Cemulher-MT incentiva a instalação de ‘Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência Doméstica’
Com o objetivo de promover uma
mudança cultural e comportamental essencial para a prevenção da violência
doméstica e familiar, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de
Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso
(Cemulher-MT) vem intensificando seus esforços para expandir e fortalecer os
‘Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência Doméstica e Familiar’ em
todo o estado. A iniciativa visa cumprir as diretrizes nacionais, bem como
demonstrar a eficiência e os benefícios desses grupos.
O papel transformador dos Grupos Reflexivos
Os grupos reflexivos são espaços
de diálogo e conscientização, obrigatórios para homens em processo judicial
pela Lei Maria da Penha e com medidas protetivas. No entanto, também são acessíveis
por iniciativa própria, reforçando seu papel na prevenção e na busca por uma
mudança de comportamento. Eles incentivam os participantes a refletir sobre
suas ações e a entender as raízes da violência, contribuindo para a construção
de relações mais saudáveis e respeitosas.
Mato Grosso é um estado pioneiro
na implementação desses grupos, com ações iniciadas em 2021, antes mesmo das
recomendações formais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A exceção é a
Comarca de Barra do Garças, que trabalha com o grupo de homens há mais de 10
anos. Atualmente, o TJMT, por meio da Cemulher-MT, desenvolve programas em 21
comarcas do estado, promovendo a reflexão e a responsabilização de agressores
autuados pela Lei Maria da Penha.
Nas conversas em grupo, são abordados
temas como mitos e verdades sobre violência de gênero, desconstrução da cultura
de violência, gênero e violência contra a mulher, lei Maria da Penha,
responsabilidade pelos atos e saúde do homem. Além disso, antes e depois das
sessões de conversa em grupo, cada participante passa por uma entrevista
individual com a equipe técnica, composta por psicólogo e assistente social.
O juiz Antônio Carlos Pereira de
Souza Junior, da 2ª Vara Criminal, Especializada em Violência Doméstica da
Comarca de Cáceres (218 km de Cuiabá), enfatiza a importância da interação
pessoal para a efetividade das medidas protetivas e a eficácia dos grupos para
homens autores de violência como ferramenta de reflexão e transformação.
"A medida protetiva deve
estar acompanhada de ações que toquem o indivíduo. Quando esses homens vêm ao
Fórum, conversam com a delegada e com o juiz, há uma quebra dessa frieza. Há
uma aproximação que permite a reflexão e a conscientização, tirando a medida do
papel e tornando-a um instrumento de transformação real", afirmou.
Na Comarca de Barra do Garças, o
Grupo Reflexivo para Homens funciona há mais de 10 anos e apresenta “resultados
excelentes”, de acordo com o juiz Marcelo Melo, da 2ª Vara Criminal de Barra do
Garças (a 509 km a leste de Cuiabá). O grupo contabiliza centenas de homens
atendidos, não só autores de violência, mas também aqueles que sentem a
necessidade de buscar ajuda para rever suas atitudes e crenças.
“Via de regra, o grupo reflexivo
funciona de duas formas: por determinação do juiz ou por ato de voluntariedade.
Aqui em Barra do Garças, a pessoa pode procurar o grupo reflexivo. Naquele
espaço, os homens vão tratar de assuntos que eles nunca falariam em nenhum
outro ambiente. Por exemplo, saúde do homem. É interessante porque os estudos indicam
que isso impacta na violência contra a mulher. O homem tem mais comportamento
de risco, ele não se cuida, então a gente tenta desconstruir essas regras no
grupo”, afirma o magistrado.
Em 2024, o grupo reflexivo de
Barra do Garças realizou 44 encontros, que atenderam 81 homens. Destes, apenas
seis reincidiram no crime de violência doméstica, confirmando que as conversas
e a informação repassada funcionam.
Suporte e capacitação contínuos
A Cemulher-MT oferece um suporte
abrangente para a implementação e manutenção dos grupos. São disponibilizados
materiais didáticos completos para os facilitadores, que são, em sua maioria,
assistentes sociais e psicólogos credenciados. A Coordenadoria também promove
cursos de capacitação, em média, duas vezes ao ano, com instrutores renomados e
pesquisadores da área, garantindo a qualificação dos profissionais envolvidos.
A equipe da Cemulher-MT se
desloca até as comarcas sempre que solicitada, promovendo um diálogo contínuo
com as equipes locais e oferecendo monitoramento e apoio constantes. Isso
assegura que os grupos sejam realizados conforme as recomendações do Conselho
Nacional de Justiça, otimizando seus resultados.
Alinhamento com as Recomendações do CNJ e metas da gestão
A implementação desses grupos
está em consonância com a Recomendação nº 124/CNJ, de 07 de janeiro de 2022,
que orienta os Tribunais de Justiça a instituir e manter programas voltados à
reflexão e sensibilização de agressores, visando a efetivação das medidas
protetivas de urgência da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).
Além disso, a iniciativa faz
parte do planejamento da Cemulher-MT, alinhada ao seu objetivo macro no “Plano
de Diretrizes e Metas - Gestão 2025-2026”. A meta é "ampliar o número de
comarcas com os Grupos Reflexivos de Homens Autores de Violência Doméstica e
Familiar".
Mensagem da coordenadora da Cemulher-MT
A desembargadora Maria Erotides
Kneip, coordenadora da Cemulher-MT, faz um convite especial aos juízes e juízas
designados para atender processos de violência doméstica, para que instalem os
grupos reflexivos em suas comarcas.
Maria Erotides afirma que a Lei
Maria da Penha confere aos magistrados a responsabilidade de não apenas aplicar
a Justiça, mas também de promover a mudança e a prevenção, e que os Grupos
Reflexivos para Homens são uma ferramenta poderosa nesse processo. Eles
oferecem a oportunidade de reeducação e de resgate de valores, contribuindo
significativamente para a interrupção do ciclo da violência e para a construção
de uma sociedade mais justa e equitativa.
“Nossa experiência em Mato
Grosso, que antecede inclusive as recomendações do CNJ, comprova a eficácia
desses programas. Peço a cada um (a) de vocês que abracem essa causa e
implantem os grupos reflexivos em suas comarcas. A Cemulher-MT está de portas
abertas para oferecer todo o apoio técnico, material didático e capacitação
necessários. Juntos, podemos fazer a diferença na vida de inúmeras famílias e,
principalmente, na proteção de mulheres e crianças. Contamos com a sua
colaboração para fortalecer essa rede de enfrentamento à violência e construir
um futuro sem agressões", disse a desembargadora.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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