Expedição Araguaia-Xingu transforma vidas e une destinos de servidores
O
amor de Noemi Coelho Ribeiro de Oliveira, 38 anos, e Paulo Martins da Silva, 61
anos, já tinha endereço certo, mas o casamento ainda não. Há quase três anos,
eles tentavam resolver o divórcio anterior de Paulo para finalmente oficializar
a união. Mesmo com dois advogados, nada avançava. Até a chegada da 7ª Expedição
Araguaia-Xingu, no Distrito de Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia,
quando o casal deu entrada na documentação.
“Nem pagando a gente conseguia resolver. Estava parado há anos. Aqui, fui atendido na hora certa. Deus trouxe vocês”, agradeceu Noemi. Eles também transferiram o título eleitoral e regularizaram documentos pessoais. Para ela, a expedição marcou o início da realização de um sonho. “Meu sonho está sendo realizado: casar com esse grande homem. Marcou nossas vidas para sempre”.

Já o motorista Francisco Cassimiro de Oliveira, 76 anos, não
planejava resolver pendências na 7ª Expedição Araguaia-Xingu. Chegou por
curiosidade, depois de ver o movimento. Mas bastaram poucos minutos para
encontrar a oportunidade para esclarecer dúvidas sobre a certidão de divórcio.
Sem o documento, ele não poderia seguir adiante com os novos planos. “Já tenho
uma nova companheira… e para casar de novo eu preciso dessa certidão. Agora vai
dar certo”.
E depois de uma década separados, mas sem condições
financeiras para arcar com um processo de divórcio, Margarida Peres, 53 anos, e
José Pereira Marinho, 63, finalmente conseguiram formalizar a separação. O
casal relata que o custo do procedimento impedia o avanço. “Aproveitamos a
oportunidade. Foi rápido, gratuito e muito bem explicado”, contou Margarida.
“Se não fosse a Expedição, ia demorar muito mais. Aqui foi 1000%”, complementou
José.
Pedido de casamento -
Além de garantir acesso à Justiça, resolver pendências antigas e aproximar o
Judiciário de comunidades distantes, a 7ª Expedição Araguaia-Xingu também foi
palco de histórias que renovam vidas. Entre elas, uma que nasceu dentro do
próprio Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania do Poder
Judiciário): o pedido de casamento entre os mediadores Lígia de Oliveira
Ribeiro e Carlos Eduardo Vincenzi. Assim como tantas famílias que encontraram
no diálogo e na conciliação a chance de recomeçar, eles escolheram a expedição
para marcar a própria história, ato carregado de simbolismo para quem dedica a
vida a ajudar outras pessoas a reconstruírem as suas.
O pedido feito de surpresa por Carlos Eduardo emocionou parceiros e moradores. O casal, que se conheceu por meio do Judiciário e encontrou na mediação um ponto de crescimento pessoal e profissional, afirmou que a escolha pela Expedição não foi por acaso. “Esta ação transforma a vida das pessoas. Hoje, também transforma a nossa”, disse Carlos. “A mediação nos ensinou a ser pessoas melhores. E foi aqui, nesse ambiente tão significativo, que escolhemos começar um novo capítulo”, acrescentou Lígia.
Assim, a história dos mediadores se soma às tantas outras marcadas
nestes dias intensos de trabalho. Porque, além de Justiça, a Expedição
Araguaia-Xingu entrega pertencimento, dignidade, recomeços e, às vezes, até
encontros que mudam destinos.
Programação - Durante quase duas semanas, a segunda etapa da 7ª Expedição
Araguaia-Xingu cruzou as estradas do Vale do Araguaia levando serviços e
cidadania a diferentes comunidades da região. Entre 5 e 12 de novembro, as
equipes estiveram em três pontos do nordeste mato-grossense — a Agrovila Jacaré
Valente e o Distrito de Veranópolis, em Confresa, e o Distrito de Espigão do Leste,
em São Félix do Araguaia. Nesse período, além de orientação jurídica, foram
ofertados serviços como emissão e atualização de documentos (RG, CPF, Certidão
de Nascimento e Título Eleitoral), consultas de saúde, vacinação, exames de
vista e atividades recreativas e educativas.
Parceria – A iniciativa foi coordenada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso,
com estrutura de serviços do próprio Judiciário por meio do Centro Judiciário
de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Núcleo Gestor da Justiça
Restaurativa (Nugjur), Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e Juizado
Volante Ambiental (Juvam).
Também
integraram a ação uma ampla rede de parceiros: Defensoria Pública, Tribunal
Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público de Mato Grosso, Politec,
Justiça Federal, Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Polícia
Judiciária Civil (PJC), Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros
Militar, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Estado de
Saúde (SES), Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Secretaria de Estado de
Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Somaram-se
ainda a Receita Federal, Caixa Econômica Federal, INSS, Assembleia Legislativa,
Exército Brasileiro, prefeituras dos municípios atendidos e parceiros privados,
como Aprosoja, Energisa, Paiaguás Incorporadora e Bom Futuro.
Talita Ormond / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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