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 16/04/2025   15:56   

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Estudantes de Direito participam de círculo de construção de paz sobre educação financeira

Foto que mostra estudantes sentados em círculo na sala de aula, durante o círculo de paz. No chão, ao centro, há objetos que compõem o objeto de centro, como um vasinho de flores, livros, fitas coloridas com palavras estampadas. Um círculo de construção de paz com o tema educação financeira foi a forma com que 40 estudantes de Direito da Universidade de Cuiabá (Unic Pantanal) tiveram seu primeiro contato prático com a Justiça Restaurativa, na manhã desta quarta-feira (16 de abril). Divididos em duas turmas, eles passaram pela experiência, conduzida por facilitadoras do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur). A atividade ocorreu a convite do professor da disciplina Sistema Multiportas, Marcos Kozan.

“Foi a primeira vez que eu participei. Achei enriquecedor! Foi de suma importância, principalmente pra mim, que sou estudante de Direito, e é uma disciplina que o professor passou pra gente nesse semestre. Então ter a prática foi muito importante”, afirma a estudante Suzan Yoko. Para ela, além de ter a noção prática do que está estudando, também achou interessante o tema abordado.

“Foi uma surpresa pra mim trazer essa questão da economia, de como a gente consegue gerir o nosso dinheiro, eu acho que vai ser também muito enriquecedor. A gente vai ter um olhar diferente pra como vamos lidar com esse dinheiro”.foto que mostra três estudantes sentadas em carteiras escolares, no círculo de paz, entre elas estão as estudantes Maíra Fernanda e Suzan Yoko. A primeira é negra, de cabelos longos e cacheados e a segunda tem a pele morena, traços orientais e cabelo liso. Uma passa a girafa de pelúcia para a outra

A estudante Maíra Fernanda Santos Leal avalia que conhecer de perto uma das ferramentas de solução consensual de conflitos contribui com o aprendizado. “Como a gente está aprendendo sobre a matéria Sistema Multiportas, esse círculo é uma experiência em que a gente pode ouvir e ser ouvido. Então, ali, a gente tem que respeitar a fala do outro, respeitar os nossos colegas, ter empatia. E é muito raro ter paciência, respeito ao próximo, respeito à fala do outro, ouvir e ser ouvido. No modelo multiportas, cai também sobre conciliação e mediação, então eu acho que está super dentro do tema e tem tudo a ver com a matéria”.

Justiça Multiportas é uma estrutura que oferece à pessoa diferentes formas de ter acesso aos seus direitos, com garantia dos princípios do amplo acesso à justiça, da razoável duração do processo, da eficiência e do contraditório. A porta de acesso à justiça mais conhecida é aquela em que um terceiro, seja um juiz ou árbitro, tem a responsabilidade de dar solução à demanda.

No sistema multiportas, outras vias são aquelas em que as partes envolvidas encontram, juntas, a solução do caso, por meio da negociação (conciliação ou mediação). Nesse processo de resolução de conflitos por meio do diálogo, outras ferramentas disponíveis para promover a pacificação são o círculo de construção de paz e as oficinas de pais e filhos, por exemplo. No Judiciário de Mato Grosso, o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) é o responsável por dar efetividade a essa política judiciária.

Foto do professor Marcos Kozan concedendo entrevista à TV.Jus no corredor da faculdade. Ele é um homem alto, branco, de cabelos e olhos escuros, usando camisa branca, terno cinza e óculos de grau de armação preta. O professor Marcos Kozan, que leciona a disciplina Sistema Multiportas, explica que os métodos consensuais de solução de conflitos são relativamente novos no sistema jurídico brasileiro. “Desde 2010, temos a política de tratamento adequado de conflitos, por meio da Resolução 125 do CNJ e, posteriormente, em 2015, a mudança do Código de Processo Civil trouxe essa nova cultura de pacificar a sociedade”.

Kozan avalia que oferecer aos alunos a oportunidade de conhecer na prática o círculo de construção de paz fortalece a disseminação da cultura de pacificação social. “As pessoas começam a se conscientizar de que é muito mais vantajoso elas resolverem de uma forma amigável, por meio do diálogo, por meio de uma escuta ativa. Então eles passam a visualizar o conflito de uma outra forma, visualizar o acesso à justiça de uma outra forma e não apenas aquela visão que nós tínhamos de que a justiça está no Poder Judiciário, mas o acesso à justiça está na efetivação, na solução consensual do próprio conflito”, afirma, apontando como vantagens a celeridade processual e  economia de custas.

Foto que mostra a facilitadora de círculo de construção de paz, Rocio Reis, sentada em uma carteira escolar, olhando para o lado e falando. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos na altura dos ombros, usando camisa verde-limão, óculos de grau, crachá. Sobre a carteira há uma girafa de pelúciaFacilitadora de círculo de construção de paz e gestora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania – Cejusc do Superendividamento, Rocio Reis viu na atividade com os estudantes uma forma de aliar os dois serviços ofertados pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. “Eu falo que o círculo pode ser usado em todos os lugares: na área da saúde, nas escolas, na universidade, dentro do local de trabalho. Eu acho que isso é muito importante porque você pode trazer vários temas, sentar e debater, como hoje. Ficamos uma hora sem ninguém ficar no celular e poder conversar, poder ouvir porque, no nosso dia a dia, a gente não tem mais esse tempo e o círculo traz justamente isso: essa roda de conversa, poder ouvir sem julgamento”, diz.

Círculo de Construção de Paz - É um processo estruturado para organizar a comunicação em grupo, a construção de relacionamentos, a tomada de decisões e resolução de conflitos de forma eficiente. Geralmente é realizado com grupos pequenos, em torno de 10 a 20 pessoas, e tem duração média de duas horas, dependendo do tema a ser trabalhado pelo facilitador. A atividade proporciona um espaço seguro e acolhedor para os participantes compartilharem suas experiências, desafios e emoções.

Celly Silva/Fotos: Élcio Evangelista

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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