Comissão realiza visita técnica para analisar ocupação em área rural de Ipiranga do Norte
A Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso realizou uma visita técnica a uma área rural no município de Ipiranga do Norte. A medida integra as ações previstas pela Resolução nº 510/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta a adoção de estratégias de diálogo para prevenção e resolução de conflitos coletivos envolvendo terras.
A visita
na área rural de Ipiranga do Norte foi realizada dia 23 de junho e conduzida
pelo juiz membro da Comissão, Érico Duarte. Contou com a participação da juíza
diretora do Foro de Sorriso, Emanuelle Chiaradia Navarro Mano, comarca de
origem do processo, além de representantes do Ministério Público, Defensoria
Pública, órgãos ambientais, Prefeitura de Ipiranga do Norte, forças de
segurança e demais órgãos convidados.
Durante a
inspeção, foi realizado o cadastramento preliminar de 49 famílias e a coleta de
dados sobre serviços básicos disponíveis, como acesso à energia e água, além
das condições das moradias. As informações serão consolidadas em relatório
técnico para orientar as próximas etapas do processo, sempre com foco na
segurança jurídica, no diálogo institucional e na proteção social.
O objetivo da diligência foi levantar informações sobre a situação social e estrutural da área e ouvir as instituições envolvidas, de forma a subsidiar decisões judiciais que considerem os impactos humanos e ambientais. A atuação da Comissão, presidida pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote e coordenada pela juíza auxiliar da CGJ, Myrian Pavan Schenkel, prioriza soluções consensuais e o cumprimento das determinações legais com respeito à dignidade das pessoas.
Comissão Regional - A Comissão foi criada em novembro de 2022, com base na decisão proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 828), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Essa decisão orientava a suspensão de despejos e desocupações durante a pandemia de Covid-19, conforme critérios estabelecidos pela Lei 14.216/2021, com o objetivo de proteger o direito à moradia durante o período emergencial.
Desde sua
criação, a Comissão tem produzido relatórios que funcionam como apoio
operacional aos juízes responsáveis pelos processos nas comarcas. Esses
documentos têm caráter consultivo (ou seja, servem de orientação, mas não têm
força de decisão) e buscam propor soluções consensuais para conflitos
fundiários coletivos, tanto em áreas urbanas quanto rurais, no cumprimento de
mandados de reintegração de posse (ordens judiciais para que alguém deixe um
imóvel) ou de despejo, minimizando os impactos das desocupações, especialmente
sobre pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Alcione dos Anjos
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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