Fonamec aborda formas de fortalecimento da política de tratamento adequado de solução de conflitos
O painel intitulado “Tronco de
copaíba: a seiva que ensina e transforma culturas” gerou reflexões sobre a
necessidade de fortalecimento da política judiciária nacional de tratamento
adequado dos conflitos de interesse, por meio dos mais variados métodos,
especialmente aqueles já tradicionalmente utilizados pela população brasileira,
bem como da governança na gestão dos Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais
de Solução de Conflitos (Nupemec) dos tribunais de justiça. O painel integrou a programação do 18º Fórum Nacional de Mediação e Conciliação (Fonamec), na quinta-feira (27), e foi mediada pelo juiz Hildebrando da Costa Marques.
Na palestra “Objetivos da política
judiciária nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses: avanços
e retrocessos”, a juíza do TJSP e membro do Comitê Gestor de Conciliação do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Valéria Ferioli Lagrasta, apontou que os
principais objetivos dessa política ainda não foram totalmente alcançados, mesmo
após 15 anos da implantação da Resolução 125 do CNJ.
Esses objetivos, conforme elencados por
Lagrasta, são a mudança de mentalidade dos profissionais da área e dos
cidadãos, em relação aos métodos consensuais de solução de conflitos; o acesso à justiça como acesso à ordem jurídica justa;
a qualidade do serviço prestado pelos conciliadores e mediadores, o que,
segundo ela, está intimamente ligado à formação e remuneração.
Em relação ao acesso
à justiça, a juíza Valéria Ferioli Lagrasta ressaltou que somente garantir o
acesso não é suficiente para o cidadão. “É
necessário que ele obtenha uma solução séria, justa, adequada e efetiva para o
conflito que ele apresenta”, disse, pontuando ainda a importância da resolução
do conflito em tempo razoável, o que seria possível através de uma justiça
multiportas, ou seja, com várias opções para atender às demandas, além da
mediação e da conciliação.
“Será que a gente já não deveria estar
trabalhando com outros métodos? E aí sim, de acordo com as características do
conflito, das partes e da situação que é apresentada, oferecer para o
jurisdicionado o método adequado? Na minha pesquisa de doutorado, eu busquei
nas comunidades rurais quilombolas, indígenas, comunidades semi-isoladas no
norte do país, um método que fosse brasileiro. E eu descobri que realmente
existe um método, que eu chamei de método coletivo dialogal, mas é um método
semelhante que eles utilizam e que não se baseia em técnicas de Harvard. Pelo
contrário, são técnicas próprias reconhecidas por essas comunidades”, disse,
ressaltando a importância de mesclar as práticas já utilizadas com aquelas identificadas
na realidade local. Confira a íntegra da palestra no canal
TJMT Eventos no Youtube.
Em seguida, a juíza coordenadora do
Nupemec do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Cristiane Padim da Silva,
palestrou sobre o papel estratégico dos Nupemecs no sistema de Justiça
Multiportas, trazendo a governança como ponto central. “A governança define o quê e o porquê. São as diretrizes,
o apoio e o monitoramento do que está sendo feito”, disse.
A magistrada
apresentou números que mostram o crescimento da demanda por métodos
autocompositivos, bem como do esforço dos gestores da política judiciária, o
que reforça a necessidade de uma visão estratégica sobre a condução do
trabalho. Dentre os dados, extraídos do relatório Justiça em Números de 2024,
em 2020, mais de 2
milhões de audiências de mediação e conciliação foram realizadas no país. Em
2023, foram mais de 4 milhões de audiências.
“Os acordos homologados seguiram na
mesma direção. O nosso esforço enquanto consensualidade cresceu 141,9 %, ou
seja, é um marco muito bom para a gente comemorar nossos 15 anos. O que cresceu
muito também foi o número de ações que foram ingressadas. Nós aumentamos, mas a
litigiosidade também aumentou”, pontuou.
Padim ressaltou a grande responsabilidade do Fonamec e dos Nupemecs para dar suporte ao trabalho realizado pelos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs). “O convite é pra gente pensar na governança da consensualidade como um todo e, principalmente, qual é o papel do Nupemec no ponto de governança? Porque a gente sabe que o CNJ está na governança. Nós temos a comissão, nós temos o comitê, nós temos o sistema, o ConciliaJud, que também é importante nós participarmos mais e, para isso o Fonamec é importante”, afirmou. Veja a palestra completa no canal TJMT Eventos no Youtube.
Ao
final do painel, o juiz Hildebrando da Costa Marques, que já foi presidente do
Fonamec, destacou sua satisfação em participar de um Fonamec historicamente realizado
no momento da comemoração dos 15 anos da Resolução 125 e ver que o Fórum está
cumprindo o papel para o qual foi criado.
“Percebemos,
desde a primeira palestra até agora, que todos estão focados no papel principal
deste fórum, que é saber quais os objetivos dessa política, como ela nasceu, se
ela está cumprindo seus objetivos, quais os novos rumos que precisamos tomar. A
semente foi plantada. Ela germinou, trouxe excelentes resultados, mas ainda não
são os resultados definitivos, os resultados que nós desejávamos desde o início.
Mas avançamos muito! Há muito o que se comemorar, há muito que aplaudir todas
essas pessoas que estão aqui e que são, verdadeiramente, quem fazem essa
política: o cérebro e os braços executivos, que são os Nupemec e os Cejuscs; o CNJ,
que é o maestro de toda essa orquestra bonita de se ouvir. É muito bom ver
isso! É muito satisfatório ter participado disso, desde o início”, declarou.
Celly Silva / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Galeria de imagens


Notícias Relacionadas
17/04/2026 18:00
Desembargador Mário Kono media painel sobre autocomposição e sistema multiportas no 19º Fonamec
28/11/2025 09:35
Roberto Bacellar convida profissionais a atuarem com provenção de litígios e mediação pedagógica
25/11/2025 18:46
Judiciário de Mato Grosso sedia 18º Fórum Nacional de Mediação e Conciliação











