TJMT promove encontro sobre inovação jurídica e uso da inteligência artificial
Com foco em inovação,
produtividade e humanização do sistema de justiça, o Tribunal de Justiça de
Mato Grosso (TJMT), em parceria com o Instituto Mato-grossense de Advocacia
Network (IMAN), realizou nesta quinta-feira (22.05) o “Encontro de Inovação
Jurídica e Inteligência Artificial para os Operadores do Direito”, reunindo
advogados, juízes, servidores e especialistas no Auditório Gervásio Leite, na
sede do TJMT, das 8h às 11h30.
Representando o presidente do
TJMT, desembargador José Zuquim, o juiz- auxiliar da Presidência do TJMT,
Emerson Cajango, foi direto ao ponto ao abrir o evento:
“A coqueluche do momento é a
inteligência artificial. E a pergunta que precisamos fazer não é se ela vai
substituir nosso trabalho, mas como ela pode nos auxiliar. Não vamos perder
emprego para a IA, mas para quem souber utilizá-la melhor do que nós”, afirmou,
ao destacar a importância do letramento digital como ferramenta de qualificação
e eficiência no sistema de justiça e o papel da inteligência artificial como
aliada do tempo, da produtividade e da comunicação no universo jurídico.
A presidente do Iman, Tatiane Barros Ramalho, esteve presente no evento. “Hoje vivenciamos um momento marcante no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, com a realização do evento sobre Inteligência Artificial e Marketing Jurídico, promovido pelo IMAN – Instituto Mato-Grossense de Advocacia Network em parceria com o Tribunal".
De acordo com Tatiane Ramalho, foi uma manhã de "aprendizado, conexão e transformação. Reunimos nomes de referência nacional como Cleyton Mendes e Brenda Viana para debater o presente e o futuro da advocacia, demonstrando que inovação e tecnologia são aliadas indispensáveis da Justiça. Acredito profundamente que a tecnologia não veio para substituir advogados, mas para substituir os profissionais que não souberem utilizá-la com inteligência, estratégia e propósito. A advocacia não será extinta, mas certamente será superada por quem entende o universo digital e coloca a inovação a serviço da cidadania", afirmou.

O evento teve como destaque a
palestra do advogado e especialista em inteligência artificial aplicada ao
Judiciário, Cleylton Mendes Passos, que abordou o tema “A Inteligência
Artificial na Prática Jurídica”,
“A inteligência artificial não
veio para substituir o humano, mas para devolver a ele o que há de mais
precioso: tempo. Tempo para pensar, tempo para planejar, tempo para fazer o que
só nós, humanos, sabemos fazer”, Cleylton.
Para ilustrar bem o impacto dessa
frase, o especialista apresentou ferramentas úteis para advogados, magistrados
e servidores, demonstrando como o uso inteligente de plataformas como ChatGPT,
Perplexity, Manus e outras pode transformar tarefas repetitivas em decisões
estratégicas baseadas em dados reais. “Se a gente tiver uma hora a mais no dia,
vai usar para ser mais humano, não para se robotizar”, disse ele.
Em sua análise, o Brasil vive um
momento de revolução silenciosa no Judiciário. “Hoje são mais de 140 projetos
de IA nos tribunais brasileiros, como o projeto VITOR(IA), do STF, e aqui no
TJMT, o Lexia, desenvolvido com o desembargador Luiz Octávio Saboia. Isso
mostra que o futuro não é mais uma previsão, ele já começou”.
Segurança da informação também
foi tema central. O especialista abordou as objeções sobre o uso de dados
sensíveis em plataformas de IA, propondo alternativas práticas como a
anonimização e a adoção de boas políticas de governança. “Se armazenamos nossos
processos no Google Drive ou Dropbox, por que não considerar o uso responsável
de ferramentas de IA, respeitando as normas de proteção de dados?”, provocou.
Já a advogada e especialista em
Direito Civil e Neurociência aplicada ao Direito, Brenda Viana, trouxe uma
perspectiva complementar com a palestra “Marketing Jurídico e Posicionamento
Digital: !Como Monetizar a Presença nas Redes”. Segundo ela, a comunicação
eficiente também é uma ferramenta de transformação na Justiça.
“Hoje não basta ser bom. É
preciso parecer bom e comunicar isso com autenticidade. Muitas vezes, a
população desconhece serviços inovadores do Judiciário, como a reclamação
pré-processual, porque isso não é comunicado de forma estratégica”, afirmou.
Para ela, o segredo está na humanização e na presença ativa dos representantes,
ou seja, as personificações humanizadas do judiciário, nas redes sociais.
A especialista defendeu que
juízes, servidores e advogados podem e devem se posicionar digitalmente para
aumentar a confiança da sociedade nas instituições. “As pessoas se conectam com
pessoas, com histórias reais. O institucional tem seu papel, mas é a presença
individual que gera engajamento verdadeiro.”
O público presenciou ainda demonstrações práticas de uso de IA, como elaboração de petições, análise de dados processuais e criação de estratégias jurídicas com o apoio de ferramentas digitais. Cleylton enfatizou que não é preciso saber programar para utilizar essas tecnologias. “Se você sabe digitar, você já pode começar. Basta saber o que perguntar e oferecer contexto correto e mais completo possível”.
Josiane Dalmagro / Foto: Lucas Figueiredo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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