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 29/04/2025   16:19   

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Coordenadoria da Mulher leva conscientização sobre violência doméstica à Escola Santos Dumont

A Escola Estadual Santos Dumont, em Cuiabá, recebeu nesta terça-feira (29 de abril) a equipe da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT) para a realização da palestra do projeto “Cemulher & a Lei Maria da Penha nas Escolas”. A ação continua nesta quarta-feira (30), às 13h30, envolvendo cerca de 150 alunos do Ensino Médio.

A iniciativa visa combater a violência doméstica e familiar por meio da informação e da conscientização, trabalhando com alunos, educadores e servidores. O projeto já atendeu mais de 4 mil alunos em 2024, e mais de 10 mil desde sua criação.

Durante a palestra, Adriany Carvalho, assistente social da Cemulher, destacou o papel da educação como ferramenta de transformação.

"Esse projeto faz parte da política de prevenção à violência doméstica instituída pela Lei Maria da Penha. Nas escolas, conversamos sobre tipos de violência, comportamentos de risco e relacionamentos abusivos. Mato Grosso está com uma estatística triste: o dobro da média nacional em feminicídios. Trabalhar essa conscientização com adolescentes é fundamental para que consigamos mudar esse quadro antes que a violência aconteça," afirmou.

Complementando, o psicólogo Danillo da Silva, também da Cemulher, enfatizou a importância de desconstruir mitos sobre violência desde cedo.

"Quando falamos sobre violência, muita gente ainda associa apenas à violência física. Mas existem muitos tipos, e muitos adolescentes e até adultos não sabem disso. Abordar esses temas na formação dos jovens é essencial para construir uma sociedade mais consciente e menos violenta," explicou.

O diretor da Escola Santos Dumont, Orivaldo Egídio Silva, também ressaltou a importância do projeto.

"A escola é um espaço onde devemos fomentar essas discussões. Quanto mais conscientização nossos alunos tiverem, mais preparados estarão para se defenderem dessas realidades. A violência que começa na família muitas vezes chega na escola, que é uma segunda casa. Se não trabalharmos esses temas, não damos aos nossos estudantes o conhecimento necessário para transformar isso em prática real," afirmou.

Orivaldo ainda reforçou que iniciativas como essa ajudam tanto meninas quanto meninos. "É assim que educamos meninas para não serem vítimas e meninos para não serem agressores. Quanto mais parcerias como essa trouxermos para dentro da escola, melhor será para a formação cidadã dos nossos estudantes."

A imagem mostyra primeiro plano de vários alunos sentados em cadeiras, dentro da sala de aula, usando uniformes azuis. De frente apra eles, em pé, estão o diretor da Escola, psicólogo e a assistente social da CemulherA visão dos alunos

A importância da palestra foi reconhecida pelos próprios estudantes. Para Renato Augusto Pereira Silva Santos, de 16 anos, a abordagem direta fez a diferença. "Essas palestras são fundamentais para evitar a violência dentro de casa e na sociedade. A gente aprende e leva para casa, para mudar a realidade. Se alguém aqui já foi vítima ou até agressor, essa conversa ajuda a mudar o comportamento, porque mostra que existem consequências," destacou.

Já Lethícia Costa, também de 16 anos, compartilhou que a palestra a fez refletir sobre questões de limite e respeito nos relacionamentos.

"O que mais me chamou atenção foi a questão do limite do ciúme, a privacidade. Isso é muito sério. Já vi meninas aqui sendo agredidas por meninos, e essa conscientização é importante tanto para as meninas se protegerem quanto para os meninos entenderem o que é errado," disse.

Lethícia também relatou o impacto pessoal do conteúdo apresentado.  "Os vídeos, os áudios das mulheres contando suas histórias me tocaram muito. Eu conheço pessoas que sofreram violência, e não quero isso para a minha história" completou.

O projeto “Cemulher & a Lei Maria da Penha nas Escolas” é fruto da parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Utilizando palestras, rodas de conversa e materiais audiovisuais, a equipe da Cemulher busca promover um ambiente escolar mais seguro e respeitoso, reforçando a ideia de que a educação é o caminho para mudar a realidade da violência de gênero.

Flávia Borges / Foto: Anderson Borges

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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