Coordenadoria da Mulher alerta jovens sobre relacionamentos abusivos e violência doméstica
Coibir qualquer indício de violência doméstica ou
relacionamento abusivo entre os jovens está entre os compromissos da
Coordenadoria Estadual da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar
do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher/TJMT). Na sexta-feira (14 de
março), o projeto “Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas” chamou a
atenção de mais de 840 alunos do Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá, que
acompanharam as explicações sobre a origem e objetivo da Lei n.º 11.340/2006.
Atentos à palestra, os alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental e 1ª a 3ª série do ensino médio, com idades entre 14 e 18 anos, entenderam qual papel têm no combate à violência doméstica. As informações foram repassadas pela assistente social da Cemulher, Adriany Sthefany de Carvalho, e pelo psicólogo da Coordenadoria, Danilo da Silva.
“É
fundamental falar com jovens, adolescentes, que já podem estar nesse processo
de namoro e relacionamento. Essa abertura para o diálogo ajuda na identificação
dos sinais de alerta de um relacionamento abusivo e, muitas vezes, também
consegue identificar no seio familiar algumas situações de violência. Com essas
informações, eles têm mais capacidade de fornecer ajuda, auxílio à mulher
vítima”, destacou Adriany.
O Projeto
“Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas” prevê o envolvimento da sociedade
no combate à violência. O trabalho é desenvolvido em parceria com as
Secretarias de Educação municipais e Estadual, além da rede privada.
A proposta, que utiliza a educação como uma ferramenta de prevenção à violência doméstica e familiar, por meio da construção do pensamento reflexivo e crítico, chamou a atenção do padre Hermenegildo Conceição Silva, diretor-geral do colégio Salesiano São Gonçalo.
Na avaliação do
diretor-geral da unidade, ter porta-vozes do Poder Judiciário na escola
demonstra o peso da importância desta temática. “Fazemos um trabalho pedagógico
de conversa e de dinâmicas, mas quando temos um grupo especializado que
acompanha de perto essa realidade, coroamos esse momento numa coisa bem
qualificada”.
Ao observar a reação dos estudantes, o padre Gildo,
como prefere ser chamado, destacou o envolvimento dos jovens no compromisso de
pôr fim à violência de gênero.
“Eles vêm acompanhando esse assunto, eles percebem
quando ocorrem situações próximas a eles e eles reagem”.
Algumas dessas reações ficaram evidentes no rosto
dos alunos quando ouviram os áudios na apresentação, com vozes de mulheres
pedindo socorro à Polícia Militar no momento em que estavam sendo agredidas
pelos companheiros. “Ouvir as vítimas relatando o que elas sofreram… Não
acredito como seria possível que alguém fosse capaz de fazer isso e não tenha
empatia”, contou Ian Gabriel Muniz, de 15 anos.
Como homem, o jovem afirma que conhece o seu papel
social e já contribuiu com o enfrentamento à violência, ao orientar amigas que
estiveram em relacionamentos abusivos. “Eu conversei com elas para ajudar
mentalmente, falai que se precisasse de alguma coisa poderia chamar a polícia
ou outras autoridades”, lembra o jovem.
Para Sarah Bernardi, 15 anos, os tipos de violência
doméstica chamaram a atenção, especialmente a psicológica. “Chamou a atenção a
parte que a gente não percebe muito da violência, tipo a violência psicológica.
Foi bom saber mais quais são os sinais de violência ou de agressividade, vou
levar esse conhecimento para a vida”.
Formas
de violência
A Lei Maria da Penha tipifica cinco formas de
violência contra a mulher que devem ser combatidas: física, psicológica,
sexual, patrimonial e moral. O psicólogo da Cemulher, Danillo Cesar Correia da
Silva, explicou como elas ocorrem e o porquê esse conhecimento deve ser
reforçado junto à sociedade.
“No caso da violência psicológica, é difícil a pessoa
assumir e provar e só as vítimas podem externar o que está passando. Nesses
casos, ainda existe o preconceito, o medo e a dificuldade de provar, por isso a
palavra da mulher é considerada e tem grande peso na denúncia. Por isso, a Lei
Maria da Penha é a terceira melhor lei de proteção à mulher do mundo”.
Cemulher
nas Escolas
A Cemulher é composta por uma equipe
multidisciplinar que, a cada trimestre, organiza palestras nas escolas de
Cuiabá. A ação leva palestras, rodas de conversa, materiais audiovisuais e
impressos (fôlder e cartilhas).
Por meio do diálogo com alunos e servidores das
escolas são tratados temas como: violência doméstica e familiar; as várias
formas de violência, campanha Sinal Vermelho; botão do pânico e atendimentos
disponíveis na Rede de Enfrentamento.
Em 2024, mais de 50 turmas foram atendidas. Desde o
início do projeto, mais de 14 mil alunos foram impactados pelo projeto.
Priscilla Silva / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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