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 08/03/2021   13:31 

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Dia da mulher: servidoras mostram como estão lidando com o home office durante a pandemia

Quando as portas dos prédios do Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) foram fechadas em razão da pandemia, no dia 19 de março de 2020, as vidas de milhares de mulheres mudaram completamente. O teletrabalho ou home office, que até então parecia algo distante, passou a fazer parte do cotidiano de todas. Enquanto algumas mulheres tiveram que aprender a conciliar uma rotina intensa de trabalho com as tarefas domésticas e os cuidados familiares, outras se viram com adversidades semelhantes, mas com o agravante de ter que lidar com a solidão causada pelo isolamento social. Aproveitando a Semana do Dia da Mulher, entrevistamos duas servidoras do PJMT, que estão conseguindo vencer com sabedoria os reveses desses tempos difíceis.
 
Lidando com o barulho - Karine Giacomeli, coordenadora de Recursos Humanos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acredita que o aumento do convívio familiar foi o maior benefício trazido pelo teletrabalho.
 
"Mesmo que se trabalhe até mais horas por dia, no teletrabalho ganhamos muito com o aumento do convívio familiar. Entre uma reunião e outra, você consegue dar uma espiada no que seu filho está fazendo. Esta é uma oportunidade muito bacana de ouvi-los mais e participar mais da vidinha deles. Embora eu adore estar no meu ambiente de trabalho, percebi que não tive perda de produtividade e ainda consigo estar mais próxima da minha família", observa Karine.
 
Trabalho em conjunto - Para criar em casa um ambiente familiar lúdico e harmonioso durante a pandemia, Karine revela que usou os conhecimentos dela em gestão e motivação de pessoas.
 
"No início foi um pouco difícil para todos criar uma nova rotina de trabalho e estudo em casa. Além disso, com a ausência da nossa auxiliar, as tarefas domésticas começaram a se acumular para mim. Mas, aos poucos, todos foram dividindo as obrigações e as coisas entraram no eixo. Para motivar os meninos a aprender e cumprir suas novas responsabilidades dentro de casa, desenvolvi um sistema de meritocracia, onde de acordo com a tarefa realizada, eles ganham uma bolinha adesiva dourada ou prateada. Juntando um número x de bolinhas, eles têm o direito de escolher uma programação para a família. Eles gostaram muito da ideia e passaram a contribuir ainda mais. Sem contar que crescemos enquanto família. Os meninos, por exemplo, aprenderam a cozinhar, a lavar banheiro e a fazer coisas que nunca tinha feito antes. Vejo que estão mais preparados para vida", revela a coordenadora.
 
Sobre o Dia da Mulher, Karine diz que as mulheres são fortes por natureza. "Já temos isso na nossa essência. A gente não se deixa abater, mesmo diante das maiores dificuldades. Temos muito capricho e estamos sempre buscando o melhor, mesmo que as condições não sejam favoráveis. Vejo que muitas vezes as mulheres não se enxergam e não se reconhecem fortes. Às vezes a pessoa passa por milhares de situações difíceis e não enxerga o quanto foi corajosa, forte e batalhadora. A gente precisa enxergar a nossa força. A mulherada é imparável!” garante.
 
Lidando com o silêncio - Se para algumas mulheres lidar com o barulho foi um grande obstáculo, para outras, o silêncio foi o maior inimigo É o caso de Alice Maria Teixeira de Saboia, assessora técnica de Projeto e Acórdãos do gabinete do Desembargador Márcio Vidal, no TJMT. Aos 74 anos, a servidora mais antiga do Poder Judiciário se viu isolada dos colegas e familiares com a chegada da pandemia da Covid-19.
 
"Eu sempre fui muito ativa. Antes de entrar para o Tribunal, fui professora de Linguística da UFMT. No meu último mês antes de me aposentar na UFMT, encontrei um amigo que me disse que havia uma vaga para revisora de texto no gabinete do des. Marcio Vidal. Isso foi em fevereiro de 2007, de lá pra cá já foram 14 anos de trabalho. Eu estou trancada dentro de casa já tem quase 1 ano. Eu não gosto muito de ficar sem ver gente, pois aprecio muito o convívio com os colegas e a rotina. Com o isolamento social, tive que ficar longe de todos e isso faz a gente se sentir deprimida, deixa um certo mal-estar. Estamos prisioneiras de nós mesmas", desabafa.
 
Alice conta ainda que o teletrabalho tem ajudado bastante a se distrair neste momento de dificuldade. "Ainda bem que o trabalho me permite executar minhas tarefas à distância, pois me ajuda bastante a passar o tempo. Agora na pandemia, recebo as minutas a serem editadas por e-mail. Eu fico mergulhada no trabalho e acabo esquecendo um pouco os dissabores da vida. Quando não chega alguma coisa, fico ansiosa e já mando mensagens perguntando se tem algo para ser feito", conta a assessora.
 
Em relação ao dia das mulheres, Alice afirma que todo dia tem que ser dia de todos, inclusive das mulheres.
Eu gostaria que as mulheres fossem mais homenageadas pela contribuição que elas têm dado à sociedade, seja na criação dos filhos ou no mercado de trabalho", finaliza.
 
Mariana Vianna
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br