TJMT realiza 6º Mutirão Ambiental com mais de 300 processos em pauta para conciliação
Teve início nesta
terça-feira (22 de abril), no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, a 6ª
edição do Mutirão Ambiental de 1º Grau. A iniciativa, que se estende até o dia
29 de abril, reúne esforços interinstitucionais para promover a mediação e
conciliação de mais de 300 ações judiciais envolvendo questões ambientais no
estado de Mato Grosso.
A ação é resultado de uma
articulação entre o Poder Judiciário de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo
Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) e do Centro
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de 1º Grau, em parceria
com o Ministério Público Estadual (MPE), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente
(Sema-MT) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Durante a semana, mediadores
e conciliadores capacitados conduzem audiências com o objetivo de buscar
soluções amigáveis para conflitos envolvendo desmatamento ilegal, uso irregular
de recursos naturais e outras infrações à legislação ambiental. Entre os
participantes estão proprietários rurais, empresas e representantes do poder
público.
Para o gestor judiciário do
Cejusc Ambiental, Samir Padilha de Oliveira, o mutirão vai além da resolução de
processos já judicializados.
“O objetivo é resolver os
procedimentos, antes mesmo de surgir um procedimento cível ou até mesmo um
criminal. As pessoas podem resolver de maneira amigável, independentemente da
intervenção do Poder Judiciário nesses conflitos relacionados à questão
ambiental. Existem alguns procedimentos em trâmite nas comarcas de origem que
também serão objeto de possíveis acordos para tentar resolver neste momento”,
afirmou.
A gestora de apoio aos Cejuscs do
Nupemec, Renata Mauro Pinho, reforçou a relevância da atuação conjunta entre os
órgãos envolvidos.
“O Nupemec é mais uma vez
parceiro das instituições. Agora com o serviço ambiental também, trazendo a
pacificação social e a conciliação para as matérias ambientais, que até há
pouco tempo não se pensava muito. Essa comunhão de esforço entre as
instituições é muito importante e o Nupemec está à frente, realizando o termo
de cooperação técnica”.
A secretária de Estado de
Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, destacou o impacto direto da conciliação na
regularização ambiental e no cumprimento da legislação.
“Em nossos mutirões de
conciliação, temos mais de 50% de êxito na solução dos conflitos analisados.
Essa solução traz imediatamente a reparação de dano ou a correção da infração,
ao mesmo tempo em que são assumidos compromissos de efetuar o pagamento da
multa e trazer a solução definitiva para os processos de cadastro ambiental
rural ou licenciamento ambiental”.
Ela ainda ressaltou os
benefícios práticos para os envolvidos. “Sem sombra de dúvida, para o infrator,
ele estará em um ambiente em que será atendido com cordialidade, receberá
informações claras de como resolver e poderá sair desse mutirão com a solução
de todos os seus problemas ambientais, retornando para a legalidade. Poderá
voltar a exercer sua atividade dentro dos padrões corretos previstos na
legislação, além de recuperar o acesso ao crédito e à venda plena do seu
produto. Nosso objetivo é trazer pacificação para todas as questões que
envolvam a infração ambiental”.
O promotor de Justiça
substituto da Comarca de Apiacás e da 1ª Promotoria de Justiça de Juína,
Alberto Biazotto Júnior, também ressaltou os resultados positivos das edições
anteriores dos mutirões.
“Tem sido um sucesso, tanto
é que outras instituições e outros estados têm vindo para cá para verificar como
que nós fazemos. Tudo isso só é possível devido a esse diálogo construtivo e
cooperativo, respeitoso entre todas as instituições, sem jamais se descuidar da
legalidade e da proteção integral ao meio ambiente, mas também considerando as
questões socioeconômicas locais, para que consigamos pacificar essas lides, que
muitas vezes duram por anos”.
Na avaliação da advogada
Daniela Felber, o mutirão representa uma oportunidade única para regularização
das propriedades.
“O produtor, às vezes, fica
meio amarrado. Resolve uma parte do problema, mas ainda tem a esfera cível. E
aqui ele tem a oportunidade de resolver tudo num pacote só. Sair com a
propriedade já praticamente regularizada, não talvez na parte ambiental, mas
pelo menos a questão pecuária”.
O advogado Fabrício Renan
Pavan parabenizou o TJMT e os demais órgãos parceiros pelo trabalho conjunto.
“A gente vê uma interação
muito profícua entre os poderes e isso está refletindo na advocacia. É uma
oportunidade de fazer uma resolução conjunta, tanto da questão judicial,
através das ações de segurança pública, quanto das ações penais e dos autos de
infração das questões administrativas”.
O Mutirão Ambiental de 1º
Grau segue até a próxima segunda-feira (29), com audiências marcadas ao longo
do dia e atendimento às partes interessadas. A expectativa é de que a maioria
dos processos alcance desfecho positivo, com acordos formalizados e homologados
judicialmente — promovendo não apenas a resolução de litígios, mas também a
efetiva pacificação social e ambiental em Mato Grosso.
Flávia Borges / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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