Mês da Mulher: Círculos de Paz reúnem mulheres em diálogos de força e superação
Mulheres que inspiram não são heroínas de
histórias fantasiosas, são mulheres que curam, que levantam outras mulheres e
que desafiam limites. Elas estão por toda parte. E, para encerrar a agenda
comemorativa em homenagem ao Mês da Mulher, o Núcleo Gestor da Justiça
Restaurativa (Nugjur), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, abriu um
importante espaço para oportunidades de escuta e troca de experiência.
Com o tema ‘Mulheres que inspiram’, Círculos de
Construção de Paz foram realizados nos dias 24 e 25 de março, nas modalidades
presencial e virtual, com o objetivo de honrar a história e a trajetória de
vida de mulheres extraordinárias, onde cada uma delas, a seu tempo e a seu
modo, foi desafiada a superar desafios, curar dores muitas vezes sozinhas, e
seguir em frente, mostrando que avançar é uma decisão que deve ser tomada todos
os dias.
A iniciativa faz parte do Programa ‘Servidores da
Paz’, criado na gestão da desembargadora Clarice Claudino da Silva, enquanto
presidente do Tribunal de Justiça, com a meta de trabalhar para a construção de
ambientes mais harmônicos de trabalho, colaborativos e de acolhimento entre os
servidores, ensejando a oportunidade de que a metodologia se torne um estilo de
vida entre os servidores.
Ser fiel a si mesma. Essa foi a decisão
de Cláudia Fanaia, 56, servidora aposentada do Poder Judiciário, quando
precisou enfrentar alguns dos momentos mais desafiadores da sua vida. Há alguns
anos, Cláudia foi vítima de deepfake, crime digital utilizado por
cibercriminosos para criar e espalhar conteúdos falsos na internet.
“Já tive a experiência de participar de rodas de
conversa dentro da faculdade, que têm vários objetivos, menos o de falar sobre
nós mesmos. Acho que, por ter esse espaço [círculo], acabei falando muito sobre
os meus sentimentos e entendo que talvez precisasse disso. O ser humano é um ser
social, e se ele não se sente acolhido, ele não se expressa. A própria
psicologia traz que o paciente só vai falar, só vai interagir se ele se sentir
seguro. Em certo momento da minha vida, achei que deveria ficar calada, quieta,
que não poderia falar, e isso para as pessoas é bom porque você não leva
problema para elas, porque elas não estão disponíveis para lidar com seus
problemas, mas quando você fala e se expressa, nós saímos de um lugar de
passividade e começamos a nos posicionar, e passamos a entender que muitas
vezes as pessoas não estão dispostas a te ouvir, e isso é um processo delas”,
refletiu Cláudia.
Acreditar quando ninguém mais acreditava.
Danúbia de Assunção Lopes, 43, é professora e diretora da Escola Municipal de
Educação Básica Vereador Estevão Ferreira da Cunha, localizada no bairro Souza
Lima, em Várzea Grande. Ela teve a adolescência marcada por desafios e
descobriu muito cedo o quanto as circunstâncias podem ser desafiadoras na vida
de uma jovem.
“Conhecendo os círculos e agora estudando
Psicologia, começo a ter um olhar mais afetivo sobre situações que acontecem.
Quando, por exemplo, enfrentamos situações desafiadoras dentro da escola, não é
porque a criança é difícil ou porque ela quer fazer aquilo, mas começo a refletir
se ela não estaria tentando chamar a atenção, e qual a mensagem ela está
tentando passar? Essa criança traz uma necessidade e ela vem de um lugar que
talvez ela não tenha isso, e onde que ela vai desaguar esse rio que tem dentro
dela, na escola. Muitas vezes, nós, professores, não estamos preparados para
isso. E os círculos ajudaram a reforçar em mim posturas como me colocar no
lugar do outro”, concluiu Danúbia, que também é facilitadora de Círculos de
Construção de Paz e uniu as habilidades da escuta ativa exercitadas nos
círculos para fortalecer ferramentas pessoais que ela já possuía.
A servidora Lígia de Oliveira Ribeiro, 36, é
gestora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da
Comarca de Porto Alegre do Norte. Ela conta que participar do círculo foi como
um gatilho para reflexões por vezes negligenciadas no dia a dia.
“Ao mesmo tempo que o círculo é acolhedor, ele
também tem o potencial de enriquecer aquele que se entrega com verdade. O
círculo possibilita um ambiente de reflexão, levando a pessoa a olhar para si,
com um mergulho interno de reflexão, e o ato de refletir, silenciar nosso
interno e pensar sobre a vida nos leva a nos reconectarmos com nós mesmos. E
nesse processo, a reflexão traz a paz e o entendimento sobre circunstâncias da
vida, aliviando pressões”, refletiu Lígia, que participa do processo de
implantação da Justiça Restaurativa e do Programa de Pacificação Social na
Comarca de Porto Alegre do Norte.
2025: Ano da Justiça Restaurativa nas Instituições –
Nesta terça-feira (25.03), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez a
divulgação do vídeo de lançamento da campanha “Justiça Restaurativa nas
Instituições”, que aponta como ênfase para este ano, o trabalho de expansão da
Justiça Restaurativa e dos Círculos de Construção de Paz como metodologia para
a construção de ambientes de trabalho mais empáticos e colaborativos.
O entendimento trazido pelo CNJ vem ao encontro
daquilo que já é realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, materializado
pelo Programa Servidores da Paz, criado em 2023 a partir da percepção
humanizada da desembargadora Clarice Claudino, que defende o diálogo, a
cordialidade e a harmonia das relações entre os caminhos para a verdadeira
pacificação social.
Com a campanha, o CNJ reforça a percepção de que a melhora do ambiente de trabalho impacta diretamente na qualidade da entrega do serviço público, trazendo como prioridade para este ano a amplificação da PolíticaNacional de Justiça Restaurativa no âmbito do Poder Judiciário, regulamentada por meio da Resolução CNJ nº 225/2016.
Fotos: Naiara Martins
Naiara Martins
Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur
nugjur@tjmt.jus.br
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