Potencial transformador dos Círculos de Paz impacta participantes do curso de formação em Comodoro

A Comarca de Comodoro (638 km a Oeste de Cuiabá) deu início nesta semana ao
curso de Formação Básica em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de
Paz. A formação é realizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio
do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), e dá continuidade à política
pública de pacificação nas escolas, estimulada pelo Poder Judiciário em
parceria com municípios e instituições.
Cerca
de 100 pessoas, entre profissionais da educação, conselheiros tutelares e servidores
da assistência social, participaram da aula magna “Justiça Restaurativa e
Políticas Públicas”, realizada pela facilitadora e instrutora do Nugjur,
Claudete Pinheiro. A agenda de sensibilização também conta com a realização
experimental de círculos, propiciando aos interessados em seguir na formação a
oportunidade de vivenciar a experiência de um círculo de construção de
paz.
Para
garantir a adesão dos municípios à Justiça Restaurativa, um Termo de Cooperação
Técnica é assinado entre o Tribunal de Justiça e o Executivo Municipal.
Paralelo a isso, o Poder Judiciário também incentiva que cada um dos municípios
interessados trabalhe na sanção de uma lei municipal própria, instituindo o
Programa Municipal de Pacificação nas Escolas.
Finalizada
toda a parte administrativa de implantação da Justiça Restaurativa no
município, o Poder Judiciário então dá início à formação dos facilitadores de
Círculos de Construção de Paz. Todo o processo pedagógico de formação e suporte
às comarcas é realizado pelo Nugjur, com o apoio dos Centros de Judiciários de
Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca. A trilha de formação dos
facilitadores reúne um total de 130 horas ao longo de sete módulos, entre
formações teóricas, práticas, estágio e supervisão.

Em Comodoro, a Lei Municipal n. 2.094, de 29 de agosto de 2024, que
institucionalizou o Programa de Pacificação nas Escolas, e o Termo de
Cooperação Técnica n. 12, de 03 de setembro deste ano, foram sancionados e
publicados em menos de 10 dias.
Para
o juiz-coordenador do Cejusc de Comodoro, Vinícius Paiva Galhardo, a agilidade
no processo de adesão do município ao programa do Poder Judiciário reflete o
amadurecimento da gestão municipal e a confiança nos resultados já conquistados
por outras comarcas.
“A
proposta dos círculos e da própria Justiça Restaurativa vai muito além de
resolver conflitos. Estamos falando de um programa que cria oportunidades para
transformar realidades, ensinando às nossas crianças e adolescentes valores
como respeito, empatia e corresponsabilidade. A escola, como espaço formativo,
passa a contar com ferramentas que não apenas resolvem problemas, mas também
previnem situações de violência e fortalecem os vínculos entre estudantes,
professores e a comunidade. A Justiça Restaurativa, ao invés de penalizar,
busca reconstruir, restaurar. E é por meio dessas práticas que oferecemos um
ambiente saudável para o diálogo, para a compreensão das causas do conflito e,
todos juntos, somos capazes de encontrar as melhores soluções. Os benefícios
são colhidos por alunos, pais, comunidade e, principalmente, por toda a rede de
convivência escolar. A sociedade só ganha”, concluiu o magistrado.
Comodoro
possui 2.600 alunos distribuídos em 30 unidades escolares, entre creches,
escolas do campo e educação indígena.
Na
avaliação da secretária de Educação de Comodoro, Daiane Vieira dos Anjos, a
meta é fazer de Comodoro um modelo em pacificação e resultados positivos no
ambiente escolar.

“Foi somente vivenciando o círculo que compreendi os efeitos e a proporção
em termos emocionais que podemos alcançar com a prática. Tenho certeza de que
levando essa prática para as escolas, trazendo para dentro da execução dos
nossos projetos e adotando como atividade de rotina das crianças, teremos um
resultado muito grande, trazendo melhorias no nível de rendimento e
aprendizagem dos alunos. Quando extravasamos aquilo que nos prende, estamos
trabalhando as nossas emoções, e isso faz de nós pessoas melhores. Então,
quando as crianças têm liberdade e encontram um ambiente seguro para expressar
suas emoções, elas também conseguem deixar a mente mais limpa para produzir
melhor. Tenho certeza de que estamos marcando a história da nossa educação
[Comodoro]; outros municípios já estão vivendo isso, já estão colhendo
resultados muito positivos e é o que nós também esperamos alcançar. Vamos
chegar ao ponto de tudo isso [círculos de paz] se tornar uma rotina leve dentro
das nossas escolas”, comemorou a secretária de educação.
“Estão
todos impactados com o potencial transformador dos círculos de construção de
paz. Enquanto gestora do Cejusc [Raquel], preciso destacar o impacto que os
participantes demonstraram após terem vivenciado o círculo. Diversos deles
chegaram até mim e disseram que estavam esperando por mais uma formação
maçante, cheia de conteúdo e de difícil aplicação, mas que depois de terem
vivido o círculo, eles perceberam que se trata de uma ferramenta extremamente
humana e com enorme potencial para a mudança. Enquanto Cejusc, posso dizer que
estamos bastante felizes em perceber, a partir do relato dos participantes, que
tanto a palestra quanto a experiência de viver o círculo superaram em muito as
expectativas de todos”, comemorou a gestora-geral do Cejusc de Comodoro, Raquel
Gonzalez.
O
prefeito municipal de Campos de Júlio, Irineu Parmeggiani, que esteve
acompanhado de suas equipes municipais de Educação e Assistência Social, também
participou da agenda de sensibilização da Justiça Restaurativa realizada em
Comodoro, e demonstrou interesse na implantação do Programa de Pacificação em
seu município.
Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa - NugJur
Tribunal de Justiça de Mato Grosso
imprensa@tjmt.jus.br
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