Diante da multiplicidade, a porta principal deve ser acolhedora, afirma desembargadora Clarice
"O Fortalecimento do Sistema Multiportas: o acolhimento e o atendimento no âmbito dos meios adequados de solução e pacificação de conflitos" foi tema de bate-papo entre desembargadores), magistrados, servidores do Judiciário e ainda profissionais da saúde. Coordenada pela desembargadora Clarice Claudino da Silva e pela juíza Eulice Jaqueline Cherulli, a explanação provocou os presentes a refletirem sobre onde estão no cenário da ‘Era do Sentimento’, em que a fraternidade é o principal ingrediente.Transmitida pelo aplicativo Teams, a palestra foi aberta pela desembargadora Antônia Siqueira que, no ato, representava a Escola Superior da Magistratura (Esmagis), instituição que ofertou a discussão. Na ocasião, ela apontou a honra de participar de um evento que explana sobre o sistema multiportas. “Tenho a honra em ressaltar a importância desse evento. As palestrantes dispensam apresentações pois o trabalho exercido é amplamente conhecido dentro e fora do Judiciário. O tema de hoje servirá para nos aprimorar como profissionais, mas, além de tudo, como seres humanos. Esse evento eleva e abrilhanta a história do Judiciário.”
Ao iniciar a conversa, a desembargadora Clarice destacou que é impossível fazer algo valioso no mundo sem primeiro se desenvolver, isso porque é pressuposto básico que ninguém dá o que não tem. Ela complementou afirmando que se o desejo é de melhorar o sistema Judiciário estadual, então é necessário primeiro cada integrante da Instituição olhar para dentro de si mesmo. “Temos sentido que os tempos são outros, muito diferente, em que nós temos que reaprender quase tudo aquilo que já estávamos habituados a fazer, especialmente, em nossa profissão. Isso tem pedido de nós uma resiliência muito grande. Já sabíamos, há tempo, que estávamos nos aproximando da ‘Era do Sentimento’ e, com a rapidez que os meios de comunicação nos proporcionaram, vivemos uma reviravolta no modo de viver.”
Clarice ressaltou ainda que diante do cenário de multiplicidade de portas, é importante ter claro que a porta principal seja acolhedora, ética e humana. “A pessoa que está entrando ali, em uma das portas do Judiciário, não o faz por lazer, geralmente ela é levada por uma dor e uma necessidade, seja de aspecto material ou emocional. Ela é uma paciente, uma cliente que precisa ser tratada desde o primeiro acesso com essa clareza. Nós estamos preparados para isso? O STJ e a Enfam [Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados] nos convida para esse caminho. Precisamos ter esses ambientes com esse preparo para que tenhamos qualidade e possamos oferecer um trabalho com início, meio e fim de forma realmente harmônica e de qualidade.”
A juíza Jaqueline falou sobre a relevância de estar sempre em busca de um sistema judiciário melhor. “Muito se fala em sistema multiportas e justiça multiportas, mas é importante saber que a porta da porta é o acolhimento e o atendimento, ou seja, não é só aqui que cabe essa reflexão e essa ponderação, mas em todo o Judiciário. O atendimento e o compromisso impactam diretamente na imagem da Instituição. Mesmo havendo um argumento muito utilizado de que nós sempre desagradamos metade de nosso público, há uma forma de melhorar isso. Um resultado não desejado pela parte não implica uma imagem negativa nossa.”Dentre as provocações realizadas no decorrer da palestra, as apresentadoras do tema fizeram questionamentos como: ser acolhido é importante? onde você se encaixa – obrigação, vocação ou paixão?, o atendimento é importante para a nossa atuação? o serviço privado é melhor que o serviço público? Os assuntos foram debatidos pelos presentes construindo juntos as respostas para cada um dos questionamentos.
A íntegra do evento será postada futuramente no canal YouTube do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Keila Maressa
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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