Comissão Judiciária de Adoção completa 25 anos ajudando a transformar vidas
Há quase 10 anos, Rodrigo, então com 13 anos, teve sua vida
transformada e também transformou a vida do professor Willian Silva de Paula.
Rodrigo estava em um abrigo há quatro anos, à espera de uma família, em Campo
Verde. Willian, solteiro, sonhava em ser pai e realizava serviços voluntários
no abrigo.
Após ser habilitado no processo de adoção, o caminho de
Rodrigo e Willian se cruzou para formar uma família, que perdura até hoje.
Para transformar vidas e garantir o direito de uma família
às crianças e aos adolescentes, a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja)
foi criada no dia 22 de maio de 2000 (Lei Estadual n. 7.285/2000), prestando
auxílio aos juízos das varas da infância e juventude nos procedimentos
relativos à adoção nacional e internacional.
Para o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz
Leite Lindote, as atividades desenvolvidas pela Ceja são de fundamental
importância, na medida em que o Judiciário deve tutelar de forma integral o
direito de crianças e adolescentes acolhidos. “A implantação da Ceja foi um
marco no Poder Judiciário. Regulamentou a estrutura que permite uma adoção
segura no nosso Estado. A Ceja garante a integridade, a saúde e a dignidade das
crianças que estão acolhidas pelo Estado, aguardando uma família”, avaliou. “A
Ceja completa 25 anos cumprindo com seriedade sua missão: garantir que o
processo de adoção siga critérios legais, técnicos e humanos”, completou o
corregedor.
A magistrada Anna Paula Gomes de Freitas, juíza auxiliar da
Corregedoria, responsável pela pasta da Ceja, destaca que a contribuição da
comissão é diária para a causa da adoção e para o bem-estar da criança. “Todas
as ações são desenvolvidas para que a criança ou adolescente sempre possa estar
no lar biológico ou amada por uma família que não a biológica. A Ceja presta
auxílio a todos os juízes da infância e juventude, orientando em todas as
dúvidas e questionamentos sobre adoção e todas as situações”, destaca a
magistrada.
A secretária-geral da Ceja, Elaine Zorgetti Pereira,
trabalha na comissão desde 2007 e testemunhou muitas histórias de transformação
de vidas. Mas, em especial, em 2008, ela se recorda de que foi procurada por um
jovem homossexual que pretendia adotar uma criança. Na época, a lei não
permitia o cadastro de pretendentes LGBTQIAPN+ (sigla que abrange pessoas que
são Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexo, Assexuais, Pan,
Não-binárias e mais), Mesmo assim, ele foi orientado a fazer o pedido de
habilitação, foi então realizado um
estudo psicossocial, e o juiz da vara da infância autorizou a habilitação do
pretendente.
“Após ser habilitado no cadastro de pretendente, o rapaz se aproximou da criança e conseguiu a adoção. Foi um encontro maravilhoso. Depois, ele foi embora com a família e ficou sabendo de outro irmão desse menino disponível para adoção, ele voltou para o processo de adotar mais esse filho”, lembrou Elaine.

Dados: em Mato Grosso existem 606 crianças e adolescentes
acolhidos, sendo 71 aptos à adoção e 551 pessoas habilitadas que pretendem
adotar.
Habilitação: Para a habilitação de pretendentes a adoção é
preciso acessar o site https://ceja.tjmt.jus.br. A página virtual reúne todas
as informações sobre adoção. Antes de preencher o formulário a pessoa
interessada deverá participar do curso preparatório para pretendentes à adoção,
informações sobre o curso podem ser conseguidas na comarca onde o pretendente
reside.
Existe uma parceria entre o TJMT e Associação Mato-grossense
de Pesquisa e Apoio a Adoção (AMPARA), que é um grupo de apoio à adoção que
realiza o curso pré-natal de adoção, tanto de forma presencial como online.
Ações desenvolvidas pela Ceja:
Campanha Adotar é Legal: criada em 2007 para desenvolver a
cultura da adoção na população, levando informações sobre os procedimentos
legais.
Projeto Busca Ativa – Uma Família para Amar: divulga as
crianças e adolescentes institucionalizados/acolhidos e disponíveis para
adoção, visando inseri-los em família substituta.
Programa Família Acolhedora: tem por objetivo incentivar os
municípios a implantarem o serviço de acolhimento, preferencialmente ao
acolhimento institucional.
Programa Padrinhos: tem por finalidade proporcionar às
crianças e adolescentes que se encontram em acolhimento institucional ou
familiar vínculos externos à instituição, para fins de convivência familiar e
comunitária, nas modalidades padrinho afetivo, prestador de serviços e
provedor.
Campanha Entrega Legal: leva informações sobre a previsão legal de entrega voluntária de filho para adoção, antes ou após o nascimento (artigo 19-A do Estatuto da Criança e do Adolescente), de forma segura e sigilosa. A campanha também visa prestar informações sobre o tema da adoção e provocar uma reflexão sobre o assunto, promovendo, inclusive, o apoio social àquelas mães que entregam seus filhos para adoção, em vez de simplesmente abandoná-los por não terem condições de exercer a maternidade.
A Ceja atualmente é composta por:
Membros Biênio 2025/2026
Des. José Luiz Leite Lindote
Presidente da CEJA
Desa. Antônia Siqueira Gonçalves
Vice-Presidente da CEJA
Desa. Helena Maria Bezerra Ramos
Desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
Gleide Bispo Santos
Juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá
Tiago Souza Nogueira de Abreu
Juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande
Paulo Roberto Jorge do Prado
Procurador de Justiça – Titular
Antônio Sérgio Cordeiro Piedade
Procurador de Justiça – Suplente
Paulo Henrique Amaral Motta
Promotor de Justiça - Infância e Juventude de Cuiabá
Secretaria
Anna Paula Gomes de Freitas
Juíza Auxiliar da Corregedoria - Responsável pelos assuntos da adoção
Elaine Zorgetti Pereira
Secretária geral da CEJA
Marielle Karina Nunes Ribeiro
Chefe de Divisão
Ivone Leite Moreira Moura
Assistente Social/Gestora Administrativa
Aretuza Wanesa de Deus Aburad Carvalhosa
Psicóloga
Nadir dos Santos Nadaf
Assistente Social
Onizete Monteiro Martinez
Assistente Social
Maria Elize Alves
Estagiária
Assessoria de Comunicação
CGJ-MT
imprensa@tjmt.jus.br
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