Comarca de Colíder celebra 40 anos com Justiça próxima da população e ações que transformam vidas
A Comarca de Colíder completou 40
anos neste domingo (14 de dezembro), reafirmando seu papel estratégico na
garantia de direitos e na promoção da cidadania no norte de Mato Grosso. Criada
pela Lei nº 4.716, de 5 de julho de 1984, a unidade foi instalada em 14 de
dezembro de 1985 e integra a Entrância Intermediária do Poder Judiciário
estadual.
Atualmente, a comarca conta com
64 servidores entre efetivos, comissionados, estagiários, credenciados e
terceirizados e é conduzida por duas magistradas: a juíza Paula Tathiana
Pinheiro, titular da 3ª Vara Criminal e diretora do Foro, e a juíza Érika
Cristina Camilo Camin, titular da 1ª Vara Cível. A estrutura jurisdicional é
composta por três Varas Judiciais, além do Juizado Especial e do Centro
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc).
A Comarca de Colíder registra
atualmente 5.256 processos em tramitação, sendo 1.866 na 1ª Vara, 2.149 na 2ª
Vara e 1.241 na 3ª Vara, atendendo exclusivamente o município de Colíder.
Historicamente, as comarcas de Nova Canaã do Norte e Itaúba já integraram sua
jurisdição.
Instalada sob a presidência do
então vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Avalone, a
comarca teve como primeiro juiz substituto o magistrado Adilson Polegato de
Freitas, designado conforme a Resolução nº 31/1985. Ao longo de quatro décadas,
a direção do Foro foi exercida por diversos magistrados e magistradas, entre
eles Everaldo Barreto Lemos, Luiz Antonio Sari, Francisco Bráulio Vieira,
Gilberto Giraldelli, Marcos J. Martins Siqueira, Viviane Brito Rebello
Isernhagen, Mirko Vincenzo Giannotti, Gustavo Chiminazzo de Faria, Flavio
Maldonado de Barros, Anna Paula Gomes de Freitas, Paula Saide Biagi Messen
Mussi Casagrande, Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, Ricardo Frazon
Menegucci e, atualmente, Paula Tathiana Pinheiro, entre outros nomes que
marcaram a história da unidade.
Justiça que promove cidadania
e inclusão
Em 2025, a Comarca de Colíder
ganhou destaque estadual por iniciativas que extrapolam a atuação processual.
Uma experiência pioneira realizada na Cadeia Pública Feminina do município
possibilitou a regularização de títulos eleitorais de internas provisórias e
deu origem ao Termo de Cooperação Técnica nº 20/2025, firmado entre o TJMT, o
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e a Secretaria de Estado de
Justiça (Sejus-MT).
A iniciativa integra a Ação
Nacional de Identificação Civil e Emissão de Documentos, instituída pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e permite alistamento eleitoral, revisão
cadastral, transferência de domicílio, coleta biométrica e regularização de
pendências eleitorais diretamente nas unidades prisionais, garantindo dignidade
e acesso à cidadania às pessoas privadas de liberdade.
No Estado de Mato Grosso, a ação
é coordenada por Paula Tathiana Pinheiro, que também é juíza auxiliar do Grupo
de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF).
Atuação firme no enfrentamento
à violência
O compromisso social da Comarca
também se reflete no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a
mulher. Em 2024, a 3ª Vara desenvolveu o Projeto “Elas”, em parceria com o
Cejusc, utilizando círculos de construção de paz para acolher mulheres em
situação de violência.
“O Poder Judiciário e a
comunidade colidense possuem íntima relação. Muitas mulheres receberam nosso
‘abraço’ com o emprego dessa ferramenta, conectaram-se entre si e puderam
perceber que não eram vistas apenas como números”, destacou a juíza Paula
Tathiana Pinheiro.
Ainda em 2024, teve início o
trabalho de Justiça Restaurativa com mulheres privadas de liberdade, bem como a
instalação da Rede de Enfrentamento às Vítimas de Violência Familiar e
Doméstica, fortalecendo a atuação integrada entre órgãos públicos e sociedade
civil. Também foram implantados Grupos Reflexivos com supostos autores de
violência doméstica, ação que apresentou impacto direto na redução de pedidos
de medidas protetivas de urgência.
“Em rede, conseguimos um grande
estreitamento entre as instituições e a sociedade, sempre em busca de melhorar
as condições de vida das mulheres. É uma grande honra fazer parte da história
dessa Comarca e levar um pouco dela comigo por onde eu estiver”, afirmou a magistrada.
Proteção à infância, educação
e cultura de paz
A Comarca de Colíder também se
destacou em ações de proteção à infância e juventude, especialmente durante o
mês de maio, com campanhas de combate ao abuso e à exploração sexual de
crianças e adolescentes, palestras em escolas, entrevistas em rádios locais e a
tradicional Caminhada Faça Bonito, mobilizando a comunidade e fortalecendo a
rede socioassistencial do município.
Além disso, por meio do Cejusc,
foram aplicados Círculos de Construção de Paz em escolas municipais, promovendo
inclusão, combate ao preconceito, valorização da diversidade e fortalecimento
de vínculos, com atenção especial a crianças com deficiência e ao enfrentamento
do racismo e do capacitismo.
Adellisses Magalhães
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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