“O bem precisa ser mais barulhento”: Jecrim fortalece ações ao destinar recursos a dez instituições
“O bem precisa ser mais barulhento e deixar de ser
silencioso.” A frase singela e que carrega tanta verdade é da magistrada que
atua no Juizado Especial Criminal (Jecrim), Maria Rosi de Meira Borba, ao
definir o espírito da iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso que
ultrapassa os limites do processo judicial e alcança diretamente a sociedade.
Nesta semana, o Jecrim realizou a entrega dos recursos arrecadados por meio de
transações penais, realizada na sede do Complexo dos Juizados Especiais de
Cuiabá, a 10 instituições sociais.
Neste ano, 30 instituições se inscreveram no edital, das
quais dez foram selecionadas. A magistrada explica que a seriedade dos projetos
é rigorosamente avaliada. “Há uma condução pormenorizada para a contemplação.
Tudo é checado e rechecado”, afirmou.
À frente da iniciativa há quatro anos, a juíza celebra mais
uma edição do projeto e destaca que a noite de destinação dos recursos promoveu
um amplo intercâmbio entre os participantes. Idosos assistidos pela Associação
de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), adolescentes acolhidos em unidades
lares, jovens atendidos por projetos de artes marciais da Polícia Militar e
pessoas privadas de liberdade participaram do evento, que se traduziu em um
significativo momento de integração.
Durante a cerimônia, cada entidade contemplada teve direito
à fala. “Sabemos da seriedade de cada um dos projetos selecionados”, ressaltou
a magistrada.
Segundo a juíza Maria Rosi, a experiência também representa
aprendizado institucional. “Foi um aprendizado. Os projetos atendem públicos
distintos, o que fortalece o intercâmbio de saberes. A ideia é ajudar ao
máximo”, pontuou.
A magistrada destacou ainda que o processo de seleção segue
critérios legais rigorosos. “A legislação é específica e permite que a
destinação seja efetuada. Há um trabalho de visitação in loco, realizado por uma equipe previamente selecionada pelo
Juizado, em parceria com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso. Também
são exigidos relatórios pormenorizados sobre as ações desenvolvidas e a
aplicação dos recursos”, explicou.
Na noite de celebração, cada instituição teve dois minutos
para apresentar suas ações e as projeções futuras, reforçando a transparência e
o diálogo entre o Judiciário e a sociedade.
Em 2025, o montante destinado alcançou R$ 720 mil — o maior
já registrado —, por meio de Acordos de Não Persecução Penal (ANPP). A
legislação autoriza que esses recursos sejam aplicados em ações sociais,
geralmente por meio de prestação pecuniária a entidades públicas ou de
interesse social, bem como a fundos específicos. A destinação busca tanto a
reparação do dano social quanto a prevenção do crime.
Ao todo, R$ 720 mil foram destinados a dez instituições sociais, selecionadas conforme o Edital nº 01/2025 do Juizado Especial Criminal de Cuiabá (Jecrim).
Patrícia Neves
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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