Consumidora será indenizada após nome ser negativado sem aviso prévio adequado
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformou uma sentença de Primeira Instância o
cancelamento da inscrição indevida de uma consumidora em cadastro de
inadimplentes. A decisão também fixou indenização por dano moral no valor de R$
3 mil, reconhecendo que a notificação prévia, exigida por lei antes da
negativação, foi realizada de forma irregular – exclusivamente por e-mail, sem
comprovação de titularidade e recebimento.
O caso envolveu a contestação de uma consumidora que, ao
ter seu crédito recusado no comércio, descobriu que seu nome havia sido
negativado por uma empresa de proteção ao crédito. Na ação judicial, ela alegou
que não foi previamente notificada da inclusão, o que violaria o artigo 43,
§2º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC). A sentença inicial, no entanto,
considerou válida a notificação por e-mail e julgou improcedente o pedido,
levando à interposição do recurso.
Ao julgar a apelação, a relatora do caso, desembargadora
Clarice Claudino da Silva, destacou que a comunicação prévia é uma garantia
legal do consumidor. “Essa exigência legal, longe de ser uma mera formalidade,
traduz uma verdadeira garantia fundamental, inserida em um contexto de proteção
à dignidade da pessoa humana”, afirmou.
Segundo o voto, a empresa responsável pela negativação
limitou-se a apresentar um registro de envio para um e-mail, sem qualquer
comprovação de que o endereço pertencia à consumidora ou que ela de fato
recebeu a mensagem. “Não consta dos autos qualquer documento que demonstre que
esse e-mail foi informado pela consumidora em seus contratos, utilizado nas
relações anteriores, tampouco que é meio habitual de comunicação entre as
partes”, observou a relatora.
A decisão também ressalta que, embora o Superior Tribunal
de Justiça (STJ) tenha passado a admitir a notificação por meios eletrônicos,
isso somente é possível “desde que devidamente comprovados o envio e o
recebimento pelo consumidor”. No caso concreto, tal comprovação não foi
apresentada.
Além de anular a inscrição, a Câmara reconheceu o direito
à indenização por danos morais, fixando o valor em R$ 3 mil. A relatora apontou
que “a inscrição indevida no cadastro restritivo de crédito, desacompanhada de
notificação prévia válida, gera dano moral presumido, dispensando a comprovação
do prejuízo efetivo, diante da própria gravidade do ato”.
Por fim, a Turma Julgadora também afastou a aplicação da
Súmula 385 do STJ, que costuma impedir a indenização por dano moral quando
existem outras inscrições regulares no nome do consumidor. Isso porque, no caso
analisado, a negativação questionada era a mais antiga, o que confirma sua
relevância e os efeitos lesivos sobre a reputação da consumidora.
Número do processo: 1017018-91.2024.8.11.0002
Flávia Borges
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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