Poesia e romance envolvem a Estação TJ
A jornalista e escritora Stéfanie Medeiros foi a entrevistada desta quarta-feira (21 de fevereiro) na rádio web Estação TJ, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Entre o seu amor por escrever e a descoberta pela prosa, a ‘pequena notável’ contou à equipe do programa Estação da Arte sobre o seu metódico processo criativo e a importância do reconhecimento pelos prêmios recebidos.Para Stéfanie, a primeira expressão de escrita surgiu aos 10 anos, com o costume de escrever diários. Mas, segundo a romancista, foi na adolescência que o escrever com o desejo de produzir literatura de fato ocorreu, para enfim tornar-se escritora.
O primeiro livro nasceu de forma orgânica, das primeiras tentativas de escrever poesia na adolescência. E foi justamente desse período, até os seus 20 e poucos anos, que a escritora selecionou os poemas preferidos e os reuniu em sua primeira obra: ‘Borboletas infinitas de coração imperfeito’, pela Carlini & Carniato Editorial.
O processo criativo do primeiro livro foi mais atípico, segundo a autora, e só progrediu após a escritora fazer o planejamento e o script de toda a história e personagens, para então finalizar a obra. “Ele foi mais experimental, então a dificuldade foi mesmo ir pra frente com aquilo, porque eu não tinha certezas.”

O segundo livro da autora, “O último verso”, foi publicado em 2016 e teve o personagem principal inspirado em um dos maiores nomes da poesia brasileira, o poeta cuiabano Manoel de Barros. A obra teve esgotada sua primeira tiragem em apenas um ano, com 500 exemplares vendidos, e recebeu o 1º Prêmio Mato Grosso de Literatura, no ano de sua publicação.
“Naquele primeiro momento foi de uma importância muito grande a premiação. Porque quando você escreve o primeiro romance, você não tem nenhuma certeza de que aquilo tem algum valor ou de que aquilo vai ser lido por alguém. E quando ganha um prêmio, é que alguém leu e achou digno de ser premiado. Aquilo foi de uma importância vital para querer continuar também”, afirma a escritora.
Além das obras publicadas, a autora também assina o roteiro de uma série e de um longa metragem ainda em produção e, de acordo com ela, o desejo de aventurar-se em outras áreas veio da paixão por ficção e histórias longas. “Eu queria experimentar com outros modelos de ficção e comecei a escrever os roteiros. Cada vez mais eu sinto vontade e me sinto incentivada a escrever ficção, tanto em roteiro quanto em romance.”
A romancista e poetisa define a sua morada como ‘algum lugar entre Porto Alegre e Cuiabá’, pois atualmente faz o mestrado de Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), na Capital gaúcha. E seus planos para o futuro incluem terminar o roteiro de um longa metragem de ficção, que está escrevendo no mestrado, e continuar a escrever romances.
A escritora também falou sobre a importância da disciplina no processo criativo e deixou uma dica para quem deseja viver das palavras: “Para quem está começando, a minha dica é incorporar a escrita no dia a dia. Depois de feito isso, o resto vem”.
“Eu acho de extrema importância os espaços que divulgam o que é produzido aqui no Estado, não só em Cuiabá, mas em outras cidades também, porque a gente tem muito sendo feito e às vezes passa despercebido porque não se divulga. E esses espaços buscam suprir essa lacuna. Acho isso necessário e essencial”, ressalta a jornalista, sobre o espaço dedicado aos artistas no Poder Judiciário de Mato Grosso.
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Marco Cappelletti/ Fotos: Otmar de Oliveira (F5)
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