Fórum Estadual de Juízes da Infância e Juventude de Mato Grosso é instalado durante evento no TJMT
Num momento memorável para a
proteção dos direitos de crianças e adolescentes, foi oficialmente instalado o
Fórum Estadual de Juízes da Infância e Juventude do Estado de Mato Grosso
(Foeji-MT), na tarde desta quinta-feira (29 de maio), durante o 4º Encontro
Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizado no
Plenário 1 do TJMT, em Cuiabá. A iniciativa nasceu de uma articulação entre
magistrados e instituições comprometidas com a causa infanto-juvenil e com o apoio
da Associação Brasileira de Magistrados da Infância e Juventude (Abraminj). Durante
a cerimônia, foi apresentada e aclamada por unanimidade a primeira diretoria do
Foeji-MT, para o biênio 2025/2026, composta por cinco magistrados com ampla
experiência na área. O Estatuto do Foeji-MT também foi aprovado.
O espaço institucional visa
fortalecer a articulação entre os diversos órgãos que atuam na área, promovendo
o diálogo, a integração e o aprimoramento das políticas públicas. Inspirado
pelo Fórum Nacional da Infância e Juventude, instituído pelo Conselho Nacional
de Justiça (CNJ), em 2016 (Resolução nº 231), o fórum estadual está alinhado à
Resolução Nº 231 de 28/06/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Compromissos
A juíza Gleide Bispo Santos,
titular da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá,
eleita presidente do fórum, expressou sua emoção e compromisso com a nova
missão. “Para mim é uma alegria muito grande ser eleita por aclamação como a
primeira presidente do Foeji. Estou na [Vara da] Infância há quase 14 anos, sou
apaixonada pelo tema. Acredito que o fórum será um espaço de discussão, de
apoio emocional e de construção coletiva. Coloco toda minha força de trabalho à
disposição e espero corresponder.”
A juíza Leilamar Aparecida
Rodrigues, da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, coordenou
os trabalhos para a implantação do Foeji em Mato Grosso, como coordenadora da
Abraminj, e destacou que o fórum permitirá a troca de experiências, a
construção de enunciados e o fortalecimento da atuação conjunta. “É um momento
de compartilhamento e de crescimento, para construirmos um atendimento melhor
para nossas crianças e adolescentes.”
A juíza-auxiliar da Corregedoria
Geral de Justiça (CGJ-MT), Anna Paula Gomes de Freitas, responsável pelo eixo
da Infância e Juventude da Corregedoria, participou da solenidade e assinou a
ata de instalação do Foeji-MT, representando o juiz-auxiliar da presidência, Túlio Duailibi Alves Souza,
coordenador da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJMT.
Diretoria do Foeji-MT (Biênio 2025/2026)
Presidente - Juíza Gleidi Bispo
dos Santos - Titular da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da
Comarca de Cuiabá
1º Vice-Presidente: Juiz Tiago
Souza Nogueira de Abreu - Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca
de Várzea Grande
2ª Vice-Presidente: Juíza Maria
das Graças Gomes da Costa - Vara Especializada da Infância e Juventude da
Comarca de Rondonópolis
1º Secretário: Juiz Pierro de
Farias Mendes - Núcleo de Atuação Estratégica – NAE – Comarca de Cuiabá
2ª Secretária: Juíza Leilamar
Aparecida Rodrigues - 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca
de Cuiabá
Apoio nacional
Durante a cerimônia, o juíz Hugo
Gomes Zaher, juiz auxiliar da Infância e Juventude da Comarca de Campina Grande,
no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e vice-presidente da Abraminj,
destacou a importância da criação de fóruns estaduais. “Espaços como este
renovam nossas energias e propósitos. Atuar na Infância e Juventude exige
engajamento e resiliência, pois os desafios são constantes. A Abraminj tem
incentivado a formação de fóruns estaduais em todo o país, pois além de
fortalecer a atuação local, essas iniciativas alimentam os debates nacionais e
promovem melhorias concretas no sistema de Justiça. Contem conosco para seguir
avançando na garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes.”
A juíza Juliana Martins, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) representou o Fórum Nacional de Juízes e Juízas da Infância e Juventude (Fonajup), durante a solenidade, destacou a importância da atuação conjunta na área.
“Na infância, não basta aplicar a lei de forma fria.
Precisamos dialogar com equipes multidisciplinares, Conselho Tutelar, com os
serviços de saúde mental, e construir soluções que nem sempre estão claramente
previstas na legislação. Fóruns como este são fundamentais para isso. Eles nos
permitem pensar juntos, trocar experiências e formular enunciados que orientam
nossa atuação no dia a dia.”
A magistrada reforçou o papel
estratégico do Foeji como espaço de construção de propostas que podem ser
levadas ao debate nacional. “Esperamos que o Foeji discuta temas relevantes da
infância e juventude em Mato Grosso e que essas discussões possam ser levadas
ao Fonajup. Lá, transformamos essas contribuições em enunciados que ajudam
juízes de todo o país a encontrar as melhores soluções para os casos
concretos.”
Fortalecendo a Rede de Proteção
A instalação do Foeji-MT reflete
os objetivos do Fórum Nacional da Infância e da Juventude (Foninj), instância
do CNJ dedicada a coordenar e propor medidas para aprimorar a prestação dos
serviços do Poder Judiciário na área da infância e juventude.
De forma análoga, os Fóruns
Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente (FEDCA) atuam nos estados e
no Distrito Federal para fortalecer a defesa e o controle social de políticas e
ações voltadas à garantia desses direitos. Compostos por representantes da
sociedade civil, órgãos públicos, ONGs e Conselhos Tutelares, os FEDCA são
espaços essenciais de diálogo e articulação entre os diversos atores da rede de
proteção.

O 4º encontro foi realizado nos
dias 29 e 30 de maio e tem como objetivo fortalecer a atuação integrada na
garantia dos direitos da infância e juventude. O evento, promovido em parceria
entre o Poder Judiciário de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual, reuniu
uma vasta gama de especialistas para debater temas cruciais como saúde,
educação, acolhimento familiar, violência sexual, depoimento especial, entrega
voluntária e medidas socioeducativas.
A programação, que contou com
transmissão online, incluiu palestras, debates e apresentações voltadas para
magistrados, promotores de Justiça e profissionais da área. Temas como a
efetivação de direitos fundamentais (saúde e educação), prevenção à violência
sexual, depoimento especial, entrega voluntária e medidas socioeducativas foram
amplamente discutidos.
Dados alarmantes
A relevância do evento é
reforçada pelos alarmantes dados sobre a violência infantojuvenil. No Brasil, o
Atlas da Violência 2025, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que a cada
hora, 13 crianças e adolescentes são vítimas de algum tipo de violência sexual,
física ou psicológica, totalizando mais de 115 mil vítimas por ano.
Em Mato Grosso, o cenário é
igualmente preocupante. Dados do Poder Judiciário Estadual indicam um aumento
de 21% no número de processos por estupro de vulnerável entre 2023 e 2024,
passando de 1.714 para 2.082 casos. Nos primeiros quatro meses de 2025, já foram
distribuídos 627 novos casos, conforme informações extraídas do Painel Litígio
Analítico da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ).
Marcia Marafon / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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