Trabalho no campo capacita e ressocializa pessoas privadas de liberdade em Tangará da Serra
A ressocialização por meio
do trabalho no campo já contribuiu para a capacitação de mais de 40 pessoas
privadas de liberdade ou que cumprem medidas alternativas no município de
Tangará da Serra. A oportunidade foi criada em 2017, a partir de uma parceria entre
a Comarca de Tangará da Serra, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa,
Assistência e Extensão Rural (Empaer), a Fundação Nova Chance e o Conselho da
Comunidade local.
Conhecimentos técnicos e
práticos de preparo do solo, plantio, capina, produção de mudas, colheita e
manejo de cultura e até operação de tratores e pulverizadores são aprendidos
pelos recuperandos que passam pelo projeto.
“Podem participar os presos
que estão cumprindo pena em regime fechado, desde que apresentem bom
comportamento e atendam aos requisitos previstos na Lei de Execução Penal”,
declara o juiz Ricardo Frazon Menegucci, da 1ª Vara Criminal de Tangará da
Serra.
Os trabalhos são
desenvolvidos em uma área de 215 hectares da Empaer. A participação dos
recuperandos nas atividades traz benefícios pessoais, sociais e
econômicos. “A presença deles supre uma falta de mão de obra da empresa,
além de gerar renda para eles, para seus familiares e promover a reintegração
social”, avalia o coordenador do projeto, o engenheiro-agrônomo Welington Procópio.
As tarefas realizadas são
concentradas na frente de atuação de ‘Pesquisa e fomento agrícola’ da Empaer.
Em Tangará da Serra, o grupo participa da produção de mudas de café, cacau,
banana e manivas de mandioca, além de pesquisas com arroz, milho e feijão.
Cada trabalhador recebe um
salário mínimo. Dois terços do valor ficam disponíveis para eles ou seus
familiares, e um terço é depositado em uma conta pecúlio, uma espécie de
poupança vinculada ao sistema prisional, que o recuperando poderá acessar quando
deixar o sistema prisional. A medida atende aos requisitos da Lei de Execuções
Penais n.º 7.210/1984, que garante trabalho remunerado à pessoa privada de
liberdade. Atualmente, o projeto pode recepcionar até dez pessoas.
“Todos os reeducandos passam
por capacitação prática. Muitos chegam sem experiência, como o caso de um
ex-traficante de 37 anos que confessou nunca ter trabalhado antes. Aqui, ele
aprendeu a produzir mudas de café clonadas e a trabalhar com tecnologias da
área rural. Essas experiências representam uma verdadeira escola agrícola.
Vários reeducandos, ao saírem do projeto, já conseguiram trabalho em fazendas,
com base no que aprenderam conosco”, conta o engenheiro agrônomo.
Outro benefício promovido é
que a cada três dias de trabalho, o apenado tem direito à remição de um dia da
pena. “Ele pode reduzir o tempo de encarceramento por meio do trabalho”,
reforça o juiz Ricardo Menegucci.
Criar oportunidades de
aprendizado e trabalho é também uma das formas efetivas de ressocialização,
conforme analisa o magistrado. “Quando oportunizamos que a pessoa aprenda um
ofício e saia da unidade prisional apta a exercer uma profissão, reduzimos
significativamente as chances de reincidência. O grande benefício do trabalho,
enquanto ferramenta de ressocialização, é justamente esse: evitar que a pessoa
volte a cometer crimes."
Para o magistrado, a
iniciativa reflete um compromisso do Judiciário com a sociedade. “Quando o
Poder Judiciário atua em programas de ressocialização, ele não apenas garante o
cumprimento de um direito, mas também contribui para tornar a sociedade mais
segura e para assegurar que a pessoa privada de liberdade tenha sua dignidade e
seu respeito preservados”, finaliza.
Além de Tangará da Serra, o
projeto também é realizado nos municípios de Sinop e Cuiabá.
Priscilla Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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