Orçamento Prorrogado é tema de palestra magna no 8º Congresso de Direito Tributário e Financeiro
“Governar com Orçamento
Prorrogado: Crônica de um Desprezo Governamental pela Democracia Representativa’
foi o tema da palestra magna do 8º Congresso Internacional de Direito
Tributário e Financeiro, iniciado na manhã desta segunda-feira (3 de novembro)
na Escola Superior de Contas, em Cuiabá. O tema foi abordado pelo professor doutor
espanhol Juan Fernando Durán Alba, que apresentou o alcance constitucional da
prorrogação orçamentária, casos existentes na prática constitucional espanhola
e ainda mecanismos de tutela que o ordenamento jurídico prevê no caso de
não-cumprimento governamental das obrigações constitucionais.
Segundo o professor, o
orçamento prorrogado é um problema que ocorre atualmente na Espanha. “Essa
possibilidade existe quando termina o período orçamentário e o governo não
logrou aprovação parlamentar do orçamento. Mas como se chega a essa situação?
Ocorre quando o governo não apresentou o projeto de lei de orçamento ao
parlamento. Sem tramitação parlamentar, os orçamentos foram prorrogados. Essa
atitude é contra a Constituição. É uma atitude profunda de descumprimento das
obrigações constitucionais.”
Ele explica ainda que há uma
diferença na forma brasileira e espanhola de governar, mas ainda assim os
problemas são muito parecidos. “Na forma de governo parlamentar, a aprovação
parlamentar está prevista, mas o conceito é que é necessário apresentar o
projeto de lei. Ele deve tramitar parlamentarmente. Se o projeto não é
aprovado, a prorrogação é possível. Na forma de governo presidencialista, em
alguns casos não há como fazer a prorrogação orçamentária. Um governo sem
orçamento não pode governar (...). Os problemas são globalizados. O poder
tributário e o poder prático são indiscutíveis no estado contemporâneo, mas o
poder financeiro é o poder que está no surgimento do estado constitucional. E o
surgimento do estado constitucional está unido ao controle da capacidade do
governo em levantar impostos e de gastar adequadamente.”
O professor e presidente da
Sociedade Brasileira de Direito Financeiro, Francisco Pedro Jucá, apontou que a
palestra foi uma contribuição importante para o capítulo do Direito
Orçamentário. Ele aproveitou a oportunidade
para “provocar” a plateia e o palestrante a pensar sobre a necessidade de “ver
o que chamamos comumente nos manuais de vida de mecanismos arrecadatórios, na
verdade, é um exercício de poder político.” Ainda segundo Jucá, “há o poder imperativo coercitivo de
arrecadar e o poder discricionário de gastar. Esse exercício de poder é da
natureza de organização das coisas e, portanto, no contexto de um Estado de
Direito está sujeito à limitação e ao controle.”
Jucá acrescentou também que,
no orçamento brasileiro, receita é definida como aquilo que o ordenador
acredita que será receita e despesa é definida pelo critério da garantia da
reeleição. “Talvez, o desafio que se imponha quando se fala em verdade
orçamentária e temporariedade orçamentária e do dever de apresentar o projeto
orçamentário seria aumentar um pouquinho a noção de realidade. É imperativo
conseguir distinguir uma fundamental e dolorosa noção entre aquilo que é
possível e aquilo que é um sonho. Mudam o idioma, mas os problemas são os
mesmos.”
Medalha de honra – Ao
final da palestra, os professores Juan Alba e Pedro Jucá receberam medalha da “Comenda
Desembargador João Antônio Neto”, outorgada pela Escola Superior da
Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), uma das organizadoras do congresso.
Ela foi entregue pelo diretor-geral, desembargador Márcio Vidal.
Na ocasião, o magistrado
agradeceu os dois professores pela oportunidade singular de terem escolhido o
Estado de Mato Grosso para discursar sobre conteúdo que, obviamente, irá
contribuir para a aplicabilidade do sistema tributário, como também a
compreensão do Direito Financeiro. “Não é só saber como arrecadar, mas também
saber como gastar esse dinheiro de forma justa e social para que ele volte em
benefício da sociedade. Cabe a nós mudarmos. Cada um de nós que ocupamos uma
cadeira no Estado deve ter um comportamento diferente. Que por meio da educação
possamos mudar e virar a chave por esse país para que saiamos do vício do
‘jeitinho brasileiro’, que está entranhado por razão histórica.”
A medalha da “Comenda Desembargador
João Antônio Neto” foi instituída em 24 de março de 2025, com a finalidade de
reconhecer e homenagear personalidades que tenham contribuído, de forma
notável, para o aprimoramento acadêmico, institucional ou profissional da magistratura
estadual e do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso.
O evento é uma ação
realizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e Tribunal de Contas
do Estado (TCE-MT), por meio da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e
da Escola Superior de Contas, bem como pela Sociedade Brasileira de Direito
Financeiro (ABDF).
O congresso segue na tarde
desta segunda-feira (03/11) e durante toda a terça-feira (04/11).
Conheça aqui a programação e saiba quem serão os próximos palestrantes.
Assista aqui a íntegra do evento pela manhã.
Leia também:
Reforma tributária em pauta: congresso internacional reúne autoridades e especialistas em Cuiabá
Keila Maressa / Foto: Josi Dias
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br











