CEJA-MT completa 25 anos promovendo lares, afetos e futuros
A
Comissão Estadual Judiciária de Adoção de Mato Grosso (CEJA-MT) celebrou, no
dia 22 de maio, 25 anos de uma trajetória profundamente humana, marcada por
histórias de encontros, recomeços e transformação. Mais que um marco
institucional, a data representa um quarto de século de dedicação à construção
de lares e à realização de sonhos, tanto de crianças quanto de famílias que
encontraram na adoção um caminho de amor.
Criada
pela Lei Estadual nº 7.285/2000, a CEJA surgiu com a missão inicial de cumprir
o disposto no artigo 52 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
especialmente no que se refere à habilitação de pretendentes estrangeiros. Mas,
ao longo dos anos, a Comissão expandiu as ações e se consolidou como referência
no apoio aos juízos das varas da infância e juventude de Mato Grosso,
garantindo agilidade, segurança e sensibilidade aos processos de adoção, sejam
nacionais ou internacionais.
“A
CEJA foi se fortalecendo ao longo do tempo. Ganhamos corpo, equipe técnica,
estrutura e, principalmente, propósito. Hoje, nossa missão é garantir que
nenhuma criança passe a infância inteira em acolhimento institucional.
Trabalhamos com o coração, porque lidamos com vidas”, afirma Elaine Zorget
Pereira, secretária-geral da CEJA.
Desde
a formalização da CEJA, foram milhares de adoções intermediadas em Mato Grosso.
Os números, embora significativos, contam apenas parte dessa história. Cada
adoção realizada representa a vitória do afeto sobre o abandono, da esperança
sobre a espera. São lares que se formaram, vínculos que se criaram, e futuros
que foram redesenhados a partir da dedicação de servidores, magistrados,
psicólogos e assistentes sociais que compõem a Comissão.
Um
exemplo disso é o trabalho desenvolvido em parceria com a Associação Mato-grossense
de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara),
onde a psicóloga Fernanda de Nadai Neves Bueno atua nos cursos
preparatórios para pretendentes à adoção.
“Costumamos
chamar o curso de ‘pré-natal da adoção’. Nele, os participantes compreendem os
aspectos emocionais, sociais e legais envolvidos nesse processo. É um espaço
para quebrar preconceitos, acolher dúvidas e construir uma parentalidade mais
consciente e amorosa”, relata a psicóloga.
O
curso é obrigatório, conforme determina a Lei nº 12.010/2009, e ocorre
regularmente na Escola dos Servidores do Poder Judiciário. São seis módulos
distribuídos ao longo de duas semanas, com temas que vão desde o vínculo
afetivo até as especificidades da adoção tardia.
A
partir de 2007 projetos como o Pequeno Cidadão, o Programa Padrinhos, o Depoimento
Especial e a ferramenta Busca Ativa passaram a compor o conjunto de ações coordenadas
pela CEJA. Em 2008, com a criação do Cadastro Nacional de Adoção pelo Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), e em 2019, com o advento do Sistema Nacional de
Adoção e Acolhimento (SNA), o trabalho ganhou ainda mais agilidade e alcance.
“Hoje, com o SNA, conseguimos visualizar todos os pretendentes e crianças disponíveis em nível nacional. Isso é o que chamamos de adoção sem fronteiras. Uma criança acolhida em Mato Grosso pode encontrar uma família no Rio Grande do Sul, ou até de fora do país, após todas as tentativas nacionais terem sido esgotadas”, explica Elaine.
A
CEJA atua também como instância fiscalizadora, acompanhando prazos, orientando
juízes, promovendo capacitações e mantendo um elo direto com as varas da infância
e juventude de todo o Estado. Essa atuação ganhou força com a criação do
Encontro Estadual da Infância e Juventude, que neste ano reunirá mais de 450
participantes em Cuiabá, em um esforço conjunto por aprimoramento e troca de
experiências.
A
juíza Anna Paula Gomes de Freitas, auxiliar da Corregedoria e responsável pela
pasta da CEJA, aponta a relevância da
Comissão, a qual ultrapassa o judiciário.
“A
CEJA contribui diariamente para garantir o direito à convivência familiar. Onde
o lar de origem não é possível, buscamos que cada criança encontre um novo lar,
um novo começo. E isso só é possível com uma atuação sensível e comprometida
com a infância”, disse.
O
desembargador José Luiz Leite Lindote, corregedor-geral da Justiça e atual
presidente da CEJA, destaca a importância da comissão dentro da estrutura do
Poder Judiciário. “A implantação da CEJA foi um marco. Trouxe regulamentação,
segurança e uma nova visão sobre a responsabilidade que temos com essas
crianças. É um compromisso do Judiciário com a vida.”
Membro
honorário da CEJA, o desembargador aposentado Paulo da Cunha fala da admiração dele
pelo trabalho realizado pela Comissão. “A adoção é um ato de amor. E a CEJA é
movida por esse amor. Parabenizo, em nome da Elaine, todos os servidores que
constroem essa história com dedicação. São anjos que trabalham para transformar
vidas”.
A
fala do desembargador aposentado reitera a celebração dos 25 anos como um
momento de reconhecimento aos servidores que dedicam as próprias vidas para
essa causa.
“Deus
me reservou esse trabalho. É um trabalho humanizado. Não lidamos com planilhas
— lidamos com vidas. Já vimos muitas histórias tristes, mas também vivemos
muitos momentos felizes. Cada adoção é uma vitória. E estar aqui, todos os
dias, é motivo de gratidão”, pontua a secretária-geral, reforçando ainda que o
trabalho é diário e valioso, na busca por um lar para cada criança.
A Ceja atualmente é composta por:
Membros Biênio 2025/2026
Des. José Luiz Leite Lindote
Presidente da CEJA
Desa. Antônia Siqueira Gonçalves
Vice-Presidente da CEJA
Desa. Helena Maria Bezerra Ramos
Desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
Gleide Bispo Santos
Juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá
Tiago Souza Nogueira de Abreu
Juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande
Paulo Roberto Jorge do Prado
Procurador de Justiça – Titular
Antônio Sérgio Cordeiro Piedade
Procurador de Justiça – Suplente
Paulo Henrique Amaral Motta
Promotor de Justiça - Infância e Juventude de Cuiabá
Secretaria
Anna Paula Gomes de Freitas
Juíza Auxiliar da Corregedoria - Responsável pelos assuntos da adoção
Elaine Zorgetti Pereira
Secretária geral da CEJA
Marielle Karina Nunes Ribeiro
Chefe de Divisão
Ivone Leite Moreira Moura
Assistente Social/Gestora Administrativa
Aretuza Wanesa de Deus Aburad Carvalhosa
Psicóloga
Nadir dos Santos Nadaf
Assistente Social
Onizete Monteiro Martinez
Assistente Social
Maria Elize Alves
Estagiária
Josiane Dalmagro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











