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 10/03/2022   14:35 

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Relato de psicóloga mostra como violência doméstica pode estar mais próxima do que se imagina

Psicóloga clínica atuante em Cuiabá relata como a violência doméstica e familiar contra a mulher pode estar muito mais próxima do que se pode imaginar. Ela testemunhou de perto um caso de agressões severas, tortura, sequestro, cárcere privado e tentativa de feminicídio sofridas pela funcionária da clínica onde atua.
 
A vítima tem 23 anos e foi agredida durante dias seguidos pelo namorado em um galpão anexo à casa do casal, em Cuiabá. A psicóloga conta que ela foi agredida com uma barra de ferro, teve as pernas quebradas quando tentou fugir, ficou com lesões e roxos por todo o corpo, além de ferimentos e sangramentos por agulhadas que o agressor desferia nela para deixá-la dopada.
 
O caso ocorreu no dia 5 de março, quando a polícia chegou à residência após denúncia de desaparecimento feita pelo irmão da vítima, pois ela estava há cinco dias sem se comunicar com a família, que mora em Mato Grosso do Sul.
 
“Ela estava deitada na cama completamente dopada, havia várias seringas pelo quarto, estava toda roxa, apanhou no corpo inteiro. As agressões começaram em outro local, em um galpão. Ela tentou fugir, mas o namorado quebrou a perna dela em dois lugares com uma barra de ferro. Quando a polícia chegou, ela não conseguiu conversar com o policial, estava toda cortada, ensanguentada, com o corpo inchado. Se o irmão não tivesse agido rápido e a polícia intervido também rapidamente, ela poderia ter sido mais uma vítima de feminicídio”, narra a psicóloga.
 
Os sinais de violência doméstica foram percebidos pela psicóloga e outros profissionais que trabalhavam com a vítima, como roxos esporádicos, machucados na boca e a presença dele no local de trabalho dela.
 
No entanto, a profissional conta que ela não conseguiu se abrir aos colegas, não sentiu confiança ou liberdade para falar sobre o assunto e ninguém jamais imaginou que a situação chegaria a um ponto tão grave, pois não conseguiram entender a dimensão violência.
 
“Esse é um depoimento de que a gente precisa estar mais atento às mulheres que estão perto de nós. Às vezes a pessoa dá sinais. Talvez se tivéssemos dado um pouco mais de atenção, talvez se ela tivesse mais liberdade, mais abertura e se sentisse mais acolhida, isso não teria acontecido”, lamenta.
 
O acolhimento sem julgamentos também é apontado por ela como sendo muito importante, no sentido de prestar mais atenção na mulher que está perto de você, perceber quando ela muda de comportamento, se aparece com algum roxo ou hematoma suspeito, se ela relata que tem problemas de relacionamento, algum companheiro excessivamente ciumento. “Você não imagina que vai chegar nesse nível. Nós nos assustamos muito com isso”, completa.
 
Segundo a psicóloga, atualmente, a vítima está internada no Hospital Municipal de Cuiabá, onde passará por cirurgias e está sendo tratada de todos os ferimentos sofridos. A família também foi avisada pelos colegas de trabalho, para dar suporte à vítima. O acusado está detido em uma penitenciária da capital.
 
O caso faz parte da campanha de conscientização do ambulatório médico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
 
Onde buscar ajuda?
 
Em Mato Grosso, existe uma rede de enfrentamento que reúne diversos órgãos públicos para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher. Listamos abaixo alguns dos meios que podem ser procurados por pessoas que testemunhem esse tipo de violência, lembrando que em caso de presenciar a prática de crimes, o número 190 é o canal mais adequado.
 
 
 
 
 
 
Mylena Petrucelli
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br