Insolvência, agronegócio e sustentabilidade são temas de palestras em Encontro de Escolas Judiciais
O terceiro e último dia do 58º Encontro do Colégio Permanente de
Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (Copedem) foi de estudos sobre
questões regionais, como agronegócio, sustentabilidade e soluções negociadas em
processos de insolvência. O evento é realizado pelo Copedem, pela Escola Superior
da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e pela Escola Superior da
Magistratura Tocantinense (Esmat) e
sediado em Chapada dos Guimarães.
Negociação
das técnicas de solução em processos de insolvência – Este foi o
tema da palestra proferida pelo professor
doutor de Direito Empresarial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP) e advogado, Daniel Carnio Costa, com mediação da desembargadora do
TJMT, Anglizey Solivan de Oliveira. Ele foi um dos consultores técnicos na
reformulação da lei de insolvência, que resultou na Lei 14.112/2020. “Tanto processos
de falência, quando nós temos a liquidação de uma atividade empresarial, como
também os processos de recuperação de empresas, que estão tão em moda hoje em
dia, têm um objetivo muito claro, que é preservar os benefícios econômicos e sociais
que decorrem da atividade empresarial. Então, a atividade empresarial gera empregos,
gera produtos, gera serviços, gera tributos. E tudo isso é muito importante para
a sociedade. E quando uma empresa entra em crise, coloca-se em risco a produção
desses benefícios. Então a lei cria essas duas ferramentas para tentar
preservar esses benefícios de maneiras diferentes”, explica.
O professor informa ainda que, na
falência, a preservação dos benefícios econômicos e sociais se dá pela realocação
dos ativos da empresa para outras cadeias produtivas e pagamento dos credores.
Na recuperação judicial, por meio do acordo que é feito entre credores e devedores,
tal preservação proporciona que os devedores recebam alguma parte, mas que a
empresa seja mantida em funcionamento. “Daí a importância da negociação, muito
mais na recuperação porque é da essência da recuperação essa negociação, mas também
na falência porque, hoje, o processo de falência é muito demorado. E hoje nós
temos conseguido abreviar a solução das falências a partir dos chamados planos
de falência, ou seja, acordos feitos entre a massa falida e os credores, de modo
a atender minimamente os interesses de todos e encerrar aquele processo de
maneira rápida, permitindo que aqueles ativos sejam realocados para outras
atividades e voltem a ser fonte e benefícios sociais”, defende Daniel Carnio.
O palestrante também enalteceu a
iniciativa do Copedem em trazer o tema para o encontro. “Nós precisamos ter aprimoramento
institucional. Não adianta termos leis boas, se não tivermos bons aplicadores.
Então o Judiciário tem que estar preparado para isso, tem que ter juízes
treinados para fazer esse trabalho, que é supercomplexo, são processos superespecíficos.
Temos hoje uma lei boa, que foi reformada recentemente e agora o Judiciário
começa a se organizar também para dar a melhor aplicação à lei 14.112/2020”.
Agronegócio
e Sustentabilidade – O segundo painel foi apresentado por Rodrigo Bressane, gestor jurídico da Federação
da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e presidente da Comissão do
Agronegócio da Ordem dos Advogados do Brasil- Seccional Mato Grosso (OAB-MT). “Quando
a gente fala do agronegócio, tem uma sinergia e um impacto direto com o Poder
Judiciário e o sistema de justiça porque a gente hoje vive num Brasil onde o
agronegócio representa quase 30% do PIB e, no estado de Mato Grosso, quase 60%.
A partir disso, a gente tem uma dimensão muito grande de relações comerciais
que são impactadas por conta do reflexo do agronegócio no PIB. Então é
importante a gente ter essa análise macroeconômica e os reflexos que isso traz
para a sociedade e para o sistema de justiça. É importante também destacar
sobre a desmistificação de que o agronegócio é um vilão, quando na verdade o
agro é quem emprega, quem gera renda, quem gera lucro por conta de toda a cadeia
de ponta a ponta, por questões de logística, comercialização, produção de
commodities, o antes da porteira e o dentro da porteira”, disse Bressane.
Ele defendeu ainda a atuação do agronegócio
no âmbito da sustentabilidade, ao apresentar gráficos que mostram que a produção
cresceu nos últimos anos, chegando a bater recordes, mantendo praticamente a
mesma área de cultivo. “A gente chega a
ter três sacas por anos, enquanto outros países tem apenas uma safra por ano”,
disse. Em relação ao consumo de agrotóxicos, Bressane apresentou gráficos que
mostram que o Japão, por exemplo, utiliza oito vezes mais agrotóxicos do que o
Brasil. O palestrante também abordou sobre o Código Florestal, a
rastreabilidade e defendeu o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como uma ferramenta
de produção sustentável nas propriedades rurais.
Conforme o palestrante, abordar o tema para diretores de Escolas Judiciais de vários estados brasileiros é uma oportunidade de aprofundamento do conhecimento. “É preciso conhecer a realidade. Então quando essas demandas chegam aos gabinetes do Poder Judiciário, é importante que os magistrados entendam sobre a realidade do agronegócio, da sustentabilidade, da produção de alimentos, todos os impactos que a cadeia acaba trazendo e que refletem no Judiciário”, avalia.
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Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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