Comarca de Vera celebra 20 anos de pacificação social
O
desenvolvimento econômico sustentável e a garantia dos direitos sociais dos
quase 14 mil habitantes do município de Vera, a 458 quilômetros de Cuiabá, ao
norte do Estado, integram os trabalhos desenvolvidos pela unidade judiciária
local. A Comarca de Vera, além de promover a pacificação social, atua na
prevenção dos conflitos. Iniciativas como reflorestamento urbano, proteção da
mulher e direito à habitação compõem os trabalhos mais recentes da Comarca, que
celebra duas décadas nesta terça-feira (13 de maio).
Instalada
em 2005, a Comarca de Vera foi criada pela Lei Complementar n.º 166, de 13 de
abril de 2004. A unidade pertence à categoria de Entrância Inicial e conta hoje
com uma Vara de competência geral (Cível e Criminal).
Ao
longo desses anos, a presença do Judiciário no município garante o acesso aos
direitos da população, que atualmente demandam 1.556 processos, em sua maioria
de ações cíveis gerais, como casos de família, ações indenizatórias e execuções
fiscais e comuns. Ao todo, 14 servidores e 14 colaboradores atuam no Fórum.
Proteção às Mulheres
Os
casos de violência doméstica contra mulheres são os mais incidentes, com quase
um terço dos processos criminais. “Predominantemente os casos são de Maria da
Penha, considero uma situação endêmica do estado, não uma exclusividade da
região. Por isso, criamos a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica,
instalada com o apoio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de
Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
(Cemulher-MT)”, pontua o diretor do Foro, juiz Victor Lima Pinto Coelho.
Além
de Vera, outros 72 municípios possuem Redes de Enfrentamento à Violência
Doméstica, número que representa uma cobertura de 51% do Estado. O magistrado
explica que o espaço, construído em parceria com a Prefeitura, prestará
atendimentos psicológicos e sociais às vítimas. “Para elas receberem o
acolhimento e proteção necessária. A previsão é que a sala fique pronta em 30
dias”.
Direito à moradia
Pensar no futuro da cidade e no bem-estar social também está entre
as atuações dos servidores da Comarca de Vera. As mudanças causadas pela
instalação de um parque industrial de processamento agrícola na região são
acompanhadas de perto pela Justiça local, que busca dialogar com os Poderes
para garantir o crescimento sustentável.
“A expansão econômica trouxe benefícios como qualificação para a população local e empregos, mas também novos moradores para a região, que gerou um grave déficit habitacional”. Diante deste cenário, o juiz Victor Lima propôs ao Executivo Municipal a implantação do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) Progressivo para donos de lotes vagos, a construção de moradias e a criação de bairros.
“Sugeri o IPTU Progressivo aos donos de lotes vagos, para ser cumprida a função social desses espaços. A medida é importante para que esses locais não fiquem a mercê da especulação imobiliária e cheguem ao ponto de o preço da moradia ser insustentável e comecem a surgir habitações precárias, como barracas e lonas”, antevê o magistrado.
Sustentabilidade
A Comarca de Vera busca ainda a garantia de qualidade de vida da
população, por meio do reflorestamento urbano. Após enfrentar um período de
desmate nos canteiros da cidade, a Justiça local propôs medidas para o
desenvolvimento sustentável.
O resultado da provocação foi à reativação do viveiro municipal,
que agora produz mudas de árvores para o reflorestamento urbano da cidade.
O Fórum de Vera também realiza e participa de iniciativas de
promoção à acessibilidade, combate ao abuso e à exploração sexual infantil,
dentre outros. Também realiza campanhas de conscientização de temas como
adoção, entrega legal, violência doméstica, Maio Laranja, Agosto Lilás,
Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul.
O primeiro diretor do Foro
da Comarca foi Wendell Karielli Guedes Simplício, seguido pelo magistrado
Emerson Luís Pereira Cajango (atualmente juiz-auxiliar da presidência do TJMT)
Ricardo Alexandre Riccielli Sobrinho, a juízas Giovana Pasqual e Paula
Saíde B. M. M. Casagrande. Também foram diretores (as) os magistrados (as)
Alexandre Paulichi Chiovitti, Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque,
Adalto Quintino da Silva, Juliano Hermont Hermes da Silva, Daiane Vaz Carvalho
Goulart, Jorge Hassib Ibrahim, Fernando Kendi Ishikawa.
Priscilla Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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