Enfam promove formação de docentes em Mato Grosso
Com a proposta de desenvolver as competências de juízes e desembargadores para a docência, em especial no contexto da magistratura, aplicadas para a prática, a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) realiza em Cuiabá, na sede da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), o primeiro módulo do curso Formação de Formadores. Voltado a magistrados da região Centro-Oeste, a capacitação – dividida em duas turmas - teve início na manhã desta terça-feira (19 de junho) e prossegue até quinta-feira (21 de junho).
Segundo o presidente da Comissão de Desenvolvimento Científico e Pedagógico da Enfam, desembargador Eládio Luiz da Silva Lecey, em 2017 a instituição passou a adotar uma política de maior aproximação com as escolas regionais e estaduais. “Nossa expectativa é que os formadores possam aprender aspectos pedagógicos e metodologias ativas em que o aluno hoje seja um protagonista da aula e não aquele que fica apenas ouvindo palestras. Vamos envolver os juízes, nossos alunos aqui, de maneira que eles possam realmente desenvolver suas competências aplicadas para a prática, pois nossos cursos são profissionalizantes”, salientou.
Aluna do curso, a diretora da Esmagis-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, enfatizou a importância da parceria entre as duas instituições. “É realmente iniciativa da Enfam fazer com que todos os estados e escolas estejam mais próximos uns dos outros, e que a gente se motive a colocar no nosso dia a dia as práticas que são trazidas pela Enfam. São projetos nacionais, então você tem que estar dentro do contexto nacional, com as políticas completamente assimiladas na sua escola particular, e que haja uma identidade com as demais escolas”, ressaltou, ao destacar a necessidade de o TJMT ter um corpo de juízes preparados para a docência. “Temos um padrão nacional e vamos preparar esse juiz para ele desenvolver esse padrão e poder ser utilizado para dar aulas em outros estados. Se ele está formado pela Enfam, está credenciado a dar aulas no Brasil inteiro”, complementou.
Uma das instrutoras do curso, a juíza federal Ana Cristina Monteiro de Andrade Silva enfatizou o papel da Enfam de fazer a ponte entre dois mundos de conhecimento - a pedagogia e o jurídico – para o alcance da excelência na educação judicial. “Como pretendemos desenvolver a educação judicial precisamos nos apropriar desses dois conhecimentos, não basta só o jurídico. Precisamos saber como montar um plano de aula, como utilizar de forma efetiva as metodologias ativas, e para isso fazemos o curso de formação de formadores. Aqui trabalhamos as três competências, o conhecer, o saber fazer e o saber ser, ou seja, também as habilidades atitudinais são trabalhadas, vai muito além do mero conteúdo”. Também instrutora do curso, a pedagoga e mestre em Educação Maria Eveline Pinheiro explicou que nesse curso sempre há dois instrutores por sala, um com formação pedagógica e um magistrado, num esquema de co-docência. “A gente às vezes traz muita teoria e estando com um magistrado junto é uma forma de articular, traduzir e aplicar na própria vivência do magistrado. Isso tem sido algo que tem corroborado para que o curso dê certo, pois ele acaba tendo uma dinâmica muito interessante. Além disso, tem muita proposta de atividade prática de formação. Os magistrados saem mais seguros e também articulam e trocam ideias entre si”, complementou.
O curso total de Formação de Formadores possui 80 horas/aula, divididos em três módulos. O primeiro computa 24 horas de aulas presenciais, seguido por curso de 40 horas na modalidade ensino à distância. A última etapa possui 16 horas/aula e é feita presencialmente em Brasília (DF). “Esse módulo 1 tem o objetivo de motivação, de mostrar que há uma orientação pedagógica de base no trabalho de formação das escolas da magistratura. Trabalhamos a vivência de conceitos básicos, a relação de ensino-aprendizagem, o ensino para o desenvolvimento de competências, questões relacionadas à avaliação, metodologia de ensino, planejamento de ensino, organização da aula... São três dias muito intensos, onde a gente passeia por essa primeira compreensão dos aspectos pedagógicos e da proposta educativa da magistratura”, salientou Maria Eveline.
O juiz Antônio Cézar Pereira Menezes, do Tribunal de Justiça de Goiás, busca se aprimorar na função de professor. “A expectativa é de aprimoramento em como preparar aulas, especialmente nessa área de formação de magistrados, que, queira ou não, é uma especificidade nova para nós que estamos acostumados a dar aulas em faculdades para formação de profissionais do Direito em geral. A expectativa é nos aprimorarmos para a cada dia conseguirmos auxiliar o aluno-juiz nessa formação, para que ele possa melhor exercer a atividade jurisdicional”, observou.
Já desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e professora há cerca de 20 anos, disse estar com boa expectativa em relação ao curso da Enfam. “Ouvi falar muito bem desse curso, que te dá uma noção muito boa de como ministrar aulas em cursos jurídicos, que é diferenciado da sala de aula da faculdade. Como professora que sou, como atividade extra ao Tribunal, sempre dei aula e estou me atualizando. O fato de dar aula te obriga a estar constantemente estudando e se atualizando, e isso te ajuda no trabalho. Também ajuda a ser professor o fato de ser magistrada, porque a prática das ações, dos fatos concretos, ajuda meu trabalho porque tenho sempre um exemplo a dar aos alunos. Uma atividade complementa a outra e é um ganho tanto para a população quanto para os alunos, que sempre vão ter um profissional capacitado”. Saiba mais:
Lígia Saito/Fotos: Otmar de Oliveira (F5)
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