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 01/07/2021   16:21 

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Capacitação da Rede de Enfrentamento aborda Projeto Desabrochar e Comunicação Violenta

Mais uma manhã repleta de conhecimento voltada para profissionais que atuam na Rede de Enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A continuidade da capacitação virtual realizada pelo Poder Judiciário, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, nesta quinta-feira (1º de julho), teve o Projeto Desabrochar e Comunicação Não Violenta como temas.
 
A coordenadora da Cemulher e vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro esteve presente na abertura dos trabalhos e falou aos presentes. “É uma satisfação estarmos aqui reunidos em mais esse dia de capacitação que estamos realizando com a Escola dos Servidores. Quero agradecer à Maria Mazarelo pela sua dedicação e amor à profissão e pela disponibilidade das atividades realizadas em prol das vítimas de violência doméstica. Agradeço a presença de todos e que os senhores aprendam os ensinamentos repassados aqui porque a juíza tem uma larga experiência no que se refere à violência doméstica.”
 
A juíza Maria Mazarelo Farias Pinto, titular da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Rondonópolis (a 212 km ao sul de Cuiabá) falou sobre o Projeto Desabrochar, desenvolvido na cidade, que consiste no resgate à autoestima das vítimas de violência doméstica e familiar, na orientação e acompanhamento das mulheres vitimadas, dos seus agressores e familiares, com atenção às crianças e aos adolescentes. O projeto é desenvolvido por equipe multidisciplinar, que contribui para a perspectiva de igualdade de gênero e cidadania igualitária.
 
O Projeto leva a mensagem de prevenção e combate à violência contra a mulher, por meio do fortalecimento das relações do masculino e do feminino, estabelecendo uma reflexão sobre novas perspectivas de gênero na sociedade.
 
“Esse projeto nasce a partir da vivência de que muitas questões de violência doméstica eram decorrentes da falta de orientação psicossocial. Independentemente se o agressor é culpado ou inocente, se absolvido ou não, tinha a questão central e exatamente por isso que essa família ia continuar a conviver. Esse movimento dos casais, as atitudes de respeito e sobretudo o rompimento do ciclo da violência mensurada através de uma perspectiva sobre relações de gênero e da não reincidência do homem na Lei N. 11.340 são alguns dos enfoques do Projeto”, explica a magistrada.
 
De acordo com a juíza, a presença dos atores que compõem a Rede de Enfrentamento é primordial. “Somos multiplicadores de transformação moral. Essa multiplicação tem caráter de transformar o ser humano que vai receber a mulher agredida, violentada, o homem agressor. Temos que estar preparados e qual o ingrediente para lidar com essas situações de enfrentamento, de forma preventiva na sociedade? Primeiro é o olhar sem julgamento, sem esteriotipar”, comenta.
 
Maria Mazarelo enfatizou a iniciativa de realização dessas capacitações como instrumento para o enfrentamento da violência doméstica. “Quero destacar a eficiência da Alta Administração do Tribunal de Justiça de Mato Grosso nessa adoção de política de governança no combate à violência doméstica e familiar, que tem demonstrado um enorme alcance, não só de natureza institucional, mas também social.”
 
A Comunicação não violenta foi explanada pela educadora para os conflitos por meio da não-violência, mediadora de conflitos e advogada Juliana Matsuoka. De que forma a consciência da Comunicação Não Violência pode prevenir a Violência? Como ela pode nos ajudar a compreender os comportamentos violentos e a reagir à violência, sem perpetuá-la? O que é escuta empática e como posso apoiar outras pessoas através dela? Essas foram algumas das perguntas norteadoras do tema.
 
Juliana Matsuoka falou sobre a importância da mudança do olhar dos conflitos. “Na visão habitual na nossa sociedade, da nossa cultura costumamos pensar que diante de um conflito ou injustiça só temos duas saídas: ou me submeto ou oprimo o outro para não ter que me submeter. Esses são tipos de violência, contra mim ou contra o outro. Queremos romper esse conceito de conflito, essa ideia de que só temos essas duas opções e criar uma terceira saída, que não seja submissão e opressão. Uma das saída é o diálogo que envolve acordos, expressar minhas necessidades, buscar estratégias que atendam as necessidades dos dois, compreender o outro antes de reagir.”
 
Necessidades humanas universais, a qualidade de escuta da Comunicação Não Violenta foram outros pontos abordados pela advogada. “No caso de violência doméstica, que é uma violência muito revoltante, é muito difícil não cairmos na ideia de que a punição não leva a nada. Vamos olhar para outro tipo de força, não aquela para punir e causar sofrimento, mas o uso da força para proteger a vida, direitos, necessidades humanas universais das pessoas. Por isso a Comunicação Não Violenta possui muitos trabalhos em unidades prisionais com reeducandos, porque a ideia é que voltemos para o diálogo e atender as necessidades daquela pessoa que praticou violência. Queremos olhar para as necessidades que causaram aquela violência e às vezes estão no cerne da alma da pessoa como necessidade de amor, de afeto, de consideração. Não tem como a não violência ser bem sucedida se não fizermos isso coletivamente”, explica.
 
Segundo Juliana Matsuoka, os profissionais das Redes de enfrentamento, que são os primeiros a receberem as vítimas de violência doméstica, devem estar conscientes dos seus próprios sentimentos e necessidades. “Não consigo olhar para uma pessoa e ver que ela está se sentindo angustiada porque ela precisa de consideração, por exemplo, se eu não reconhecer isso em mim. Da mesma forma com o sofrimento que o outro sofre porque aquilo nunca foi sentido por essa pessoa. Deve-se escutar com empatia, não querer solucionar de cara o problema dos outros se eu não estou, minimamente, com as minha necessidades atendidas”, finaliza.
 
No dia 29 de junho a juíza da Segunda Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar da Capital Tatiane Colombo ministrou a capacitação com o tema: “A humanização nos atendimento nas varas de Violência Doméstica”.
 
Próximo encontro – no dia 6 de julho o assunto abordado será a “Rede de enfrentamento a violência contra a mulher de Barra do Garças”, com o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende.
 
Campanha – Lançada em março deste ano pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, a campanha “A vida recomeça quando a violência termina: quebre o ciclo” para o enfrentamento da violência doméstica contra a mulher é uma iniciativa da gestão do TJMT para o biênio 2021/2022, presidida pela desembargadora Maria Helena Póvoas. O objetivo é levar informações para mulheres que sofrem qualquer tipo de violência.
 
Acesse AQUI o hotsite da campanha Quebre o Ciclo.
 
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Dani Cunha
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br