Comissão da Corregedoria se reúne em busca de soluções a conflitos fundiários
A Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder
Judiciário de Mato Grosso se reuniu nesta segunda-feira (16 de junho) para
analisar processos relacionados a conflitos fundiários (disputas sobre a posse
ou propriedade de terra) urbanos e rurais do Estado. A pauta da reunião contou
com a análise de três processos envolvendo conflitos fundiários na capital,
entre eles um dos casos mais complexos do Estado, o do Contorno Leste.
O encontro foi realizado de forma híbrida, com a
participação, por videoconferência, de representantes de instituições com
atuação estratégica na regularização de imóveis urbanos e rurais em Mato Grosso
e, presencialmente, na sala de reuniões da Corregedoria-Geral da Justiça do
Poder Judiciário de Mato Grosso, em Cuiabá.
“A Comissão tem atuado com efetividade, sempre em
busca de uma solução pacífica entre as partes e que leve em consideração as
suas necessidades”, disse o corregedor-geral da Justiça, desembargador José
Luiz Leite Lindote.
Na reunião, os integrantes aprovaram o relatório
produzido pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania de Mato
Grosso (Setasc) sobre as famílias que vivem no Contorno Leste e o
encaminhamento do documento aos juízes de origem dos processos.
O levantamento foi feito entre os meses de novembro
de 2024 e fevereiro de 2025. Uma equipe de campo conduziu 1.666 visitas e
realizou 850 cadastros. Desse total, 172 famílias encontram-se em
vulnerabilidade extrema. Em seguida, os integrantes discutiram as tratativas
referentes à operacionalização para cumprimento da decisão de reintegração de
posse.
“Este é um caso complexo, que envolve diversos
entes, e precisamos ter uma ação estratégica e humanizada”, pontuou a juíza
auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel.
Os integrantes da Comissão ainda deliberaram sobre
as próximas visitas técnicas a serem realizadas, com a entrada de nove novos
processos de conflitos fundiários.
Histórico – A
Comissão foi criada em novembro de 2022, com base na decisão proferida na
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 828), do ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Essa decisão orientava a
suspensão de despejos e desocupações durante a pandemia de Covid-19, conforme
critérios estabelecidos pela Lei 14.216/2021, com o objetivo de proteger o
direito à moradia durante o período emergencial.
Desde sua criação, a Comissão tem produzido
relatórios que funcionam como apoio operacional aos juízes responsáveis pelos
processos nas comarcas. Esses documentos têm caráter consultivo (ou seja,
servem de orientação, mas não têm força de decisão) e buscam propor soluções
consensuais para conflitos fundiários coletivos — tanto em áreas urbanas quanto
rurais — no cumprimento de mandados de reintegração de posse (ordens judiciais
para que alguém deixe um imóvel) ou de despejo, minimizando os impactos das
desocupações, especialmente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade
social.
Além da juíza auxiliar, Myrian Pavan, são membros
titulares da Comissão os magistrados Adriana Sant’Anna Coningham, Helícia Vitti
Lourenço e Érico de Almeida Duarte; e, como membros suplentes, os magistrados
Alex Nunes de Figueiredo, Eduardo Calmon de Almeida Cezar, Henriqueta Fernanda
Chaves Alencar Ferreira Lima e Jorge Lafelice dos Santos.
Também participam, como agentes convidados: Casa
Civil do Estado de Mato Grosso; Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso
(PGE); Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE-MT); Defensoria Pública
do Estado de Mato Grosso (DPE-MT); Secretaria de Estado de Segurança Pública
(Sesp); Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc);
Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat); Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra); Comando-Geral da Polícia Militar do
Estado de Mato Grosso; Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso
(OAB/MT); municípios interessados e Conselho Estadual de Direitos Humanos
(Conedh).
Larissa Klein
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br
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