Complexo dos Juizados adota práticas para uso consciente de recursos e gestão de resíduos
Dar novas utilidades aos
resíduos produzidos no Complexo dos Juizados Especiais ‘Desembargador José
Silvério Gomes’, em Cuiabá, é parte da rotina dos servidores e magistrados que
atuam no local. Mensalmente, a unidade economiza quase 65 mil litros de água
potável e evita que 220 quilos de borra de café sejam despejados no meio
ambiente. As duas iniciativas auxiliam para a efetivação do projeto-piloto
PLSComarcas, do Núcleo de Sustentabilidade do Poder Judiciário de Mato Grosso,
que durante 90 dias intensificou ações de conscientização e gestão responsável
dos recursos públicos em 8 unidades judiciárias. Dentre as novas iniciativas
previstas no plano está a criação de ilhas de impressão na unidade.
Com 38 anos de Judiciário, a
gestora administrativa do Complexo dos Juizados de Cuiabá, Maria
de Lourdes Duarte, acompanha a evolução das práticas sustentáveis no local. Sem
saber, a servidora promovia mudanças de hábitos entre os colegas. “Antes de
mudarmos para o novo prédio, eu já orientava as colaboradoras a guardarem as
borras de café. Lá não tinha um jardim e eu pedia para jogar onde tinha terra
nas proximidades. Eu a manipulava até ficar boa para colocar nos vasos. Já
aqui, temos o privilégio de ter um jardim, onde tem um espaço para receber
esses resíduos”.
Por dia, dez quilos de
borras de cafés são colocados no local que com os cuidados do jardineiro é transformado
em adubo, rico em nutrientes como potássio, nitrogênio e fósforo. O material,
utilizado nos jardins da unidade judiciária, é um exemplo de economia
regenerativa que também acontece com a reutilização da água condensada dos
condicionadores de ar. Neste processo, são gerados três mil litros d’água por dia,
armazenados em uma caixa de reuso com capacidade de 50 mil litros.
“É com essa água que
molhamos as plantas e fazemos a limpeza do estacionamento. No ano passado teve
uma obra nas proximidades que gerou muita poeira aqui. Se não fosse essa água
de reuso, não sei o que seria da gente”, recorda a gestora.
A partir da adesão ao
PLSComarcas, o Complexo dos Juizados Especiais fez o compromisso de ampliar as
iniciativas sustentáveis no espaço. Conforme o plano de trabalho foram
definidos indicadores de metas, como dar destinação correta a resíduos de
papel, plástico, metais, vidros, entre outros.
Uma das iniciativas prevê a
instalação de ilhas de impressora, que contribuirá para a redução de 50% dos
recursos. Atualmente, há 101 impressoras, com possibilidade de devolução de 40
impressoras.
“Já começamos as mudanças em
nossas quatro vans do Serviço de Atendimento Imediato (SAI) e o ônibus Juizado
Especial Itinerante (JEI), que usam impressoras, as quais demandam gastos com
manutenção, toner, energia. Fizemos o estudo de viabilidade e ficou autorizada
a mudança para uma mesa de assinatura digital”, explica à servidora.
PLSComarcas
O projeto-piloto PLSComarcas
realça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso com a sustentabilidade
e foi proposto no âmbito do Plano de Arrancada do Biênio 2025-2026. A partir de
ações pontuais, o projeto-piloto adotado em oito unidades judiciárias apresenta
soluções sustentáveis e tangíveis, que ocorrem mediante mudanças de hábitos e
gestão responsável dos recursos públicos.
Sob a coordenação do Núcleo
de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça são realizados levantamentos prévios
de indicadores de sustentabilidade e de cada unidade. A sondagem serve de base
para a construção de planos de ações individuais, aplicados no período de 90
dias (02 de fevereiro a 05 de maio). Para o cumprimento das metas, são
realizados treinamentos com servidores e terceirizados, além do monitoramento
dos indicadores propostos.
Para o projeto, foram
selecionados onze indicadores: consumo de energia elétrica, de água e esgoto,
de copos descartáveis, de papel e de combustível; ainda, gastos com material
gráfico, com veículos e telefonia, além da quantidade de impressões,
equipamentos de impressão e gestão de resíduos.
Com o encerramento do prazo,
os resultados serão mensurados e as iniciativas bem-sucedidas serão
reproduzidas nas outras 72 comarcas.
O Plano de Logística
Sustentável do TJMT prevê o monitoramento de 171 indicadores, agrupados em
vinte temas (Variáveis Gerais, Papel, Copos Descartáveis, Água Envasada,
Impressão, Energia Elétrica, Água e Esgoto, Gestão de Resíduos, Reformas e
Construções, Limpeza, Vigilância, Telefonia, Veículos, Combustível, Apoio ao
Serviço Administrativo, Aquisições e Contratações, Qualidade de Vida,
Capacitação em Sustentabilidade, Equidade e Diversidade, Descarbonização, e
Agenda 2030 na Prestação Jurisdicional).
Os temas constam da
Resolução CNJ n.º 400/2021, que também traz indicadores de desempenho mínimos
que servirão para avaliação do desenvolvimento ambiental, social e econômico da
instituição.
Núcleo
de Sustentabilidade
O Núcleo de Sustentabilidade
do Poder Judiciário de Mato Grosso, coordenado pelo desembargador Rodrigo
Roberto Curvo, é responsável por gerir ações sustentáveis do PJMT. Os trabalhos
são realizados a partir de projetos como o Plano de Logística Sustentável
(PLS), Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) e Plano Inicial de
Descarbonização. O núcleo também é responsável pela ferramenta Gestão Matricial
de Despesas, que consolida os dados monitorados pelo PLS.
Ainda fazem parte das
atribuições do Núcleo subsidiar a administração com informações que auxiliem na
tomada de decisão sob o aspecto social, ambiental, econômico e cultural, no
PJMT; estimular a mudança de padrões comportamentais quanto ao consumo
consciente; fomentar capacitações da força de trabalho e aplicação de ações de
melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho, além de outras
atividades.
Priscilla Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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