Oportunidade: ex-detento vira servidor contratado pela prefeitura de Mirassol D'Oeste
A vida do operador de máquinas pesadas José, 41 anos, é um exemplo de superação e inspiração de quem vivenciou as mazelas do sistema prisional brasileiro e se libertou por meio da ressocialização e do trabalho.José cumpriu pena na Cadeia Pública de Mirassol D’Oeste e participou do projeto de trabalho extramuros durante cinco anos, entre 2015 e 2020. Depois de sair da cadeia, sua pena foi alterada para o regime semiaberto e ele foi contratado pela empresa terceirizada que presta serviços urbanos para a Prefeitura.
“O projeto para mim mudou muito. Quando eu saí de lá de dentro, muitos falaram que eu iria voltar. Não é bem assim, eu corri atrás, lutei, consegui e hoje estou trabalhando, tenho meu emprego, vivo com minha família e é vida que segue, basta você querer. Nem tudo na vida está perdido, só se você desistir. Quando você sai, tem que aprender a caminhar de novo. Eu tive a oportunidade de caminhar.
O ex-detento estima que quase 50% dos homens que passaram pelo projeto de trabalho extramuros em Mirassol não voltaram a cometer delitos, saindo das estatísticas de reincidência.
Além da remição da pena por dias trabalhados, os atuais 23 reeducandos que trabalham no projeto também recebem um salário que vai sendo guardado em poupança para quando ganharem liberdade.
“Se não fosse por isso, às vezes eu estaria lá dentro de volta ou não sei o que seria. Quem passa lá, quando sai aqui fora, é muito criticado, é muito julgado. Porque você entrou lá dentro e saiu você não é mais gente para a população, ainda mais quando sai com um relógio no pé. Até para você entrar no mundo do trabalho fica difícil. Muitas vezes, até para trabalhar como servente de pedreiro, que é um serviço mais fácil que tem de fazer, mesmo assim, se você usa esse objeto você não consegue. Parece que as pessoas têm medo de colocar você para trabalhar”, pontua.
Ele alerta ainda que as portas do crime continuam sempre abertas, ao contrário das portas do trabalho. “Quem tem a mente do crime, bate uma, duas vezes, não vai bater a terceira. Se fechou, ele vai voltar para aquilo que ele fazia porque aquela porta é aberta para toda hora que ele quiser”.
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Imagem: Foto horizontal do entrevistado conversando com a equipe de reportagem. Ele está com a expressão do rosto fechada, de feição séria, olhando para a frente. Veste blusa branca com camisa xadrez vermelha e azul e usa um boné bege. Ao fundo vemos mata fechada.
Segunda imagem: Foto horizontal do entrevistado conversando com a equipe de reportagem. Ele está com a expressão do rosto fechada, de feição séria, olhando para a frente. Veste blusa branca com camisa xadrez vermelha e azul e usa um boné bege. Ao fundo vemos mata fechada.
Mylena Petrucelli (Texto e fotos – De Mirassol D’Oeste)
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
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