Conscientização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres é celebrado em Rondonópolis
Celebrar o Dia Internacional de Conscientização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres foi o objetivo do evento promovido na quinta-feira (09 de novembro) pelo Poder Judiciário, por meio da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Rondonópolis, em parceria com a prefeitura do município. A ação integra a “campanha 21 dias de ativismo”, que mobiliza a sociedade para o enfrentamento e erradicação da violência contra a mulher. Voltando ao público masculino, o evento realizado nas instalações do Serviço Social do Transporte/ Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST/SENAT) contou com a participação da vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) desembargadora Maria Aparecida Ribeiro. Ela recebeu do prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio o protocolo para o início de implantação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Criada nos municípios, as redes funcionam como portas de entrada para a acolhida e encaminhamento das mulheres para os devidos atendimentos. Em Mato Grosso, o Poder Judiciário fomenta o engajamento dos atores para a criação, estruturação e fortalecimento das redes em todo Estado.A coordenadora do Cemulher também falou aos participantes, e dirigindo-se especialmente ao público masculino, destacou que os homens precisam entender que as mulheres devem ser vistas como companheiras de vida, não como objetos ou inimigas, e que somente com compreensão, amor e respeito é possível vencer a violência doméstica. “Homens e mulheres devem caminhar juntos. Viemos do mesmo lugar. Precisamos trabalhar juntos. Precisamos aprender a respeitar uns aos outros. Enquanto houver discórdia, não haverá um mundo melhor”.
A desembargadora destacou as diversas formas de violência praticadas contra as mulheres, além da violência física, como a violência psicológica e financeira, e como todas marcam profundamente cada vítima por toda a vida. Os prejuízos emocionais e psicológicos gerados nos filhos também foram abordados, assim como os filhos homens tendem a repetir o comportamento violento dos pais. Palestra - A juíza Maria Mazarelo Farias Pinto, responsável pela Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, proferiu a palestra “Homens contra a Violência Doméstica”. A magistrada emocionou a todos ao narrar tristes e trágicas histórias de diferentes casos de violência contra as mulheres praticadas por maridos, companheiros, pais e até mesmo filhos, incluindo casos de abuso sexual.
Ela destacou a importância de ações de prevenção. “Trabalhamos para tocar o ser humano antes que os crimes aconteçam. Porque quando os casos chegam na nossa mesa, o sangue já rolou, a orfandade já se instalou, a prisão já se efetivou. É preciso barrar isso lá na ponta, lá no nascedouro. Quando conseguimos um processo de desabrochar da consciência do homem, o resultado é satisfatório para o homem, para a mulher, para os filhos, para toda sociedade”, enfatizou a magistrada. O juiz titular da 1ª Vara de Família e Sucessões de Rondonópolis, Wanderlei José dos Reis também esteve presente ao evento, assim como como diversas autoridades locais como vereadores e secretários municipais.
Serviços - Parceiras na ação, as Secretaria Municipais de Saúde e de Assistência Social de Rondonópolis disponibilizaram, após a palestra, uma série de serviços como a coleta de sangue para exame de PSA, teste rápido que identifica a sífilis, HIV/AIDS e Hepatites, aferição de pressão arterial, além de orientações sobre programas sociais e materiais educativos. Data - Oficialmente, o Dia Internacional de Conscientização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres é celebrado em 06 de dezembro, desde 2007, através do Decreto de Lei nº 11.489. A escolha desta data remete a um caso de violência contra as mulheres que chocou o mundo. Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, um jovem canadense de 25 anos, invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal (Canadá) e ordenou que todos os homens abandonassem o local, para que pudesse assassinar todas as mulheres daquela turma. Logo após o ato, Marc suicidou-se.
Comovidos e chocados com este caso, um grupo de homens canadenses criou a Campanha do Laço Branco, um movimento que visa fomentar a igualdade de gêneros e uma nova visão sobre a masculinidade.
Angela Jordão
Coordenadoria de comunicação da Presidência do TJMT
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