Desembargador Paulo da Cunha se despede do Tribunal de Justiça
O desembargador Paulo da Cunha presidiu sua última sessão de julgamento na Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O magistrado se aposenta na próxima sexta-feira (30 de agosto). No dia 31, ele completa 75 anos, idade máxima para exercer o cargo. Ele atuou por de 22 anos na Segunda Instância. Após a sessão, na tarde desta terça-feira (27 de agosto), o desembargador Marcos Machado convocou uma ‘sessão administrativa de despedida’ para homenagear o colega, com a presença de familiares, desembargadores, assessores (as) de gabinete e demais servidores (as). Em seu pronunciamento, após ouvir os colegas que, emocionados, falaram sobre a falta que vão sentir de sua presença no Tribunal, Paulo da Cunha agradeceu à sua assessoria, “os (as) de ontem e de hoje que, quando manifestava minhas angústias e aflições e na troca de ideias, chegavam a um denominador comum.” Os agradecimentos também foram para os advogados (as), aos demais servidores (as) e sua família. A esposa Marinete, filhos (a) e netos (as) estavam presentes no Plenário, inclusive o neto Antônio, que já avisou ao avô que será desembargador e trabalhará no Tribunal do Júri.
“Até aqui o Senhor me ajudou. Me deu muito mais do que pedi e merecia. (...) Eu não nasci juiz, eu aprendi a ser juiz com os senhores, no dia a dia, me lapidando e ouvindo as sessões. Procurei fazer a melhor Justiça. (...) Só tenho que agradecer a Deus por esse convívio de 22 anos. (...) Sou muito grato ao Ministério Público. Estou aqui porque primeiro pertenci a ele. (...) Hoje é um misto de tristeza e alegria. Tristeza, não por amor ao cargo, mas pela ruptura do convívio fraterno. O que mais me entristece é essa ruptura. (...) Saio do Tribunal, mas o Tribunal não sairá de mim porque aqui também fui feliz”, disse o desembargador.
Os desembargadores Luiz Ferreira da Silva, Rondon Bassil Dower Filho, José Zuquim Nogueira, Gilberto Giraldelli, Lídio Modesto da Silva Filho, Marcos Regenold Fernandes e Hélio Nishiyama, além do procurador do Estado, José Medeiros, estiveram presentes e prestaram homenagens relembrando algum momento em particular ou os vários que passaram com Paulo da Cunha.
O desembargador Marcos Machado se emocionou, no início da sessão, ao ler um texto intitulado “Lágrimas” e ao falar sobre a carreira dos dois no Ministério Público, antes do desembargo. “(...) Queremos fazer um reconhecimento a esse grande magistrado que foi um grande procurador de Justiça. (...) O senhor pode ter certeza que muitas flores o senhor regou e frutos nós estamos colhendo, e certamente, outras gerações de magistrados colherão na vossa jurisprudência. (...)", disse Marcos Machado ao mencionar que eram colegas no Ministério Público e posteriormente, no Tribunal de Justiça, como desembargadores.
O desembargador Orlando Perri, que participou de alguns dos julgamentos da sessão, falou sobre a rotina de trabalho na Câmara Criminal, desde 2015, ao lado de Paulo da Cunha. “Pra mim é uma honra desmedida ter convivido com Vossa Excelência. Já disse e vou repetir: Vossa Excelência vai me fazer muita falta mesmo. E a magistratura, lamentavelmente, perde um juiz da vossa envergadura (...)".
O procurador de Justiça, José Medeiros, que fez parte da sessão de julgamento, relembrou histórias de sua família e da família do desembargador quando ainda moravam no interior de São Paulo. “Quero homenageá-lo hoje, na pessoa do seu pai, seo Álvaro da Cunha, que tive o prazer de conhecer quando ainda era adolescente. Lá se vão mais de 50 anos. Sujeito sério, educado, de poucas palavras, assim como é o desembargador Paulo, mas de um coração enorme. (...) Dizem que o fruto não cai longe da árvore. E o senhor é assim: sério, sem vaidades, discreto, de coração enorme, amigo de todas as horas e principalmente, justo nas suas decisões”, elogiou o procurador.
O desembargador Luiz Ferreira disse que não é difícil falar sobre o desembargador Paulo da Cunha. Ele relembrou os tempos em que se encontravam pelas cidades do interior. "Sempre essa pessoa cordata e afável. Satisfação de conviver com ele. (...) Vou sentir falta das nossas conversas e vou sentir falta da experiência dele. Mas de qualquer forma, se eu tiver dificuldade, tenho o número (de telefone) gravado (...). Vai embora pela mão do tempo, mas com a certeza de ter feito o que pôde fazer. Se mais não fez foi porque não foi lhe dado a fazer”.
O desembargador Rondon Bassil declamou o Soneto da Separação, de Vinícius de Moraes, e afirmou que é com pesar que se despede do colega Paulo da Cunha, “pessoa culta e ponderada” com quem aprendeu muito. “É uma unanimidade aqui dizer que, como integrante do Quinto Constitucional, vestiu com toda a sua plenitude, a toga. (...) Aprendi muito com o desembargador Paulo, não só como profissional da mais alta estirpe, mas como pessoa. Ele é uma pessoa serena, culta, ponderada, e é uma pessoa que a gente pode confiar (...)”.
O desembargador Lídio Modesto prestou sua homenagem falando que sempre aprendeu muito com Paulo da Cunha, ao longo de sua carreira na magistratura, na Escola, como amigo, ou quando estudaram juntos nos Estados Unidos. “Apesar de não ter o convívio diário, como alguns colegas têm a oportunidade de estar com o senhor todos os dias, me fez reconhecer e observar que o senhor é um homem que por onde passa deixa reconhecimento, deixa luz (...). Obrigado e que o senhor seja feliz nessa nova jornada”, desejou o magistrado.
O desembargador José Zuquim Nogueira falou que o colega de desembargo vai deixar saudades. "Quero dizer que a distância, que vai ocorrer entre a gente, é um mero detalhe. (...) Como disse o Rondon, você usou muito bem a sua toga, tanto que vai devolvê-la limpa e pura e isso nos faz viver um momento de júbilo. Desejo do fundo do meu coração, meu colega e irmão, sucesso e um descanso merecedor juntamente com sua família. Seja feliz e Deus te abençoe”.
Já o desembargador Gilberto Giraldelli disse que estava honrado em poder participar da última sessão de julgamento ao lado do desembargador e que vê a imagem de Paulo da Cunha como o reflexo da Justiça. “De um lado o conhecimento técnico e do outro a humanidade. (...) Vai levar para casa a toga limpa, com a honradez que representou no Poder Judiciário. (...) O senhor é um exemplo de cidadão, de julgador, e inspira confiança, credibilidade e justiça.”
Trajetória - Nascido no dia 31 de agosto de 1949, em Mendonça (SP), Paulo da Cunha é filho de Álvaro da Cunha e Idalina Tagliate da Cunha. Casado com a senhora Marinete Araújo Carvalho da Cunha, pai de três filhos e avô de sete netos. Paulo da Cunha formou-se em Direito em 1974, pelas Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo (FMU) e seguiu, em 1975, para a cidade de Cáceres, para advogar. Em 1979, prestou concurso para o Ministério Público Estadual (MPE-MT), sendo empossado no ano de 1980 e nomeado como promotor de Justiça na Comarca de Barra do Bugres. Em 1990, ascendeu ao cargo de procurador de Justiça, por merecimento.
Com o falecimento do desembargador Athaide Monteiro da Silva, em 13 de fevereiro de 2002, Paulo da Cunha passou a integrar o Tribunal de Justiça como desembargador, em vaga destinada ao MP pelo Quinto Constitucional. No biênio 2009/2011, foi vice-presidente do TJMT. De 2011 a 2013, foi diretor da Escola Superior da Magistratura do Estado de Mato Grosso (Esmagis-MT) e, entre 2015 a 2016, presidiu a Corte estadual. Atua na Segunda Câmara Criminal, desde fevereiro de 2004. Foi membro efetivo da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA) por seis anos.
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: A imagem panorâmica mostra o Tribunal do Júri, com os desembargadores e familiares ocupando as cadeiras dos magistrados e demais servidores do TJMT estão sentados assistindo a sessão.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











