Estudantes de Direito participam de círculo de construção de paz sobre educação financeira
Um círculo de construção de
paz com o tema educação financeira foi a forma com que 40 estudantes de Direito
da Universidade de Cuiabá (Unic Pantanal) tiveram seu primeiro contato prático
com a Justiça Restaurativa, na manhã desta quarta-feira (16 de abril). Divididos
em duas turmas, eles passaram pela experiência, conduzida por facilitadoras do Núcleo
Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur). A atividade ocorreu a convite do
professor da disciplina Sistema Multiportas, Marcos Kozan.
“Foi a primeira vez que eu
participei. Achei enriquecedor! Foi de suma importância, principalmente pra mim,
que sou estudante de Direito, e é uma disciplina que o professor passou pra
gente nesse semestre. Então ter a prática foi muito importante”, afirma a estudante
Suzan Yoko. Para ela, além de ter a noção prática do que está estudando, também
achou interessante o tema abordado.
“Foi uma surpresa pra mim trazer
essa questão da economia, de como a gente consegue gerir o nosso dinheiro, eu
acho que vai ser também muito enriquecedor. A gente vai ter um olhar diferente pra
como vamos lidar com esse dinheiro”.
A estudante Maíra Fernanda Santos
Leal avalia que conhecer de perto uma das ferramentas de solução consensual de
conflitos contribui com o aprendizado. “Como a gente está aprendendo sobre a
matéria Sistema Multiportas, esse círculo é uma experiência em que a gente pode
ouvir e ser ouvido. Então, ali, a gente tem que respeitar a fala do outro,
respeitar os nossos colegas, ter empatia. E é muito raro ter paciência,
respeito ao próximo, respeito à fala do outro, ouvir e ser ouvido. No modelo
multiportas, cai também sobre conciliação e mediação, então eu acho que está
super dentro do tema e tem tudo a ver com a matéria”.
Justiça Multiportas é uma
estrutura que oferece à pessoa diferentes formas de ter acesso aos seus
direitos, com garantia dos princípios do amplo acesso à justiça, da razoável
duração do processo, da eficiência e do contraditório. A porta de acesso à
justiça mais conhecida é aquela em que um terceiro, seja um juiz ou árbitro, tem
a responsabilidade de dar solução à demanda.
No sistema multiportas,
outras vias são aquelas em que as partes envolvidas encontram, juntas, a solução
do caso, por meio da negociação (conciliação ou mediação). Nesse processo de
resolução de conflitos por meio do diálogo, outras ferramentas disponíveis para
promover a pacificação são o círculo de construção de paz e as oficinas de pais
e filhos, por exemplo. No Judiciário de Mato Grosso, o Núcleo Permanente de
Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) é o responsável por dar
efetividade a essa política judiciária.
O professor Marcos Kozan,
que leciona a disciplina Sistema Multiportas, explica que os métodos
consensuais de solução de conflitos são relativamente novos no sistema jurídico
brasileiro. “Desde 2010, temos a política de tratamento adequado de conflitos,
por meio da Resolução 125 do CNJ e, posteriormente, em 2015, a mudança do
Código de Processo Civil trouxe essa nova cultura de pacificar a sociedade”.
Kozan avalia que oferecer
aos alunos a oportunidade de conhecer na prática o círculo de construção de paz
fortalece a disseminação da cultura de pacificação social. “As pessoas começam
a se conscientizar de que é muito mais vantajoso elas resolverem de uma forma
amigável, por meio do diálogo, por meio de uma escuta ativa. Então eles passam
a visualizar o conflito de uma outra forma, visualizar o acesso à justiça de
uma outra forma e não apenas aquela visão que nós tínhamos de que a justiça
está no Poder Judiciário, mas o acesso à justiça está na efetivação, na solução
consensual do próprio conflito”, afirma, apontando como vantagens a celeridade processual
e economia de custas.
Facilitadora de círculo de
construção de paz e gestora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e
Cidadania – Cejusc do Superendividamento, Rocio Reis viu na atividade com os estudantes
uma forma de aliar os dois serviços ofertados pelo Poder Judiciário de Mato
Grosso. “Eu falo que o círculo pode ser usado em todos os lugares: na área da
saúde, nas escolas, na universidade, dentro do local de trabalho. Eu acho que
isso é muito importante porque você pode trazer vários temas, sentar e debater,
como hoje. Ficamos uma hora sem ninguém ficar no celular e poder conversar,
poder ouvir porque, no nosso dia a dia, a gente não tem mais esse tempo e o
círculo traz justamente isso: essa roda de conversa, poder ouvir sem julgamento”,
diz.
Círculo
de Construção de Paz - É um processo estruturado para
organizar a comunicação em grupo, a construção de relacionamentos, a tomada de
decisões e resolução de conflitos de forma eficiente. Geralmente é realizado
com grupos pequenos, em torno de 10 a 20 pessoas, e tem duração média de duas
horas, dependendo do tema a ser trabalhado pelo facilitador. A atividade
proporciona um espaço seguro e acolhedor para os participantes compartilharem
suas experiências, desafios e emoções.
Celly Silva/Fotos: Élcio
Evangelista
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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