Poder Judiciário realiza Mutirão Dignidade e Cidadania para população em situação de rua de Cuiabá
O coordenador do Grupo de
Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato
Grosso (GMF-MT), juiz Geraldo Fidelis, esteve nas ruas de Cuiabá, na
sexta-feira (30 de maio), para convidar pessoas em situação de vulnerabilidade
social e egressas do sistema prisional em situação de rua a participarem do
“Mutirão Dignidade e Cidadania”. A ação temática, ligada ao PopRuaJud, será realizada
no dia 11 de junho, na sede da Fundação Nova Chance (Funac), localizada no
bairro Boa Esperança, na Capital. Durante o mutirão, ao longo do dia, serão
oferecidos serviços essenciais como atendimentos de saúde, emissão de 2ª via de
documentos e balcão de emprego.
A iniciativa de levar o Judiciário
para as ruas do centro de Cuiabá visa uma atenção mais direta e pessoal à
população em situação de rua. O juiz Geraldo Fidelis explicou que o objetivo foi
falar diretamente às pessoas.
"Nada melhor do que sairmos
do Fórum para vir ao centro da capital falar diretamente com eles, para que
repliquem para seus companheiros, que estão por toda a cidade, para participar
conosco, no dia 11 de junho, do mutirão, que é um ‘Pop Rua temático’ para as pessoas
do Sistema Penitenciário que está no regime semiaberto ou aberto. Geralmente,
esse público tem medo de se aproximar do Judiciário, porque pensam que vamos
prendê-los. Não vai haver prisão, vai haver regularização" frisou o juiz.
Durante uma das conversas com
diversas pessoas numa praça, Fidelis explicou que a intenção do Judiciário é
ajuda-los na recuperação da dignidade e da cidadania. “Queremos harmonia,
queremos que se recuperem para que possam trabalhar, estudar, mas antes de
tudo, recuperar a saúde, serem encaminhados ao CAPS (Centro de Atenção
Psicossocial), se necessário. Enfim, dar o abraçamento a todos que queiram e
precisam”.
Comitê Intersetorial
Rodrigo
Martins, do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política
Estadual para a População em Situação de Rua, enfatizou que toda mudança de
vida começa com o exercício pleno dos direitos, que proporciona dignidade. O
comitê acredita que o mutirão abre portas para uma nova vida e a reconstrução
pessoal e social dessas pessoas.
“Acreditamos
que toda mudança de vida começa a partir do exercício pleno dos direitos que
dignificam as pessoas e isso inclui todas as políticas públicas, inclusive as
políticas judiciais. E esse mutirão do qual vamos participar e somos parte,
abre as portas para essas pessoas para uma vida nova, uma reconstrução tanto do
eu, pessoa interna, como do eu, pessoa em sociedade. Para nós é de suma
importância e acreditamos que os resultados, a partir disso que estamos fazendo
hoje, que é vir no território, conhecer as pessoas e suas particularidades e
necessidades, vai ajudar na transformação e num outro horizonte para que essas
pessoas possam reconstruir suas vidas com dignidade”, concluiu Martins.
Comentários dos visitados
A ida do juiz
Geraldo Fidelis ao encontro das pessoas em vulnerabilidade foi avaliada como
"super 10" por um dos participantes, que expressou a importância da
segunda chance e do apoio que está sendo oferecido. Ele destacou a sensação de
não se sentir sozinho e a importância de ter uma escuta atenta e atenção.
Para outro
entrevistado, a iniciativa do mutirão é crucial para facilitar o acesso a
direitos básicos.
Conforme dados
do Cadastro Único (CadÚnico), em Cuiabá, mais de 1.200 pessoas estavam em
situação de rua, no ano de 2023. De acordo com a Coordenadoria Regional de
Direitos Humanos de Mato Grosso, atualmente, esse número chega a 1.400.
Mutirão Dignidade e Cidadania
Serão oferecidos serviços
essenciais como atendimentos de saúde, fundamental para uma população que não
tem acesso regular a cuidados médicos; emissão de 2ª via de documentos,
permitindo que os participantes recuperem sua documentação e, com ela, o acesso
a outros benefícios e direitos. Também estarão disponibilizados serviços do balcão
de emprego, testes rápidos, CAD Único, Centro POP, atendimento jurídico na
esfera estadual e corte de cabelo.
O evento é realizado pelo Poder
Judiciário, por meio do GMF-MT e do Nupemec (Núcleo Permanente de Métodos
Consensuais de Solução de Conflitos); Defensoria Pública Estadual e Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), com apoio do Ministério Público Estadual, Secretaria
Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência, Secretaria
de Estado de Assistência Social e Cidadania, Fundação Nova Chance, Escritório
Social e Comitê Pop Rua.
Todas as iniciativas do Poder
Judiciário voltadas à população em situação de rua estão previstas na Política
Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades
(PopRuaJud), instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio da
Resolução CNJ nº 425/2021. A Política visa responder ao desafio de abrir as
portas da Justiça aos mais vulneráveis, oferecendo à população em situação de
rua atendimento prioritário e sem burocracia nos Tribunais brasileiros,
possibilitando o acesso à Justiça de modo célere, simplificado e efetivo.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
14/04/2026 13:48
Atendimento integrado agiliza regularização de benefícios no PopRuaJud
10/04/2026 15:45
PopRuaJud é reconhecido por autoridades como instrumento de transformação social
17/04/2026 08:33
Cadastro habitacional e inclusão de nome social renovam dignidade da população vulnerável











