Presidente recebe representantes do Sindicato das Cooperativas para discutir recuperação judicial
O presidente do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, recebeu nesta
segunda-feira (28 de abril), representantes de diversas cooperativas de crédito
do estado para debater questões relacionadas à Recuperação Judicial (RJ). A
reunião, realizada na sede do TJMT, contou com a participação do juiz auxiliar
da Presidência, Emerson Luís Pereira Cajango, e do juiz da 1ª Vara Cível de
Cuiabá e coordenador do Cejusc Virtual Empresarial, Márcio Aparecido Guedes.
Durante o encontro, foram
apresentadas três demandas prioritárias: ampliação da publicidade dos
envolvidos nos processos de Recuperação Judicial; e uma avaliação
criteriosa dos casos envolvendo cooperativas de crédito como credoras,
assegurando a correta classificação de seus créditos como extraconcursais (que
têm prioridade de pagamento), dada a natureza jurídica distinta dessas
instituições financeiras em relação aos bancos.
O desembargador Zuquim
demonstrou sensibilidade às preocupações do setor e se colocou à disposição
para analisar as solicitações apresentadas. Num gesto de colaboração, o
presidente do TJMT sugeriu a realização de uma mesa redonda que reunirá
magistrados atuantes em processos de recuperação judicial e representantes das
cooperativas de crédito que operam no estado.
O superintendente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso (OCB/MT), Frederico Azevedo, apresentou um panorama preocupante sobre o cenário da Recuperação Judicial no estado, com destaque para o setor do agronegócio. Segundo os dados apresentados, aproximadamente 60% dos processos de RJ em tramitação no Brasil concentram-se em Mato Grosso.
Azevedo também ressaltou a
significativa contribuição das cooperativas de crédito para a economia local.
Entre 2021 e 2023, R$ 3,32 bilhões das sobras dessas instituições foram
reinvestidos diretamente na economia mato-grossense, seja através da
distribuição entre os cooperados ou destinados a fundos de desenvolvimento
econômico e social. A projeção para 2024, no entanto, aponta para uma queda
estimada de R$ 500 milhões nessas sobras, evidenciando o impacto da crise
econômica e dos processos de RJ no setor.
Frederico Azevedo enfatizou
a natureza peculiar do cooperativismo de crédito, onde o lucro (sobra) é
revertido aos cooperados e o prejuízo é igualmente compartilhado,
diferenciando-se do modelo bancário tradicional, que afeta acionistas externos.
Mato Grosso conta com cinco sistemas de crédito e 19 cooperativas, totalizando 406 pontos de atendimento distribuídos em 134 municípios, alcançando expressivos 94,4% do território estadual. Essa ampla presença garante acesso a crédito, serviços financeiros e inclusão bancária em localidades onde bancos convencionais não atuam, sublinhando o relevante papel social e econômico das cooperativas. Com cerca de 1,41 milhão de cooperados, o sistema cooperativo de crédito já atinge diretamente 38,3% da população de Mato Grosso.
"Saímos felizes com o entendimento do Tribunal de Justiça. Mostramos números da preocupação da RJ e do importante papel na regulação da Recuperação Judicial que a Justiça tem. O TJ entende a necessidade e como a exclusão do ato cooperativo está previsto em legislação e isso é aplicado pelo Tribunal e outras ideias que foram sugeridas e muito bem recebidas pelo TJ, exatamente para que possamos ter receptividade tanto na concepção de um crédito mais barato para o mercado, mas de segurança jurídica para o cooperado na hora de pegar o crédito e atuar junto ao Judiciário", declarou Frederico Azevedo, superintendente da OCB/MT.
O presidente da OCB/MT,
Nelson Piccoli, também expressou otimismo após o encontro. "Saímos daqui,
praticamente, com o dever cumprido, por trazer um tema tão importante, que está
impactando tanto o setor produtivo quanto a sociedade e feliz, pela forma como
que os magistrados nos receberam, nos posicionaram. É uma preocupação deles
também, pois de uma forma geral, somos parte da sociedade que precisa que o
Judiciário atue corretamente para beneficiar a todos".
O assessor jurídico da
Sicoob Credisul, Renato Avelino de Oliveira Neto, veio de Rondônia, com três
colegas. A cooperativa atua em Rondônia, Acre, Amazonas e Mato Grosso.
“Nossa preocupação é com o
número elevado de RJs, que estão concentrando muito dinheiro nas cooperativas
de Mato Grosso. A reunião foi muito importante, o Tribunal de Justiça pontuou
muito bem. Já temos quase duas soluções, fomos muito bem recebidos”, afirmou o
advogado.
O juiz Márcio Guedes ressaltou a importância do diálogo entre o Judiciário e o setor cooperativista, enfatizando que a troca de informações revelou o significativo impacto social, além do econômico, desses processos. "Foi uma reunião muito importante porque é sempre bom, como magistrados, ouvirmos o outro lado. Eles trouxeram números mostrando o impacto social, mais do que econômico, quando se entra com uma RJ”, completou Guedes, evidenciando a complexidade e a abrangência das questões relacionadas à RJ no estado.
Marcia Marafon / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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