Magistradas do PJMT prestigiam sessão solene de instalação da Procuradoria da Mulher de Sinop
Quatro juízas do Poder Judiciário
de Mato Grosso (PJMT) prestigiaram a sessão solene de instalação da
Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Sinop, nesta segunda-feira (19 de
maio). A vereadora Sandra Donato, única parlamentar mulher da atual gestão, foi
empossada como procuradora. A Procuradoria tem como objetivo fortalecer a luta
contra as diversas formas de violência e discriminação e trabalhará em parceria
com o Conselho da Mulher, a Delegacia da Mulher e a Rede de Enfrentamento e
Combate à Violência contra as Mulheres de Sinop.
Essas Redes são instaladas nos
municípios pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência
Doméstica e Familiar do PJMT (Cemulher), que apoia as iniciativas do Poder
Público na implementação de políticas públicas de prevenção e combate às
violências, e na defesa das mulheres em situação de vulnerabilidade.
Atualmente, 73 Redes de Enfrentamento estão em atividade em todo o estado.
Judiciário presente
A juíza Ana Graziela Vaz de
Campos Alves Corrêa, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher da Comarca de Cuiabá, representou a Cemulher no evento. As
juízas Rosângela Zacarkim, titular da Vara de Violência Doméstica e Familiar de
Sinop; Melissa de Lima Araújo, diretora do Foro da Comarca de Sinop, que atua
na Vara Especializada da Infância e Juventude; e Débora Roberta Pain Caldas, do
2º Juizado Especial de Sinop, também participaram da solenidade.
Durante a fala, a juíza Ana
Graziela abordou a alarmante realidade da violência contra as mulheres em Mato
Grosso, Estado que ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de feminicídios
pelo segundo ano consecutivo. Ela destacou a imprescindível necessidade de uma
ação conjunta e efetiva dos Poderes Executivo e Legislativo, com a destinação
de recursos orçamentários significativos para a implementação de políticas
públicas voltadas ao enfrentamento dessa grave questão. “Sem orçamento,
senhores vereadores e prefeito, não conseguimos mudar esse cenário”.
Ana Graziela expressou
reconhecimento e acompanhamento do trabalho essencial realizado pela Rede de
Enfrentamento de Sinop, mencionando a atuação das juízas Débora Paim e
Rosângela Zacarkim. Contudo, ressaltou que "é trabalho voluntário, mas só
com voluntariado não vamos conseguir mudar essa temática".
A magistrada também falou sobre a
urgência de investir em prevenção, com a criação de políticas públicas
primárias direcionadas à educação das jovens nas escolas, visando evitar que
ingressem no ciclo da violência. Além disso, apontou para a necessidade de
amparo e suporte às mulheres que já são vítimas e às famílias devastadas pelo
feminicídio. “Precisamos de orçamento para trabalhar na prevenção. E precisamos
de políticas públicas primárias para que aquela menina que está no banco
escolar não entre no sistema. E para aquela mulher que, infelizmente, caiu no
sistema, para aquelas famílias que foram destruídas pelo feminicídio,
precisamos dar o amparo”, concluiu a magistrada.
A juíza Rosângela Zacarkim
afirmou que a recém-instalada Procuradoria da Mulher tem um papel crucial na
prevenção da escalada da violência doméstica. A magistrada explicou que "a
violência doméstica tem um ciclo espiral que vai crescendo". Ela enfatizou
que a união da sociedade na detecção precoce do problema, aliada à oferta de
suporte adequado à família e à mulher, como colocação no mercado de trabalho e
apoio psicológico, representa uma intervenção significativamente mais eficaz.
"Tenho certeza de que a Procuradoria da Mulher é uma aliada forte no
combate à violência doméstica em Sinop e na região".
A procuradora recém-empossada,
Sandra Donato, também se mostrou preocupada com a estatística de feminicídio no
Estado e a realidade da violência velada em Sinop, justificando a urgência da
criação da Procuradoria. “A Procuradoria da Mulher nasce em nossa cidade como
um instrumento de transformação social, um espaço institucional dentro da Casa
Legislativa que irá fiscalizar, propor e acompanhar políticas públicas voltadas
à proteção dos direitos das mulheres. Será um canal direto para denúncias, para
escuta qualificada e para articulação com a rede de proteção e apoio, composta
por órgãos do poder público, sociedade civil e instituições parceiras”,
explicou.
Experiência da Procuradoria da ALMT
A deputada estadual Janaína Riva,
procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa (ALMT), participou da sessão
solene e avaliou como "profícua" a experiência da Procuradoria da
ALMT, criada em 2022. Ela relatou o recebimento de denúncias de violência
física, psicológica e patrimonial, com destaque para os casos mais recorrentes,
que são de violência doméstica, pedidos de pensão e proteção familiar.
Segundo Janaína, a Procuradoria
se tornou um "elo" eficaz entre os poderes Legislativo, Executivo e
Judiciário, dando voz a mulheres com dificuldades ou omissão estatal. A
deputada acredita que a Procuradoria da Mulher de Sinop terá impacto
semelhante, auxiliando mulheres na busca por Justiça, seja acelerando processos
ou solicitando medidas protetivas.
Metas da Procuradoria da Mulher
Dentre as metas estabelecidas
para a Procuradoria, destacam-se o acompanhamento da implementação de políticas
públicas voltadas às mulheres, a fiscalização de programas estaduais e municipais
de promoção da igualdade de gênero, a realização de campanhas educativas e
antidiscriminatórias e a organização de seminários, palestras e pesquisas sobre
a violência contra a mulher e a representação política feminina.
Redes de Enfrentamento
As Redes de Enfrentamento da
Violência contra a Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT),
coordenadas pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência
Doméstica e Familiar (Cemulher), são articulações interinstitucionais e
multidisciplinares que visam combater, prevenir, assistir e garantir os
direitos das mulheres vítimas de violência no estado.
Dentre os objetivos, destacam-se
o fortalecimento da articulação entre os diversos órgãos e serviços que atuam
no enfrentamento da violência contra a mulher, como o Judiciário, Executivo
(nas áreas de assistência social, saúde, segurança pública), Ministério
Público, Defensoria Pública, Polícia Civil e Militar, Conselhos Tutelares,
organizações da sociedade civil e a própria comunidade; e a promoção do
atendimento integral e humanizado às mulheres em situação de violência,
buscando romper o ciclo de violência e reduzir a revitimização.
Em Mato Grosso, a Cemulher tem
atuado ativamente na instalação e no fortalecimento dessas Redes em diversos municípios,
buscando a adesão de prefeituras e a articulação dos diferentes participantes
para garantir uma atuação mais eficaz no combate à violência contra a mulher.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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