Cuiabá celebra cultura afro com apoio do Poder Judiciário em prol da equidade racial
O Centro Histórico, a Casa Centro
e o Museu de Imagem e Som de Cuiabá, se transformaram, de 15 a 17 de maio, em pontos
de encontros vibrantes, unindo arte, economia e saberes ancestrais, durante a
“Feira de Economias Criativas e Afrovivências Integradas”. Mais de três mil
pessoas prestigiaram a iniciativa, que teve como colaborador, o Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Comitê de Promoção da Equidade
Racial, sob a presidência do desembargador Juvenal Pereira da Silva.
O evento foi resultado da união
dos projetos “Potências Negras Criativas”, “Saberes e Sabores Quilombolas” e “Nas
Trilhas da Pequena África de Cuiabá” desenvolvidos no Estado e aprovados pela
Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e Secretaria de Cultura de Cuiabá.
Um dos momentos centrais da
programação foi a palestra da juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, coordenadora
do Comitê de Promoção da Equidade Racial do TJMT e representante do TJMT junto
ao Pacto Nacional de Equidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A
magistrada abordou o tema "Equidade e mobilização do Judiciário em ações
étnico-culturais". O objetivo da participação dela foi estreitar o relacionamento
do Judiciário com entidades que atuam em prol da equidade racial, reforçando o
compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso com a promoção da Justiça e da
igualdade nas diversas dimensões.
A magistrada destacou o trabalho
de esclarecimento realizado sobre a atuação do Judiciário em questões de
equidade na sociedade atual. "Fizemos muitos esclarecimentos sobre como o
Judiciário tem trabalhado as questões de equidade na sociedade atual. O
Judiciário tem se mobilizado, não é mais só aquele órgão julgador, está se
envolvendo com os movimentos sociais que interessam ao cidadão. Esclarecemos a
sociedade sobre a importância das ações afirmativas e das Comissões de
Heteroidentificação nos concursos públicos, por exemplo", afirmou.
Renata do Carmo Evaristo também
contextualizou a situação da população negra, mencionando que “a população
negra encontra-se num atraso de 137 anos, quando ocorreu a abolição da
escravatura e surgiram as discriminações e as desigualdades raciais".
Sobre a atuação do Comitê, explicou que a principal função é trabalhar a
equidade no âmbito do Poder Judiciário e ações conjuntas com a sociedade que
desenvolve a mesma temática, além de combater o racismo, a discriminação e
fortalecer a cultura dos afro-descendentes.
Os organizadores destacaram a
Feira como ação estratégica para valorizar a identidade negra, fomentar a
economia criativa afrocentrada, fortalecer laços comunitários e impulsionar
conhecimento para políticas inclusivas.
Manuel Silva, do Conselho
Estadual de Promoção da Igualdade Racial, avaliou a participação do Judiciário
como "uma quebra de paradigma de ‘poder elitizado’" que aproxima o
Judiciário da sociedade e a fortalece. "A partir do momento em que o
Comitê passa a participar conosco dessas atividades, vemos que as pessoas que
estão no Judiciário estão conhecendo nossa realidade de perto, estão ajudando a
promover campanhas contra o racismo, machismo, contra qualquer violação dos
Direitos Humanos. Isso é muito importante, tanto o Judiciário quanto a
sociedade têm a ganhar com essa integração nesses eventos de promoção da
igualdade racial".
Silviane Ramos, do projeto
Pequena África, enfatizou a união de forças para valorizar a potencialidade
negra e educar sobre a história local para promover o antirracismo, ocupando
espaços negados às pessoas negras. "É fundamental a participação do
Judiciário em eventos de igualdade racial para valorizar o patrimônio cultural
e romper com estereótipos racistas, com as perspectivas lombrosianas que
permeiam a Justiça brasileira".
Vasta programação
A programação contou com oficinas
formativas, debates sobre políticas públicas para a população negra e vivências
culturais. Uma feira de afroempreendedorismo exibiu produtos, moda, artesanato
e tecnologia de matriz africana. Um dos destaques foi a experiência sensorial
da culinária quilombola, que compartilhou histórias de resistência e saberes
transmitidos por gerações.
A Feira de Economias Criativas e
Afrovivências Integradas foi organizada por Gilda Portella, Maria das Dores
Ramos e Silviane Ramos, com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB),
Secretaria Municipal de Cultura de Cuiabá (Smcel) e do Conselho da Promoção da
Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT), além do Poder Judiciário de Mato
Grosso, que cedeu as camisetas promocionais do evento.
Teoria lombrosiana
A perspectiva lombrosiana, ou
teoria do criminoso nato, é uma teoria criminológica que sugere que certos
indivíduos são predispostos a cometer crimes devido a características físicas e
biológicas específicas, ou seja, que seriam "criminosos por natureza. A
teoria foi proposta pelo médico italiano Cesare Lombroso, no século XIX.
Foto 1: João Almeida
Frames: TV Justiça TJMT
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
25/08/2025 11:04
Racismo no futebol: presidente do Comitê de Equidade Racial do TJMT participa de seminário nacional
24/11/2025 18:39
Página do Comitê de Promoção da Equidade Racial traz manual de boas práticas e canal de denúncias
10/06/2026 13:36
TJMT abre inscrições para Curso de Letramento Racial e Práticas Antirracistas











