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 26/03/2025   13:15   

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Mês da Mulher: Círculos de Paz reúnem mulheres em diálogos de força e superação

Mulheres que inspiram não são heroínas de histórias fantasiosas, são mulheres que curam, que levantam outras mulheres e que desafiam limites. Elas estão por toda parte. E, para encerrar a agenda comemorativa em homenagem ao Mês da Mulher, o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, abriu um importante espaço para oportunidades de escuta e troca de experiência.

 

Com o tema ‘Mulheres que inspiram’, Círculos de Construção de Paz foram realizados nos dias 24 e 25 de março, nas modalidades presencial e virtual, com o objetivo de honrar a história e a trajetória de vida de mulheres extraordinárias, onde cada uma delas, a seu tempo e a seu modo, foi desafiada a superar desafios, curar dores muitas vezes sozinhas, e seguir em frente, mostrando que avançar é uma decisão que deve ser tomada todos os dias.   

 

A iniciativa faz parte do Programa ‘Servidores da Paz’, criado na gestão da desembargadora Clarice Claudino da Silva, enquanto presidente do Tribunal de Justiça, com a meta de trabalhar para a construção de ambientes mais harmônicos de trabalho, colaborativos e de acolhimento entre os servidores, ensejando a oportunidade de que a metodologia se torne um estilo de vida entre os servidores. 

 

Ser fiel a si mesma. Essa foi a decisão de Cláudia Fanaia, 56, servidora aposentada do Poder Judiciário, quando precisou enfrentar alguns dos momentos mais desafiadores da sua vida. Há alguns anos, Cláudia foi vítima de deepfake, crime digital utilizado por cibercriminosos para criar e espalhar conteúdos falsos na internet.   

 

“Já tive a experiência de participar de rodas de conversa dentro da faculdade, que têm vários objetivos, menos o de falar sobre nós mesmos. Acho que, por ter esse espaço [círculo], acabei falando muito sobre os meus sentimentos e entendo que talvez precisasse disso. O ser humano é um ser social, e se ele não se sente acolhido, ele não se expressa. A própria psicologia traz que o paciente só vai falar, só vai interagir se ele se sentir seguro. Em certo momento da minha vida, achei que deveria ficar calada, quieta, que não poderia falar, e isso para as pessoas é bom porque você não leva problema para elas, porque elas não estão disponíveis para lidar com seus problemas, mas quando você fala e se expressa, nós saímos de um lugar de passividade e começamos a nos posicionar, e passamos a entender que muitas vezes as pessoas não estão dispostas a te ouvir, e isso é um processo delas”, refletiu Cláudia.   

 

Acreditar quando ninguém mais acreditava. Danúbia de Assunção Lopes, 43, é professora e diretora da Escola Municipal de Educação Básica Vereador Estevão Ferreira da Cunha, localizada no bairro Souza Lima, em Várzea Grande. Ela teve a adolescência marcada por desafios e descobriu muito cedo o quanto as circunstâncias podem ser desafiadoras na vida de uma jovem.

 

 

“Conhecendo os círculos e agora estudando Psicologia, começo a ter um olhar mais afetivo sobre situações que acontecem. Quando, por exemplo, enfrentamos situações desafiadoras dentro da escola, não é porque a criança é difícil ou porque ela quer fazer aquilo, mas começo a refletir se ela não estaria tentando chamar a atenção, e qual a mensagem ela está tentando passar? Essa criança traz uma necessidade e ela vem de um lugar que talvez ela não tenha isso, e onde que ela vai desaguar esse rio que tem dentro dela, na escola. Muitas vezes, nós, professores, não estamos preparados para isso. E os círculos ajudaram a reforçar em mim posturas como me colocar no lugar do outro”, concluiu Danúbia, que também é facilitadora de Círculos de Construção de Paz e uniu as habilidades da escuta ativa exercitadas nos círculos para fortalecer ferramentas pessoais que ela já possuía. 

 

A servidora Lígia de Oliveira Ribeiro, 36, é gestora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Porto Alegre do Norte. Ela conta que participar do círculo foi como um gatilho para reflexões por vezes negligenciadas no dia a dia.  

 

“Ao mesmo tempo que o círculo é acolhedor, ele também tem o potencial de enriquecer aquele que se entrega com verdade. O círculo possibilita um ambiente de reflexão, levando a pessoa a olhar para si, com um mergulho interno de reflexão, e o ato de refletir, silenciar nosso interno e pensar sobre a vida nos leva a nos reconectarmos com nós mesmos. E nesse processo, a reflexão traz a paz e o entendimento sobre circunstâncias da vida, aliviando pressões”, refletiu Lígia, que participa do processo de implantação da Justiça Restaurativa e do Programa de Pacificação Social na Comarca de Porto Alegre do Norte.   

 

2025: Ano da Justiça Restaurativa nas Instituições – Nesta terça-feira (25.03), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez a divulgação do vídeo de lançamento da campanha “Justiça Restaurativa nas Instituições”, que aponta como ênfase para este ano, o trabalho de expansão da Justiça Restaurativa e dos Círculos de Construção de Paz como metodologia para a construção de ambientes de trabalho mais empáticos e colaborativos. 

 

O entendimento trazido pelo CNJ vem ao encontro daquilo que já é realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, materializado pelo Programa Servidores da Paz, criado em 2023 a partir da percepção humanizada da desembargadora Clarice Claudino, que defende o diálogo, a cordialidade e a harmonia das relações entre os caminhos para a verdadeira pacificação social. 

 

Com a campanha, o CNJ reforça a percepção de que a melhora do ambiente de trabalho impacta diretamente na qualidade da entrega do serviço público, trazendo como prioridade para este ano a amplificação da PolíticaNacional de Justiça Restaurativa no âmbito do Poder Judiciário, regulamentada por meio da Resolução CNJ nº 225/2016


Fotos: Naiara Martins

Naiara Martins

Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

nugjur@tjmt.jus.br

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