Juízes(as) são capacitados em técnicas efetivas para tomada de depoimentos
Nesta
segunda e terça-feira (28 e 29 de abril), magistrados(as) e assessores(as)
participam presencialmente do curso “Técnicas de inquirição baseadas em
psicologia do testemunho”, ofertado pela Escola Superior da Magistratura de
Mato Grosso (Esmagis-MT). O instrutor é o juiz de Direito Tiago Gagliano Pinto
Alberto, titular da Quarta Turma Recursal do Poder Judiciário do Paraná. Amanhã
(30 de abril), as aulas seguem na modalidade EAD (4h – virtual assíncrona), via
Plataforma Moodle.
Instrutor
da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), o
formador é pós-doutor em Direito pela Universidad de León/Espanha, pós-doutor
em Direito pela PUC/PR, pós-doutor em Filosofia (Ontologia e Epistemologia)
pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), pós-doutor em
Psicologia Cognitiva pela PUC do Rio Grande do Sul (PUC/RS), doutor em Direito pela
Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em Direito pela PUC/PR.
“Há
muitos anos eu venho pesquisando sobre tomada de decisão. E há muitos anos
também eu direcionei minha atenção para a questão do fato. A percepção do fato
não é ensinada nas faculdades de Direito, tampouco nos cursos de formação
inicial de juízes. Então, na prática, os juízes passam décadas examinando
questões do fato sem saber exatamente o que olhar”, pontuou o instrutor.
Segundo
ele, essa atividade pedagógica supre essa lacuna de três maneiras diferentes. “Primeiro,
eu ensino as metodologias científicas de análise de fatos, que existem, mas não
estão no Direito. Depois, técnicas de inquirição, ou seja, como fazer
perguntas, que é uma outra lacuna que existe no ensino do Direito, ninguém
aprende como fazer as perguntas. O resultado disso é que os juízes acabam
aprendendo na prática, e aprender na prática não é a mesma coisa, porque acabam
operando sem técnica, sem metodologia. Uma vez que nós tenhamos o domínio sobre
como fazer perguntas, as suas metodologias, os métodos e as teorias, nós passamos
a analisar as respostas, que é a terceira parte do curso, que se chama Análise
da Credibilidade do Testemunho”, explicou Tiago.
Ainda
conforme o instrutor, aprender na prática significa estar sujeito muitas vezes
a erros, às vezes crassos. “Só que erros crassos podem levar a condenações
inadequadas, a absolvições inadequadas, a consequências das mais drásticas na
vida das pessoas. Se ocorrer uma condenação equivocada, dependendo do crime,
inclusive, a pessoa pode acabar sendo condenada a 20 anos de cadeia. Ou um
filho ser retirado de uma família inadequadamente ou um contrato milionário ser
tido como inadimplido. Então, mostrando como funcionam essas técnicas, o juiz
consegue dimensionar melhor as questões que ele terá que julgar, proferindo,
portanto, fazer uma decisão mais justa e adequada.”
Participando
do curso, o juiz Ricardo Alexandre Riccielli Sobrinho, da Quarta Vara Especializada
de Família e Sucessões, elogiou a iniciativa e assinalou que essa matéria de
Psicologia deveria ser ensinada na faculdade de Direito. Segundo ele, a matéria
apresentada traz subsídios para que os juízes, ao conhecerem as técnicas,
possam oferecer uma melhor prestação jurisdicional à população. “Nós entramos
na carreira e não fomos treinados, nem no curso de formação tivemos essas orientações.
O curso traz informações que proporcionam mais segurança. Nós temos a parte
legal, mas é importante a parte técnica para termos subsídios para melhor interpretar
os depoimentos e utilizar conhecimentos científicos para valorar a prova.”
Para
Walter Tomaz da Costa, da 3ª Vara Criminal de Sinop, o conhecimento obtido
nesses dias, com as experiências práticas apresentadas pelo instrutor, será
muito útil em sua rotina cotidiana. “A gente tem sempre que tentar se aperfeiçoar
e a própria nomenclatura que se traz para a atividade do curso - ‘técnica de
entrevista’ – visa tirar aquele jargão antigo, que tem um certo ranço, de
trazer o interrogatório, a inquirição da testemunha, para uma coisa mais
impositiva, que o próprio Código de Processo Penal estabelece. Então, nós temos
uma evolução de conceitos, de aprimoramento, de ciência, mostrando outras
possibilidades mais avançadas que nós temos, de modo que haja uma evolução no
sentido de melhorarmos na nossa atividade.”
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos
telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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