Esmagis-MT promove Módulo II de curso de formação continuada para juízes e juízas de Mato Grosso
A Escola Superior da
Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
(TJMT), deu início, nesta segunda-feira (26 de maio) ao Módulo II do curso de
formação continuada “Direito, Economia e Mercados”, voltado exclusivamente para
magistrados(as) da Justiça Estadual. A capacitação integra o programa de
formação para fins de vitaliciamento e promoção na carreira da magistratura.
Participam 12 magistrados de diversas comarcas do estado.
A formação, coordenada pelo juiz-auxiliar
da vice-presidência do TJMT e coordenador pedagógico da Esmagis-MT, Antônio
Veloso Peleja Júnior, é realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas
(FGV) Direito Rio, por meio de um Acordo de Cooperação Científica e Acadêmica,
que visa promover o intercâmbio de conhecimento entre o meio acadêmico e o
Poder Judiciário.
Com carga horária total de
40 horas-aula, o curso é ofertado na modalidade semipresencial, combinando
encontros presenciais, aulas síncronas (em tempo real) via plataforma Zoom e
atividades assíncronas na plataforma Moodle. A formação se estende até o dia 18
de julho de 2025 e exige frequência mínima de 75% para certificação.
A aula inaugural foi
ministrada pelo professor Rubens Sardenberg, diretor de Regulação Prudencial,
Riscos e Assuntos Econômicos e economista-chefe da Febraban (Federação
Brasileira de Bancos), além de professor da Fundação de Pesquisas Econômicas da
USP.
Crédito
e agronegócio em MT
Durante a aula “Crédito no
Desenvolvimento Econômico”, o professor destacou a importância do crédito como
motor do crescimento econômico. “O crédito permite que as famílias antecipem
consumo e que as empresas financiem investimentos e capital de giro. Se há mais
crédito, a economia cresce mais”, afirmou.
Conforme explicou, no
contexto mato-grossense, o agronegócio é uma das principais forças econômicas,
o crédito rural assume papel ainda mais relevante. O estado deve manter a
liderança nacional na produção de grãos na safra 2024/2025, com estimativa de
mais de 100 milhões de toneladas, sendo 47 milhões de toneladas de soja e 45
milhões de milho. Além disso, Mato Grosso é líder nacional na produção de
algodão, carne bovina, gergelim e etanol de milho.
De acordo com a Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do total de 6,70 bilhões de litros
produzidos em Mato Grosso, 5,62 bilhões têm como base o milho, o que faz com
que o estado responda por 68% da produção nacional de etanol de cereais.
“A atividade agrícola é, por
natureza, arriscada. Depende do clima, dos preços internacionais e de insumos
como fertilizantes. Por isso, o setor precisa de garantias bem definidas e de
decisões judiciais rápidas e previsíveis”, destacou Sardenberg.
O
papel do Judiciário no ambiente de crédito
O professor reforçou que o
Judiciário tem papel central na construção de um ambiente de negócios saudável.
“Quando há disputas sobre garantias, são os magistrados que decidem. Essas
decisões formam jurisprudência e moldam o ambiente de crédito. Uma decisão que
dificulte a recuperação de garantias pode encarecer o crédito no futuro”,
explicou.
Sardenberg também apresentou
aos magistrados mecanismos de proteção como o mercado futuro e os contratos de
hedge, que ajudam produtores a se protegerem de oscilações de preços. “Esses
instrumentos estão crescendo e são fundamentais para reduzir riscos no setor
agrícola”, disse.
Uma
mensagem aos magistrados
Perguntado sobre qual a mensagem mais importante gostaria que os magistrados do TJMT levassem da aula para aprimorar sua atuação profissional, o professor disse que “o crédito depende de garantias, de informações e de um ambiente institucional estável. O Judiciário, ao decidir com previsibilidade e celeridade, contribui diretamente para o crescimento econômico. Cada decisão judicial tem o poder de estimular ou desestimular o crédito no país”.
A
visão dos magistrados
A juíza Flávia Catarina
Oliveira de Amorim afirmou que a formação representa uma mudança significativa
na forma como os magistrados compreendem os impactos econômicos de suas
decisões. “Esse é o terceiro curso que faço na área, e o conhecimento é
fundamental. Muda a mentalidade de como o magistrado enxerga questões técnicas,
contratuais e bancárias. Começamos a ver os casos sob outra ótica”, afirmou.
Ela reforçou a importância
de alinhar o Direito à realidade econômica da sociedade. “A economia é o que
acontece na prática, é a realidade do cidadão que vem buscar a Justiça. Se
temos que aplicar o Direito, precisamos ter consciência de que a economia é
parte dessa realidade. Não adianta o magistrado dar uma decisão que, fora do
fórum, não seja viável.”
De acordo com a magistrada, o curso também impacta positivamente a vida pessoal dos participantes. “Além de tudo, agrega como pessoa. O magistrado passa a ter outra postura diante da própria vida financeira e econômica. A Escola da Magistratura de Mato Grosso está de parabéns por ofertar esse curso. Espero que venham muitos outros.”

O
Curso
Com carga horária total de
40 horas-aula, o curso é ofertado na modalidade semipresencial, combinando
encontros presenciais, aulas síncronas via plataforma Zoom e atividades
assíncronas na plataforma Moodle. A formação se estende até o dia 18 de julho
de 2025 e exige frequência mínima de 75% para certificação.
Conteúdo
Estratégico e Atual
A proposta pedagógica do
curso visa capacitar os magistrados para atuarem com maior segurança e
profundidade em temas relacionados à regulação econômica, defesa da
concorrência, acesso ao crédito e infraestrutura. Os conteúdos estão organizados
em quatro módulos: Defesa da Concorrência e do Consumidor, Crédito no
Desenvolvimento Econômico, Instituições Financeiras e sua Regulação e Infraestrutura
e sua Regulação.
Entre os docentes convidados
estão especialistas renomados como Patrícia Sampaio (FGV Direito Rio), Rubens
Sardenberg (Febraban), José Gabriel de Assis e Thiago Araújo (FGV/EPGE).
Metodologia
Ativa e Avaliação Formativa
A metodologia do curso
combina aulas expositivo-dialogadas, estudos de caso, simulações práticas e
fóruns de discussão. O objetivo é promover a aplicação prática dos conceitos
econômicos e jurídicos no cotidiano da magistratura.
A avaliação será formativa e
contínua, considerando a participação nas atividades, a entrega de um registro
reflexivo final e a assiduidade. Os participantes que obtiverem conceito
“Aprovado” e frequência mínima receberão certificado de conclusão.
Avaliação
de Impacto
Além da avaliação de
aprendizagem, a Esmagis-MT realizará uma avaliação de impacto, 30 dias após o
encerramento do curso, com o objetivo de verificar a aplicação prática dos
conhecimentos adquiridos na atividade judicante.
Referências
de Excelência
A bibliografia do curso
inclui obras clássicas e contemporâneas de autores como Robert Bork, Frank
Easterbrook, Friedrich Hayek, Paula Forgioni, entre outros, além de publicações
do CADE, Banco Central e literatura especializada em regulação e economia.
Marcia Marafon / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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