Desembargador relembra trajetória dos Juizados Especiais e destaca avanços e desafios
A trajetória de 30 anos de Juizados
Especiais foi celebrada no último dia da II Semana Nacional dos Juizados Especiais, por meio de uma palestra
proferida pelo desembargador Sebastião de Arruda Almeida, presidente do
Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais, especialmente pelo fato do Poder
Judiciário de Mato Grosso ter sido o primeiro a instalar esse sistema em sua estrutura,
quando a Lei federal nº 7.244/1984 instituiu o então chamado Juizado de
Pequenas Causas, prevendo a criação facultativa por parte dos Tribunais.
O juiz Gonçalo Antunes de Barros Neto, da Primeira Turma Recursal, atuou como debatedor do painel “Juizado Especial em Movimento: Três Décadas de Construção e os Desafios Contemporâneos”, que foi acompanhado presencialmente por uma plateia que lotou o auditório do Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá, e disponível no canal TJMT Eventos no Youtube.
“O Juizado é para o cidadão”
Ao abordar a trajetória dos Juizados
Especiais em Mato Grosso, o desembargador Sebastião de Arruda Almeida ressaltou
a característica social desse sistema, que tem como objetivo facilitar o acesso
da Justiça à população, com um atendimento mais próximo, simples e ágil. Na
prática, esse sistema vem sendo aprimorado, por exemplo, por meio da Lei
estadual nº 6.176/1993, que estruturou os Juizados Especiais no âmbito
estadual, sendo parcialmente alterada pela Lei nº 6.490/1994, com maior
garantia de tutela dos direitos dos cidadãos, por meio da criação de Juizados
especializados.
“O Juizado é para o cidadão. E nessa
perspectiva, quero destacar nossa preocupação desde sempre com o cidadão.
Alvarás de pequeno valor, ação de despejo por falta de pagamento para uso
próprio, separação e divórcio consensual, alimentos, Código de Defesa do
Consumidor... Cuiabá ganhou oito Juizados Especiais, que já utilizavam a
estrutura do Juizado de Pequenas Causas, sendo quatro cíveis, três criminais e
um de Defesa do Consumidor”, lembra o desembargador Sebastião Almeida.
O palestrante fez questão de enaltecer
a atuação de diversos magistrados na construção dessa trajetória de avanços dos
Juizados Especiais em Mato Grosso. “O
que a gente deseja realmente é ver esse sistema de Juizados cada vez mais
engrandecido. Mas para haver esse reconhecimento, é necessária a apresentação
de resultados e eles estão aí”, disse, exibindo um quadro com o volume de distribuição
de demandas nos Juizados Especiais nos últimos anos. Em 2022, aportaram 188.680
casos novos. No ano passado, foram 211.216 demandas. De acordo com o magistrado,
os resultados do trabalho realizado permitiram a reestruturação do Conselho de
Supervisão dos Juizados Especiais, por meio da Lei complementar nº 812/2025.
Ao fim da palestra, Sebastião Almeida
defendeu que os juízes dos Juizados sejam criativos e vocacionados a esse
sistema para dar conta da dinâmica atual, em que diversos desafios se
apresentam, como a necessidade do combate à ordinarização do sistema dos Juizados
Especiais, às demandas abusivas, o fomento da cultura da autocomposicao, o desenvolvimento
de ferramentas de inteligência artificial e de uma linguagem simplificada, além
da uniformização de procedimentos. “Nós todos queremos e defendemos um Juizado
forte. E é isso que eu encarecidamente peço. Vamos continuar! Não é fácil, mas
ninguém pode ocupar o nosso espaço”, finalizou.
Celly Silva / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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