Justiça Restaurativa avança com Cìrculos de Paz em Sorriso
A juíza de Direito Paula
Saide Biagi Messen Mussi Casagrande, coordenadora do Centro Judiciário de
Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Sorriso (397km de Cuiabá), em
parceria com o Núcleo da Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso (Nugjur), promove nesta quarta-feira (21 de maio), no Plenário do Júri
da Comarca, palestra e aula inaugural “Processos Circulares como Ferramenta
Pedagógica”. A iniciativa marca a continuidade das ações da Justiça
Restaurativa no município e visa aprofundar o entendimento sobre os processos
circulares como instrumento de transformação social e pedagógica.
A atividade é voltada
para profissionais da educação, servidores do Judiciário, membros de
secretarias municipais e facilitadores da Justiça Restaurativa, ampliando o
debate sobre o uso dos Círculos de Construção de Paz como estratégia de
prevenção e resolução de conflitos em diferentes contextos sociais.
“É com grande
satisfação que reconhecemos o trabalho exemplar desenvolvido pelos
Facilitadores de Paz da Comarca de Sorriso, que já realizaram mais de 200
Círculos de Construção de Paz apenas nos primeiros quatro meses deste ano”,
afirma a juíza Paula Saide Biagi Messen Mussi.
A magistrada explica
que essa iniciativa, amparada pela Lei Municipal nº 3.366 de 2023, representa
um avanço significativo na promoção de uma cultura de paz, especialmente no
ambiente escolar.
“Grande parte dos
círculos já realizados foi conduzida com alunos da rede municipal de ensino,
como parte do Programa Municipal de Práticas de Construção de Paz nas Escolas.
A proposta é fomentar um ambiente mais inclusivo, saudável e acolhedor nas
instituições de ensino, enfrentando questões sensíveis como bullying e racismo
com base no diálogo, na empatia e no fortalecimento dos vínculos entre os
participantes”, disse.
Além das escolas
municipais, a Escola Militar Tiradentes, vinculada à rede estadual, também
passou a integrar o programa em 2025, sendo contemplada com círculos voltados à
promoção de um espaço de escuta e compreensão, especialmente em situações de
conflito. A metodologia aplicada visa criar um espaço seguro e respeitoso, no
qual os participantes possam refletir sobre suas ações e sentimentos,
promovendo a responsabilização e o pertencimento.
“Os resultados
observados demonstram que o diálogo, a empatia e o fortalecimento dos vínculos
são ferramentas poderosas na prevenção e resolução de conflitos. A Justiça
Restaurativa, por meio dos círculos, tem se mostrado eficaz no enfrentamento de
questões sensíveis, promovendo um espaço seguro, respeitoso e acolhedor para
todos”, reforçou a juíza.
A atuação da Justiça
Restaurativa em Sorriso extrapolou o ambiente escolar e passou a abranger
outros setores da administração pública. A Secretaria da Mulher e da Família
(Semfa) adotou os Círculos de Paz como prática institucional e já realizou 30 círculos
de paz, envolvendo cerca de 350 participantes, com enfoque inicial na
valorização da mulher e expansão gradual para outras temáticas sociais.
A prática também está
presente na Secretaria Municipal de Saúde, por meio de rodas promovidas com o
apoio da Comissão de Integração de Ensino e Serviço (CIES), e vem sendo
ampliada com o apoio da Escola de Gestão.
Para a magistrada, o
fortalecimento dessas ações representa um passo importante para a consolidação
de uma justiça mais próxima da comunidade. “Como Coordenadora da Justiça
Restaurativa, reafirmo nosso compromisso com a construção de uma justiça mais
humana, próxima da comunidade e voltada à transformação social. Os Círculos de
Paz não apenas resolvem conflitos, mas também constroem pontes e restauram
relações”, finalizou Paula.
Josiane Dalmagro / Foto: Alair Ribeiro / Divulgação
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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