Coordenadoria da Mulher leva conscientização sobre violência doméstica à Escola Santos Dumont
A Escola Estadual Santos
Dumont, em Cuiabá, recebeu nesta terça-feira (29 de abril) a equipe da
Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar
do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT) para a realização da
palestra do projeto “Cemulher & a Lei Maria da Penha nas Escolas”. A ação
continua nesta quarta-feira (30), às 13h30, envolvendo cerca de 150 alunos do
Ensino Médio.
A iniciativa visa combater a
violência doméstica e familiar por meio da informação e da conscientização,
trabalhando com alunos, educadores e servidores. O projeto já atendeu mais de 4
mil alunos em 2024, e mais de 10 mil desde sua criação.
Durante a palestra, Adriany
Carvalho, assistente social da Cemulher, destacou o papel da educação como
ferramenta de transformação.
"Esse projeto faz parte
da política de prevenção à violência doméstica instituída pela Lei Maria da
Penha. Nas escolas, conversamos sobre tipos de violência, comportamentos de
risco e relacionamentos abusivos. Mato Grosso está com uma estatística triste:
o dobro da média nacional em feminicídios. Trabalhar essa conscientização com
adolescentes é fundamental para que consigamos mudar esse quadro antes que a
violência aconteça," afirmou.
Complementando, o psicólogo
Danillo da Silva, também da Cemulher, enfatizou a importância de desconstruir
mitos sobre violência desde cedo.
"Quando falamos sobre
violência, muita gente ainda associa apenas à violência física. Mas existem
muitos tipos, e muitos adolescentes e até adultos não sabem disso. Abordar
esses temas na formação dos jovens é essencial para construir uma sociedade
mais consciente e menos violenta," explicou.
O diretor da Escola Santos
Dumont, Orivaldo Egídio Silva, também ressaltou a importância do projeto.
"A escola é um espaço
onde devemos fomentar essas discussões. Quanto mais conscientização nossos
alunos tiverem, mais preparados estarão para se defenderem dessas realidades. A
violência que começa na família muitas vezes chega na escola, que é uma segunda
casa. Se não trabalharmos esses temas, não damos aos nossos estudantes o
conhecimento necessário para transformar isso em prática real," afirmou.
Orivaldo ainda reforçou que
iniciativas como essa ajudam tanto meninas quanto meninos. "É assim que
educamos meninas para não serem vítimas e meninos para não serem agressores.
Quanto mais parcerias como essa trouxermos para dentro da escola, melhor será
para a formação cidadã dos nossos estudantes."
A visão dos alunos
A importância da palestra
foi reconhecida pelos próprios estudantes. Para Renato Augusto Pereira Silva
Santos, de 16 anos, a abordagem direta fez a diferença. "Essas palestras
são fundamentais para evitar a violência dentro de casa e na sociedade. A gente
aprende e leva para casa, para mudar a realidade. Se alguém aqui já foi vítima
ou até agressor, essa conversa ajuda a mudar o comportamento, porque mostra que
existem consequências," destacou.
Já Lethícia Costa, também de
16 anos, compartilhou que a palestra a fez refletir sobre questões de limite e
respeito nos relacionamentos.
"O que mais me chamou
atenção foi a questão do limite do ciúme, a privacidade. Isso é muito sério. Já
vi meninas aqui sendo agredidas por meninos, e essa conscientização é
importante tanto para as meninas se protegerem quanto para os meninos
entenderem o que é errado," disse.
Lethícia também relatou o
impacto pessoal do conteúdo apresentado.
"Os vídeos, os áudios das mulheres contando suas histórias me
tocaram muito. Eu conheço pessoas que sofreram violência, e não quero isso para
a minha história" completou.
O projeto “Cemulher & a Lei Maria da Penha nas Escolas” é fruto da parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Utilizando palestras, rodas de conversa e materiais audiovisuais, a equipe da Cemulher busca promover um ambiente escolar mais seguro e respeitoso, reforçando a ideia de que a educação é o caminho para mudar a realidade da violência de gênero.
Flávia Borges / Foto: Anderson Borges
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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