Conselheiros do CNJ abrem 18º Fórum Nacional de Mediação e Conciliação sediado pelo TJMT
O panorama da política judiciária da solução apropriada de conflitos e a
Justiça Restaurativa foram os temas centrais na abertura do 18º Fórum Nacional
de Mediação e Conciliação – Fonamec, sediado pelo Tribunal de Justiça de Mato
Grosso (TJMT), na noite desta quarta-feira (26). Os membros do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), Mônica Autran Machado Nobre e Alexandre Teixeira de
Freitas Bastos Cunha foram os expositores do painel intitulado “Raízes de
aroeira: do diálogo à restauração”, que contou ainda com o presidente do Fonamec,
desembargador Erik de Souza Dantas Simões como moderador.
A conselheira Mônica Autran iniciou sua fala celebrando os 15
anos da Resolução nº 125/2010 do CNJ, que ela classificou como “marco fundador”
da política judiciária nacional de tratamento adequado de conflitos. Em
seguida, a magistrada fez um relato sobre as experiências exitosas no campo da
conciliação, ao longo dos últimos dois anos à frente dessa vertente no CNJ, a
exemplo do aprimoramento do sistema ConciliaJud, a atualização dos cursos de
formação de mediadores e conciliadores, a ampliação do diálogo com a Justiça trabalhista,
a difusão da cultura de paz entre o público infantil, por meio de projetos
junto a escolas; entre outras iniciativas.
Mônica Autran ressaltou ainda a importância de a conciliação
retomar seu protagonismo no sistema de justiça e pontuou que essa responsabilidade
recai sobre todos que trabalham com isso diariamente. “Precisamos que a conciliação seja cada
vez mais entendida como um processo de empoderamento. A conciliação tira do
juiz o protagonismo e põe na mão da parte o protagonismo e ela sai empoderada.
E isso não só para aquele processo, mas também para outros processos da vida”,
enfatizou.
Conselheiro Alexandre Teixeira parabenizou o trabalho que vem sendo realizado pelo
Judiciário mato-grossense, no âmbito da Justiça Restaurativa, classificando-o
como paradigmático e exemplar para o Brasil. “É um trabalho que vem apostando
em formas de se restaurar as relações em sociedade, a partir da escola, da
educação. E, num mundo em que a gente, cada vez mais, vê dificuldade das
pessoas dialogarem, seja no âmbito das famílias, seja no âmbito dos seus grupos
sociais, se colocarem abertamente, sem medo, você ter uma proposição em que o
tribunal coloca a escuta como uma possibilidade de pensar o futuro é algo extremamente
atual, necessário e importante”, avaliou.
Ao priorizar o papel da escuta qualificada na atuação da
Justiça, o conselheiro do CNJ asseverou que a ambição da Justiça Restaurativa é “efetivamente abalar a
estrutura e contribuir verdadeiramente para a cultura judicial”. Além disso,
ressaltou que a justiça restaurativa busca “realmente transformar pessoas,
grupos e a própria sociedade através de uma cultura de paz”.
Teixeira apontou ainda o princípio da dignidade da pessoa humana
como o norteador dos métodos adequados de solução de conflitos, dentre eles, a
Justiça Restaurativa. “O Direito deixa de ser algo abstrato. Ele tem
que interferir na vida das pessoas e no âmbito da sociedade para que, de fato,
as pessoas vivam com dignidade”.
Solenidade de abertura
Na abertura do evento, o presidente do Nupemec do TJMT, desembargador
Mário Roberto Kono de Oliveira, deu as boas vindas a todos os participantes do
Fórum, que vieram de todas as partes do Brasil. “Mato Grosso é um estado acolhe
a todos aqueles que vieram em busca de sonhos, de realizações. E é dessa forma
que nós queremos receber a todos aqui hoje: de braços abertos, para que
possamos, num só ideal, melhorar o sistema de justiça por meio da utilização de
técnicas e dos meios mais adequados de solução de conflitos”, disse. Ele
destacou ainda que a troca de experiências proporcionadas pelo Fórum
proporcionará, ao final do evento, um reforço no trabalho realizado por todos
os tribunais de justiça.
O
presidente do Fonamec, desembargador do TJ Pernambuco, Erik de Souza Dantas
Simões, saudou a todos destacando a emoção em voltar a Mato Grosso, onde vivenciou
seu primeiro Fonamec, nove anos atrás. “De lá para cá, continuamos evoluindo.
Acredito que todos os Nupemecs têm esse interesse em facilitar a vida das
pessoas, proporcionando a possibilidade delas construírem as suas decisões, sem
ter a imposição de um magistrado”, disse.
Erik Simões
ressaltou ainda o papel de promoção da cidadania realizado pelos Nupemecs dos
tribunais. “Principalmente
em regiões mais simples, com pessoas mais pobres, a gente faz esse trabalho com muito
esforço e dá resultado. É algo que realmente me deixa feliz, que é poder ajudar
e aproximar o judiciário da população”.
Por fim, o presidente do Fonamec
parabenizou o Judiciário de Mato Grosso pelos projetos que tem realizado no
campo dos métodos autocompositivos (mediação e conciliação), bem como pela
organização do evento. “Todos estão de parabéns! Nível técnico altíssimo, iniciativas
fantásticas, sempre beneficiando a população”.
O dispositivo de honra da abertura do Fonamec contou ainda com as
participações de diversas autoridades: desembargadores do TJMT, Clarice
Claudino da Silva e Juvenal Pereira da Silva; procurador-geral adjunto do
Estado, Luís Otávio Trovo Marques de Souza; juiz diretor do foro de Chapada dos
Guimarães, Leonísio Salles de Abreu Júnior; promotor de justiça Miguel Slhesarenko
Júnior; presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), juíza Eulice
Jaqueline da Costa Cherulli; presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem e
Justiça Restaurativa da OAB-MT, Meire Corrêa Santana da Costa Marques; coordenadora
do Núcleo de Direitos Difusos e Coletivos da DPE-MT, defensora pública Elianeth
Gláucia Nazário; e juíza coordenadora do Nupemec do TJMT e coordenadora do
evento, Cristiane Padim da Silva.
Fonamec - Composto por presidentes, coordenadores e membros de Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemecs), bem como magistrados coordenadores de Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, o Fórum Nacional de Mediação e Conciliação tem como objetivo principal promover discussões e disseminar boas práticas para aprimorar os trabalhos prestados à sociedade.
Confira as imagens no flickr do evento: https://www.flickr.com/photos/tjmtoficial_/albums/72177720330571976/
Celly Silva / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
21/01/2025 14:09
Judiciário oferece oficina de parentalidade para pais em fase de separação; saiba como participar
28/01/2025 10:33
Cultura da paz: Comarca de Colíder capacita mais de 20 facilitadores para atuarem nas escolas
03/09/2026 17:04
TJMT e Defensoria Pública celebram 10 anos de parceria voltada à solução consensual de conflitos











