mundo é capaz, nem que seja em uma área específica. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso entendeu essa necessidade de integração e se preparou para que a inclusão social se tornasse uma realidade no Poder Judiciário do Estado.

Para a coordenadora judiciária do TJMT, Karine Moraes Giacomeli de Lima, essa iniciativa por parte do TJMT é boa para todas as partes. “É uma relação ‘ganha-ganha’. Para os surdos, pela oportunidade, para os servidores por entenderem que mesmo com uma deficiência auditiva, os surdos são capazes, como qualquer outra pessoa. E também para o Tribunal, pois eles são extremamente focados, responsáveis e muito esforçados.”
De acordo com a coordenadora judiciária, possibilitar essa integração é dar cidadania às pessoas com deficiência. “É muito importante poder proporcionar a eles autonomia, tanto na condição financeira, quanto em ter uma ocupação, trabalharem, serem independentes.”
A digitalizadora do Dejaux, Ferdinanda Santana Fortes, é surda e faz parte dos novos contratados pelo projeto. Ela diz que está aprendendo muito com a oportunidade. “Estou sentindo um cuidado muito bom pelos outros colegas. É muito importante, o que estou fazendo, ter experiência com segredos de justiça e computadores, por exemplo. Estou gostando aqui do Tribunal”, disse a digitalizadora por meio do intérprete.Leia outras matérias sobre o assunto:
Marco Cappelletti/ Fotos: Tony Ribeiro (F5)
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