Servidores são treinados em identificação civil e emissão de documentos para privados de liberdade
Centenas
de servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, especialmente aqueles que
atuam em varas criminais e audiências de custódia de todas as comarcas, participaram
do treinamento da Ação Nacional de Identificação Civil e Emissão de Documentos
para pessoas privadas de liberdade, oferecido pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), na manhã desta quarta-feira (19 de março), por videoconferência.
A
juíza Paula Tathiana Pinheiro, titular da 3ª Vara Criminal de Colíder e coordenadora
do eixo Identificação civil e documentação do Grupo de Monitoramento e
Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça de
Mato Grosso (GMF-MT) participou do treinamento e destacou o empenho de todos os
envolvidos. “É com muita felicidade que a gente observa de onde partimos e onde
estamos agora. Agradeço aos servidores de Sorriso, Porto Alegre do Norte,
Colíder e vários outros municípios que se disponibilizaram voluntariamente a
participar dessa capacitação. Fico muito feliz que aqui em Mato Grosso a ação
ganhou vida própria. Temos muito trabalho para ser feito aqui no estado, mas
sei que com o esforço coletivo das equipes do GMF, da Corregedoria, do CNJ, nós
vamos avançar muito mais ainda”, disse.
O
treinamento, que contou com moderação da assistente técnica da área de
documentação civil do CNJ, Tamiz Lima Oliveira, teve como palestrantes o
servidor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do sistema Carcerário
e Socioeducativo (DMF/CNJ), Gustavo Ferraz Sales Carneiro, e da servidora do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Juliana Hatem Coelho.
Gustavo
Carneiro apresentou tópicos como o histórico, as inovações e os benefícios da
Ação Nacional de Identificação Civil e Emissão de Documentos para pessoas
privadas de liberdade no Brasil, que começou em 2019, após o CNJ diagnosticar
que 8 em cada 10 pessoas desse sistema não tinham todos os documentos pessoais,
o que prejudica o seu acesso aos direitos sociais. Desde então, com a
publicação da Resolução nº 306/2019 do CNJ, teve início a ação nacional. Foram distribuídos
mais de 5,4 mil kits de coleta biométrica e emitidos mais de 300 mil documentos
para pessoas privadas de liberdade em todo o Brasil, por meio do Programa
Fazendo Justiça, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD), com a Secretaria Nacional de Políticas Penais
(Senappen), TSE e mais de 150 órgãos e entidades, como os tribunais de justiça
e as Secretarias de Administração Penitenciária dos estados.
Mato
Grosso foi o primeiro estado a receber a missão de implantação, em 2023, e,
desde então até fevereiro deste ano, com os 91 kits biométricos recebidos pelo
TJMT do CNJ, foi possível realizar 11.869 ações de identificação civil
coletados nas audiências de custódia, sendo 10.088 pesquisas realizadas à Base
de Dados de Identificação Civil Nacional (BDICN) e 1.78 pessoas atendidas. Dessas
pessoas, 1.517 foram identificadas e 264 cadastradas. Com esses números, Mato
Grosso foi a quinta unidade da federação a concluir a identificação civil de
100% da população prisional.
O
programa tem continuidade por meio do acompanhamento das ações por parte do
DMF/CNJ, do suporte e da formação continuada dos servidores públicos que
realizam o serviço na ponta.
De
acordo com o palestrante Gustavo Carneiro, dentre os benefícios da ação
nacional de identificação civil e emissão de documentos para pessoas privadas
de liberdade são a individualização da pessoa por singularização biométrica
(com a coleta de digitais, fotografia e assinatura), a confiabilidade dos dados
cadastrais autenticados, a verificação de duplicidade ou divergência cadastral
em consulta à BDICN, a segurança na emissão de documentos, o aprimoramento da
prestação jurisdicional e a gestão eficiente do sistema prisional.
Gustavo
Carneiro também abordou o fluxo de
identificação
civil na audiência de custódia, os requisitos para implementação, instalação de
equipamentos, treinamento da equipe de tecnologia da informação, designação de
servidores, além de questões específicas da identificação civil de indígenas,
estrangeiros e pessoas LGBTQIA+. Os participantes puderam assistir à uma aula
prática elaborada pelo CNJ, que demonstrou como é feito o procedimento de
identificação da pessoa presa.
Por
sua vez, a palestrante Juliana Hatem fez uma apresentação sobre a Base de Dados
da Identificação Civil Nacional (BDICN), criada pela Lei nº 13.444/2017, com o
objetivo de cadastrar todos os brasileiros para que sejam identificados com
segurança e facilidade nas relações públicas e particulares. A gestão da identificação
civil nacional é responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral.
Até
fevereiro deste ano, mais de 139 milhões de brasileiros já foram inseridos na
BDICN, o que representa 67% da população brasileira. A base de dados é a maior
da América Latina e uma das maiores do mundo.
A
palestrante destacou questões práticas como a composição e utilização do kit de
coleta biométrica, o software de coleta, os procedimentos de consulta e
cadastramento na base de dados e ressaltou a importância de seguir a Lei Geral
de Proteção de Dados (LGPD) e demais parâmetros de segurança. Juliana Hatem
também enfatizou o fluxo do atendimento ao cidadão no momento da identificação,
pontuando a forma correta de realizar a coleta biométrica.
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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