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 09/06/2025   16:32   

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Corregedoria abre Semana de Conscientização “Entrega Legal” com visita a unidade de saúde em Cuiabá

A abertura oficial da Semana Estadual de Conscientização sobre a Entrega Legal de bebês foi realizada nesta segunda-feira (09 de junho), no auditório das Promotorias da Infância e Juventude de Cuiabá. Ainda pela manhã, a equipe da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude visitou a Unidade de Saúde da Família (USF) do Jardim Imperial II para dialogar com profissionais da saúde e distribuir materiais informativos sobre a campanha.

Cerca de 70 representantes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente participaram da solenidade de abertura, promovida pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-MT) e das Varas da Infância e Juventude. A campanha tem o objetivo de conscientizar profissionais da rede pública e privada, gestantes e/ou genitoras sobre a possibilidade legal de entrega voluntária de bebês para adoção.

A programação segue até sexta-feira (13), com ações em todas as comarcas do estado. “Durante esta semana, os juízes de todas as comarcas promoverão ações para divulgar a campanha, seja com a distribuição de panfletos, visitas às unidades de saúde, entrevistas para a imprensa local ou a realização de palestras, principalmente para profissionais de saúde da rede pública e privada. São eles os primeiros a ter contato com a gestante. Precisamos capacitá-los para orientar com responsabilidade e sensibilidade essas mulheres”, afirmou a juíza auxiliar da CGJ-MT, Anna Paula Gomes de Freitas, responsável pela pauta da infância e juventude.

A abertura contou ainda com a presença da secretária municipal de Saúde de Cuiabá, Lúcia Helena Barboza Sampaio; da secretária-geral da Ceja, Elaine Zorgetti Pereira; e da juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Capital, Gleide Bispo.

Para a secretária de Saúde, Lúcia Helena Barboza Sampaio, a iniciativa de conscientização é essencial. “É necessário levar informação, pois queremos que a mulher que manifeste o desejo de fazer a entrega voluntária da criança para adoção se sinta respeitada e acolhida”, disse.

A juíza Gleide Bispo orientou, por meio de uma palestra, sobre a garantia de atendimento humanizado à gestante ou genitora, ao direito de sigilo, respeito e acolhimento livre de preconceitos, pré-julgamentos e constrangimentos. “É uma situação complexa, repleta de conflitos internos, além das questões de ordem familiar e social, até por isso a mulher tem o direito ao sigilo. E se a gente não der essa garantia, ela pode buscar caminhos ilegais, como a entrega direta para outras pessoas ou abandono”, alertou a magistrada.

É importante destacar que a entrega direta do bebê a terceiros é ilegal e configura crime. Na Entrega Legal, ao contrário, a genitora é amparada por uma equipe especializada, tem direito ao arrependimento durante o processo e o bebê é encaminhado a pretendentes habilitados pelo Judiciário.

A servidora da 1ª Vara da Infância e Juventude da capital está colando um folder da campanha Entrega Legal na USFA gestante interessada pode buscar orientação na Vara da Infância de sua cidade, no posto de saúde, no Conselho Tutelar, no Ministério Público ou na Defensoria Pública. A ação garante que todos os envolvidos sejam respeitados e protegidos, com segurança jurídica e dignidade.

Uma vez que a mulher manifeste interesse em entregar o bebê voluntariamente, ela é acompanhada por uma equipe multidisciplinar. Após o nascimento da criança, é realizada uma audiência para que confirme em juízo que deseja encaminhar o bebê para a adoção. “A mulher será acolhida pela equipe técnica e, após o parto, dentro de 15 dias, será realizada uma audiência com a presença da Defensoria e do Ministério Público, na qual a genitora terá a oportunidade de confirmar o desejo ou manifestar arrependimento. Ainda após a audiência, ela tem mais 10 dias para mudar de ideia”, detalhou Gleide Bispo.

Conscientização nas unidades de saúde - Durante esta semana, 147 unidades de saúde da Capital serão visitadas pela equipe multidisciplinar da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude. Serão distribuídas cartilhas contendo normativas de orientação e detalhes sobre o Projeto Entrega Legal aos profissionais da saúde municipal.

Ainda na manhã de segunda-feira, a equipe visitou a Unidade de Saúde da Família (USF) do Jardim Imperial II. O cirurgião-dentista da unidade, Paulo Cesar de Barros, contou que este foi seu primeiro contato com a campanha. “Muito interessante a iniciativa da juíza de vir nas unidades de saúde e apresentar a entrega voluntária, de como isso não só não é crime, mas está previsto por lei”, declarou.

Na visita, a juíza Gleide Bispo conversou com a equipe da USF e tirou dúvidas sobre a campanha. “Ano passado já havíamos visitado as unidades de saúde da capital, mas novamente estamos realizando esse trabalho de divulgação, pois somente com a capacitação contínua vamos acessar mais profissionais da área”, destacou.

Em 2024, foram registradas 25 entregas legais no Estado. “Este é o maior número de entregas voluntárias registrado em um ano desde 2015, mostrando que esse trabalho de conscientização tem surtido efeito”, pontuou a juíza auxiliar Anna Paula.

No entanto, muitas gestantes desistem ao longo do processo, diante da complexidade emocional da decisão. Dados nacionais indicam que cerca de 50% das mulheres que manifestam interesse na entrega legal acabam voltando atrás.  

Larissa Klein / Foto: Alair Ribeiro

Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br

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